À BEIRA DO CAOS, O PODER DE REAÇÃO

 

Ontem, no Morumbi, o São Paulo entrou em campo para um confronto direto, com a tarefa de vencer, ganhar os 3 pontos (que valeram 6), e dormir no G4. Se a permanência do time na 4ª colocação vai durar, ninguém sabe (mas esperamos que sim!), pois Santos e Palmeiras farão o clássico na Vila, e também estão na briga para conseguir a vaga. Completando a lista, o Internacional jogará fora de casa, contra o Goiás, mas também sonha com um lugar na zona de conforto.

O Tricolor conseguiu fazer o dever de casa com frieza e determinação, apesar de alguns sustos, que fizeram os torcedores são-paulinos mais uma vez, ficarem receosos. Mas enfim, Doriva entendeu que errou nos últimos jogos (jogos que nos custaram mais uma eliminação para o Santos, pela Copa do Brasil) e, reconhecendo o erro, tratou de fazer mudanças, que foram fundamentais para o bom desempenho da equipe, no Morumbi.

A presença de jogadores como Rodrigo Caio e Thiago Mendes em campo, deixou o time mais à vontade para “dominar” o jogo e levar a melhor na disputa. Assim como o zagueiro e o meia, que fazem seu trabalho com excelência ao atuarem em suas posições de origem, o meia-armador Paulo Henrique Ganso mostrou, mais uma vez, como pode fazer ou ser a diferença. Apesar de muito oscilar, ele acaba sendo o homem de criação, o ponto central, a mente brilhante... É fato que, ultimamente, existe uma “Gansodependência” por parte de todo o time, que não consegue “pensar” quando o maestro não está em campo.

O São Paulo começou a partida com Denis no gol; Bruno, Rodrigo Caio, Lucão e Reinaldo fazendo a linha de quatro zagueiros; Thiago Mendes e Wesley como volantes, e Ganso como o meia de criação; Alexandre Pato e Michel Bastos pelas pontas, e Luis Fabiano como homem de referência.

A escalação parecia dar certo, e aos 9 minutos de jogo, Alexandre Pato, numa firme cabeçada, carimbou o travessão do goleiro Danilo Fernandes que, mesmo levando 3 gols, foi um dos destaques da partida, por ter feito algumas boas defesas. A pressão inicial diminuiu um pouco, mas o time da casa buscava o gol, que saiu aos 18 minutos. Wesley recebeu a bola na direita, e após colocá-la na frente em direção à linha de fundo, cruzou, deixando-a limpa para o maestro que, levando a melhor na pequena área, chutou com a sola do pé, abrindo o placar para o Tricolor do Morumbi. Aos 26, o meia Michel Bastos recebeu cartão amarelo por uma entrada dura no zagueiro Ewerton Páscoa.

O segundo gol saiu ainda no 1º tempo, quando Pato, aos 42 minutos, recebeu a bola dos pés de Paulo Henrique Ganso, mas errou o domínio. Aproveitou que Luis Fabiano acompanhava a jogada e, com inteligência, enganou o zagueiro Matheus Ferraz e tocou para o centroavante, que bateu forte, num chute cruzado, sem chances para o goleiro pernambucano. Tricolor 2x0, e vantagem antes do árbitro apitar o fim dos primeiros 45 minutos.

Antes de começar o segundo tempo, Doriva colocou Hudson no lugar de Bruno, que sentiu no final da etapa inicial. O São Paulo continuou buscando jogadas para ampliar ainda mais o placar, mas com menos pressão, diferente do que foi no início do jogo. O Sport teve seus momentos, retendo mais a bola longe de seu campo de defesa, jogando mais avançado. Mesmo assim, não teve sucesso em suas investidas, e de longe, sequer parecia aquele time ofensivo que jogou contra o Palmeiras, na semana anterior, quando ganhou do time alviverde por 3x0. Seu sistema ofensivo não deu certo, sendo travado pela zaga tricolor, que estava bem “compactada” (milagre!), e sua defesa parecia não estar em campo. Ao que parece, o São Paulo fez com o Sport aquilo que o Santos fez com o Tricolor, nos jogos da semifinal da Copa do Brasil.

Aos 2 minutos, foi a vez de Rithely levar um cartão amarelo, por cometer uma falta no atacante Alexandre Pato. O jogo seguiu, com o São Paulo perdendo algumas chances (como sempre!) de ampliar o placar. Mas aos 18 minutos, Michel Bastos, num chute de fora da área que desviou no zagueiro pernambucano, fez o 3º, de pé esquerdo, e carimbou a vitória dos anfitriões. Um detalhe importante e que não se deve deixar passar foi a “comemoração” do meia, que fez sinal de silêncio para a torcida, após ela pegar no seu pé, como se mandasse os torcedores calarem a boca (uma reação que repercutiu de forma negativa para a imprensa, cartolas, e para os próprios torcedores). Aos 24, Doriva fez suas duas últimas alterações de uma só vez. Sacou Luis Fabiano e Michel Bastos, para as entradas de Alan Kardec e Rogério, respectivamente. E aos 40 minutos, quando o jogo já estava praticamente decidido, Wendel ainda levou um cartão amarelo, aumentando a lista dos amarelados do time de Falcão.

O Sport ainda buscava fazer, pelo menos, o gol de honra. Aos 41, o goleiro Denis fez bela defesa após um chute de Régis, que recebeu passe de André, evitando o gol do Leão da Ilha. O São Paulo ainda perdeu mais algumas chances, e Doriva pedia para que seus comandados ficassem com a bola, apenas para administrar o resultado e esperar o término da partida, que foi até os 48.

Apita o árbitro. Fim de jogo no Morumbi. São Paulo 3 x 0 Sport.

Com a segunda vitória seguida no Campeonato Brasileiro, Doriva respira um pouco mais aliviado, enquanto vê o Tricolor ocupar a 4ª colocação na zona de conforto, com 53 pontos. Já Falcão viu o Sport, após três vitórias consecutivas, parar na 8ª colocação, com 49, podendo terminar em 9º lugar, caso o Palmeiras vença o clássico de logo mais. As duas equipes entrarão novamente em campo no próximo domingo, 8 de novembro. O São Paulo enfrentará o Cruzeiro no Mineirão, às 17h (horário de Brasília), e o Sport receberá o Grêmio, na Ilha do Retiro, às 19h30 (horário de Brasília).

Em uma semana “de folga”, Doriva poderá avaliar ainda mais o time que tem em mãos, reconhecendo que há peças importantíssimas no elenco, que precisam ser mais utilizadas. E em uma semana, os jogadores devem entender que, além de uma vaga para a Libertadores 2016 estar na disputa, também há o próprio poder de reação de um time que, no momento, “beira o caos”. Precisam estar cientes que, para se manter na zona de conforto, é preciso vencer. Vencer, inclusive, a si mesmos.


 

Por Renata Chagas