A CRUZ DE MILTON

 

No início da semana, mais uma bomba explodiu pelos ares tricolores! O até então técnico Doriva, que estava em Itu, recebeu uma ligação e foi chamado para uma reunião que, segundo informações, durou cerca de 5 minutos. Talvez ele já fizesse ideia do que viria pela frente, afinal, estava sendo um dos últimos “resquícios” da Era Aidar, depois que a nova presidência assumiu. E apesar de, durante as coletivas, não demonstrar ‘medo’ em ser demitido e dizer que confiava em seu trabalho, acharam por bem demiti-lo, com a justificativa de que ele não se encaixava no perfil de técnico para estar à frente do planejamento do clube em 2016.

Se Doriva não se encaixava no perfil, por que os dirigentes do São Paulo (à época) resolveram contratá-lo? Por que se precipitaram tanto e o trouxeram, já que estava se saindo bem enquanto comandante da Ponte Preta? Por que, mais uma vez, “agiram por trás” pra conseguir algo?

Sabemos o quão “recente” é a presença de Doriva dentro de campo como treinador. E por mais que ele tenha sido um bom jogador, com conquista de título pelo próprio São Paulo, suas passagens vitoriosas como técnico de um clube ou outro, foram poucas. Então, não era o momento certo de trazê-lo. Um treinador jovem, com uma carreira promissora pela frente, acabou se queimando por querer realizar um sonho, talvez. Em tão pouco tempo, passou por “tantos” clubes, e acabou sem nenhum.

          

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Afinal, o que ele estava pensando quando aceitou ser técnico de um clube totalmente em crise? Será mesmo que ele achou que seria fácil comandar um time que, ultimamente, não esboça reação nenhuma em campo? Um time que perdeu a identidade e, principalmente, a essência daquele clube vencedor que um dia foi o São Paulo.

Talvez Doriva não tenha percebido nada disso. Não tomou conhecimento do terreno em que estava pisando, não imaginou a fria em que estava se metendo. Não passou por sua cabeça o mau momento do clube, mas a vontade de treinar uma equipe pela qual foi campeão. E sem pensar em tudo isso, foi demitido. Sem papas na língua, sem critérios.

Aí sai Doriva, entra Milton. Mais uma vez, e de novo. O “novo velho” técnico interino comandará o time nos últimos quatro jogos. E pela frente, ele terá uma cruz, grande e pesada, pra carregar, e dará tudo de si para conseguir as vitórias, pois seu pensamento é somente um: vencer! No clube desde 1994, ele está comandando o time pela 16ª vez e entra em cena para conseguir, quem sabe, um aproveitamento de G4, como já aconteceu, e uma possível classificação para a Libertadores. Sua última passagem pelo banco de reservas como interino o fez ter 69% de aproveitamento, sendo melhor que Doriva, e até mesmo que o próprio professor Osório, com quem mantém uma forte relação de amizade.

                       

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Sendo assim, por que não mantiveram Milton Cruz no comando tricolor após a saída de Osório? Por que foi preciso contratar um novo técnico, faltando tão pouco para terminar o campeonato? Será que o São Paulo poderia ter ido à final da Copa do Brasil, com o trabalho da “nova velha” prata da casa? Muitas perguntas, poucas respostas.

E agora o assunto do momento, além da ‘crise’ que se instaurou no clube, é em relação ao substituto de Milton para o ano que vem.

Para muitos torcedores, seria uma boa se o atual treinador fosse efetivado ao cargo. Mas como ele mesmo fez questão de frisar, é preferível que ele continue como funcionário, já que se um dia for contratado como técnico e não trouxer resultados positivos, perdendo mais do que ganhando, poderá ser mandado embora. Então, momentaneamente, exclui-se essa possibilidade.

Nomes como o de Cuca e Paulo Autuori, que trabalham fora do Brasil, rondam os ares tricolores, e ao que tudo indica, são os mais cotados para assumir o São Paulo. Também se fala em Muricy, que saiu do comando tricolor em Abril, por motivos de saúde. Mas como o “aqui é trabalho, meu filho” não se dá bem com o presidente Leco, é improvável que ele volte para as bandas do CT da Barra Funda. Roger Machado e Diego Aguirre são outros dois com os nomes citados, mas a vinda do técnico gremista é dada como incerta. Na semana que o São Paulo recebeu o Sport, no Morumbi, até Falcão teve seu nome passeando pelos bastidores. Completam a lista, Marcelo Gallardo, do River Plate, e Fernando Jubero, do Guarani do Paraguai.

Quem irá assumir? Ninguém sabe. Acredita-se que até mesmo a diretoria ainda tem dúvidas quanto ao nome escolhido para ser o treinador do Tricolor mais querido. O que se sabe, é que o novo técnico deverá receber conforme o piso salarial estipulado para os novos contratos, e precisará trabalhar com aquilo que lhe for proposto e oferecido, com o elenco que possuir, e apenas com alguns novos reforços, pelo fato do clube estar, literalmente, atolado em dívidas, e as contratações não poderem ser de alto nível.

Com tantos nomes em questão, resta ao torcedor aguardar mais uns dias, ou mais uns meses, para conhecer aquele que a diretoria vai escolher para executar o planejamento de 2016. O que se espera é que o escolhido lute, juntamente com o presidente, para tirar o nome do São Paulo da lama. Que ele tente dar uma nova cara ao time, fazendo-o voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído: o topo, o lugar mais alto... Lugar esse onde o vermelho, o branco e o preto, estiveram tantas vezes!

 

Por Renata Chagas