A Academia de Goleiros tem muito a comemorar!

“Desgraçado é o goleiro porque até onde ele pisa não nasce grama.”
 
Neste dia 26 de abril celebramos o dia do goleiro. Quando falo em goleiro automaticamente meu coração se enche de alegria, essa é uma emoção que talvez só os palestrinos sintam com tamanha intensidade neste assunto. Não é a toa, afinal a história do Palmeiras é repleta desses verdadeiros gigantes no gol e é uma reconhecida academia de goleiros.
 
Eu sou daquela geração que cresceu vendo o Sérgio no gol e mais tarde o Marcos, vi esses dois fazerem sua magia nas traves do Palestra Itália, chorei com cada fratura do Marcos e sofri quando ele parou. Vejo agora outro monstro surgir em baixo das nossas traves, Fernando Prass, que embora não tenha crescido na nossa casa tem vestido o nosso manto como se sempre tivesse sido de casa. 
 
Embora eu só tenha visto mais de perto os goleiros da história mais recente do Palmeiras, é inegável e inadmissível um palestrino não saber a história dessa fantástica academia de goleiros.
 
Quando o Palmeiras ainda era a equipe do Palestra Itália durante a Segunda Guerra Mundial, na década de 40, surgiu o primeiro ídolo dono da camisa 1: Oberdan Catani. Conhecido como a Muralha Verde, ficou 13 anos defendendo as nossas traves, foi um dos maiores ídolos desse período, iniciando a tradição desta academia de goleiros. No clube conquistou o Campeonato Paulista de 1942, 1944, 1947 e 1950; 
Mundial Interclubes - Copa Rio de 1951; Torneio Rio - São Paulo de 1951 e Taça de Campeões; Rio - São Paulo de 1942 e 1947 O goleiro nos deixou no dia 20 de junho de 2014, logo depois de completar 95 anos, foi o último a jogar no Palestra Itália e no Palmeiras. Após sua morte foi eternizado em nossa academia ganhando um busto de bronze na sede social do clube.
 
Foto: Globo Esporte
Com a saída de Oberdan, o Palmeiras ficou algum tempo em busca de um sucessor a altura, encontrou ele em 1958: Valdir de Moraes. O baixinho para os padrões de um goleiro, com seus 1,75 de altura se agigantava na meta alviverde. Foram 10 anos no clube, conquistou o Campeonato Paulista em 1959, 1963 e 1966; Campeonato Brasileiro em 1960, 1967 (Taça Brasil) e 1967 (Roberto Gomes Pedrosa); e Torneio Rio-São Paulo em 1965. Participou de momentos marcantes da nossa história, como por exemplo, quando o Palmeiras foi convidado a representar a Seleção Brasileira contra a seleção do Uruguai, em 1965 no Mineirão. Ou ainda em 1966 em clássico entre Palmeiras e Corinthians pelo Torneio Rio-São Paulo, a equipe palestrina vencia o clássico por 2 a 1, quando aos 43 minutos do segundo tempo foi marcado pênalti a favor do Corinthians, cobrado por ninguém menos que Mané Garrincha. Valdir defendeu e garantiu a vitória alviverde sobre o rival. De pegar pênalti nossos goleiros sempre entenderam mesmo! 
 
Valdir aposentou as chuteiras, mas não abandonou o futebol e nem o Palmeiras. Dois anos após deixar os gramados foi convidado a compor a comissão técnica do técnico Oswaldo Brandão que comandava o Palmeiras na época. Valdir aceitou, mas com uma condição: fazer um trabalho específico com os goleiros, sendo o pioneiro na função de preparador de goleiros. Foi ainda preparador de goleiros em duas Copas do Mundo, em 1982 e 1986, ao lado de Telê Santana e em outros clubes.
 
Foto: Palmeiras
Em 1969 foi a chegada de Emerson Leão ao time alviverde. Entre duas passagens, ficou no clube 11 anos. Conhecido pela sua personalidade forte e exímio goleiro fez parte da conhecida Segunda Academia e conquistou muitos títulos pelo Palmeiras: Campeonato Brasileiro de 1972 e 1973; Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1969; Campeonato Paulista de 1972, 1974 a 1976. Em 1970 foi o terceiro goleiro da seleção brasileira na Copa do Mundo, e, em 1974 e 1978 foi o goleiro titular.
 
Foto: Paixão Palmeirense
Em 1989 foi a vez de Wagner Fernando Velloso estreiar, aos 21 anos, sob as traves alviverdes. Ficou na equipe até 1992, retornando em 1994 e ficando até 1999, em uma das épocas mais vitoriosas da equipe, sendo titular durante a Libertadores de 1999, quando uma lesão o afastou do campo, cedendo lugar ao Marcos. Foram muitos títulos durante a passagem palmeirense: Campeonato Paulista de 1993, 1994 e 1996; Campeonato Brasileiro 1994; Copa do Brasil 1998; Copa Mercosul 1998; Libertadores 1999.
 
Foto: UOL Esporte
Sergio estreiou no Palmeiras em 1992. Aliás década de 90 o Palmeiras podia contar com Velloso, Sergio e Marcos, tem algo a ser dito depois desses nomes? Sergio ficou no clube 10 anos. Quebrou o jejum de 16 anos sem título do Palmeiras com a conquista do Paulista de 1993, além de participar de muitos outros.
 
Foto: Gazeta Press
 
Agora o que falar do Marcos Roberto Silveira Reis, Marcos, Marcão, o São Marcos? Foram 20 anos no clube, foi contratado em 1992 para integrar a equipe sub-20. Quando chegou a equipe titular, recebeu a camisa de número 12 e não abandonou mais esse número, mesmo após se tornar titular absoluto. Um dos maiores ídolos da atualidade no Palmeiras, protagonizou e atuou em muitas conquistas palmeirenses, 
sendo os principais deles: Campeonato Brasileiro em 1993 e 1994; Campeonato Paulista em 1994, 1996 e 2008; Copa do Brasil em 1998; Copa Mersosul em 1998; Copa Libertadores da América em 1999; Torneio Rio-São Paulo em 2000; Copa dos Campeões em 2000. Atuou em 532 jogos, defendeu pênaltis históricos, como os do Vampeta na Libertadores de 1999 e do Marcelinho Carioca em 2000, além de muitos outros. Foi o único goleiro eleito o melhor jogador de uma Libertadores e é o palmeirense que mais vezes atuou no torneio.

 

Foto: Folha de São Paulo

Foi Campeão do mundo em 2002, recebeu proposta milionária do Arsenal para deixar o Palmeiras, mas preferiu ficar aqui e disputar a série B do Campeonato brasileiro junto com o Palmeiras. 
 
Ganhou o apelido de São Marcos e virou o eterno Santo e ídolo do Palmeiras. Conhecido pelo seu jeito humilde de ser, paizão dos jogadores mais novos, impunha uma liderança fora do normal em campo, intimidava os adversários e cativava até os torcedores rivais. 
 
As fraturas estiveram presentes na vida do goleiro por muitas vezes, mas foi em torno de 2007 que isso deixou ele mais e por mais tempo longe dos gramados. Sua última partida pela equipe foi em 18 de setembro de 2011. Ganhou uma procissão de beatificação feita pela torcida no dia 14 de janeiro de 2012 e teve o dia 12 de dezembro de 2012 celebrado como o dia de São Marcos, aliás até hoje o dia 12/12 é comemorado como o dia de São Marcos, em homenagem a camisa 12 do ídolo. Sua idolatria foi eternizada em um busto de bronze na sede social do clube. 
 
Sou suspeita para falar do Marcos, ele é meu maior ídolo do futebol, foi o jogador que mais me recordo em ver jogar pelo Palmeiras, desde pequena até minha idade adulta. Cada lesão dele doía em mim, chorei com ele quando ele discursou para equipe nos vestiários as vésperas da decisão do Paulista de 2008, celebrei com ele a defesa de pênaltis, chorei de alegria com a Libertadores de 1999 e a Copa do Mundo 
de 2002. Marcão, meu, nosso, São Marcos foi não só um brilhante goleiro, como também é uma pessoa incrível que conquista a todos com o seu jeito de ser. 
 
Após a saída de Marcos, o Palmeiras passou algum tempo sem encontrar um sucessor a sua altura. Foi então que em 20 de janeiro de 2013 estreiou Fernando Prass para a disputa da série B do Campeonato Brasileiro. Foi figura importante na conquista do título em 2013. Vem sendo um excepcional goleiro, em 2015 pela semifinal do campeonato paulista, ajudou a eliminar o maior rival do Palmeiras, o Corinthians, nos pênaltis em sua própria arena. Operou novo milagre na final da Copa do Brasil, também nos pênaltis e dessa vez contra o Santos. Há aqueles que já o chamem de São Prass. Não sei dizer se ele será beatificado como Marcos, mas que já tem lugar importante em nossa história e no coração alviverde, ele tem sim! Hoje o coração alviverde está sossegado sabendo que há novo guarda metas imponente 
defendendo nosso amor!
Foto: IG Esportes
Quem é palmeirense tem muito a comemorar neste dia de hoje, em 101 anos de história tivemos excepcionais goleiros que representam essa defesa que ninguém passa, que nos enchem de orgulho, segurança e títulos. Se a profissão de goleiro de fato é ingrata, não deve ser no Palmeiras!
 
Marcela Permuy