A dor desse amor.

Bruno Fernandes das Dores de Souza, esse é o nome que volta e meia vem a minha cabeça e me faz perceber que eu nunca, never, nigdy, أبدا , jamais vou entender o que aconteceu, o motivo, o porquê... Tem que haver uma explicação!
 
 Campeonato carioca: 2007, 2008, 2009, Taça Guanabara: 2007, 2008, Taça Rio: 2009, Campeonato Brasileiro: 2009
Melhor goleiro do campeonato carioca: 2007, 2008, 2009, 3º Melhor goleiro do campeonato Brasileiro: 2006, 2009.
Um atleta sem igual, goleiro artilheiro, defensor de pênaltis, no auge da carreira, no maior clube brasileiro, ídolo da torcida, negociado à preço de ouro com times europeus, o que faltava na vida desse homem?


   

 
Eu realmente nunca vou entender, sabe a dor de pegar aquele manto surradinho de 2008 com o número 1 e o nome BRUNO nas costas? Eu sinto, como uma facada, mas é impossível me desfazer desse amor, desse fanatismo, que talvez seja por uma época boa ou até mesmo pelo Bruno, que antes de todo esse rebuliço, honrou nosso código de vida: Raça, amor e paixão!
 
Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão por sua participação no sequestro e assassinato de Eliza Samudio.
 
 
Acompanhado as matérias sobre o assunto, lia sempre a frase "O caso do goleiro Bruno é indefensável' e era impossível não lembrar de quando os narradores falavam: "Muito bem batido, indefensável até para o paredão Rubro Negro". Foram meses e meses de investigação, os piores da minha vida e sei que os de muitos Rubros Negros também, a mídia caindo em cima do Flamengo, as piadinhas dos torcedores de times rivais, a dúvida sobre em quem acreditar, o choque, a dor, a revolta, o coração vermelho e preto partido. Era uma mistura de emoções, que feriram e até hoje, 5 anos depois, não cicatrizaram. 
Sei que parece hipócrita e que vão existir mil pessoas no mundo para discordar de cada palavra que vem a seguir, mas eu: sinto saudade, eu morro de saudade, eu o queria de volta, eu o aceitaria de volta. Tenho um amor imenso por todo aquele momento entre 2006 e 2009, os campeonatos cariocas, os pênaltis defendidos em finais, suas cobranças de falta, aquela torcida empolgada, aquela vibração exalada que se sentia a metros de distância, aquele time, o hexa... Uma fase tão boa que ao lembrar, dá vontade chorar de alegria por saber que aconteceu e vai ficar pra sempre na nossa história, e de tristeza, por saber que um dos seus principais personagens tomou um rumo tão diferente do que se era esperado. Esse não é um texto de uma colunista de qualquer blog de futebol, é o desabafo de uma torcedora alucinada e inconformada com uma história de vida, que vive os dois extremos, da revolta e da saudade, e principalmente, de uma  torcedora que sabe que não está sozinha nesse pensamento e quer compartilhar com vocês a dor desse amorDe herói à vilão, Bruno, número 1!

Bárbara Lima