A ELEGÂNCIA SUTIL DE BOBÔ

 

 
 

Feliz foi aquele que pôde ver a sofisticação do craque Bobô, eu não tive essa sorte, mas carrego no peito uma estrela conquistada pelo seu talento em campo junto com seus companheiros. Ele foi um grande ídolo para o Bahia e deixou sua marca por onde passou. Menino hábil que teve momentos incríveis e complicados eternizado em sua carreira.

Raimundo Nonato Tavares da Silva, nasceu em Senhor do Bonfim no estado da Bahia, no ano de 1962. Mais conhecido como Bobô apelido criado pela sua irmã pois tinha dificuldade de chamar seu nome, foi um craque em vários clubes brasileiros e viveu momentos inesquecíveis no Esporte Clube Bahia.

 

O COMEÇO

 

O menino era talentoso, seu apelido chamava atenção e o que ele fazia com a bola nos pés, também! Sua fama já corria pelas cidades mais próximas, o técnico de juniores da Catuense assistiu uma partida dele quando jogava pelo Bahia Jovem um time amador e viu uma aptidão naquele moleque magrinho. Em 1981 chegou na Catuense, sua mãe não se agradou da ideia tinha medo pelo filho, mas o menino precisava mostrar ao mundo o seu dom.

 

Em dois meses o garoto tinha deixado os juniores e conquistado um lugar no elenco principal, era reversa de Dendê mas era grato por isso, porém, nesse mesmo ano viveu uma situação difícil em sua carreira. Bobô rompeu os ligamentos do joelho fez o processo cirúrgico mas sua recuperação não foi nada fácil, o jogador sofreu com inchaços e ficou afastado dos campos por muitos meses, pensou em desistir de seguir seus sonhos, mas persistiu, até que em 1984 ficou melhor e voltou a resplandecer. Nesse mesmo ano Bobô ajudou a Cutuca fazer a melhor campanha no campeonato baiano sendo vice-artilheiro com 18 gols. A partir daquele momento as proposta começaram a aparecer para o craque, foi então que Paulo Maracajá presidente do Bahia contratou o jogador.

 

A BRILHANTE CARREIRA NO ESPORTE CLUBE BAHIA

 

Em 1986 chega ao Esporte Clube Bahia um jogador que foi adorado pela sua torcida e respondia em campo todo esse amor. Neste ano o Bahia foi campeão baiano e fez, até então, sua melhor campanha no brasileirão, que ainda era no estilo do mata-mata. Tudo ia às mil maravilhas até que em 87 ele sofreu de novo com o ligamento ficando sete meses afastado do gramado. Aí você pensa: Acabou? Não, isso só estava começando. Bobô voltou com tudo, recebeu a faixa de capitão e se tornou uma figura importantíssima para o time tricolor.

 

 

Foto: ReproduçãoInternet

 

Em 1988, o esquadrão disputou mais uma vez o campeonato nacional, muitos não acreditavam no clube, impossível o Bahia ser campeão, mas os triunfos apareceram, a elegância e o jeito como Bobô tratava a bola deram esperanças a torcida, o time era bom, contava com jogadores como Charles, Zé Carlos, Zanata entre outros. O Bahia venceu Corinthians, Palmeiras, Internacional , Cruzeiro, Santos e São Paulo, na fase de mata-mata, eliminou o Sport, chegou a semifinal contra o Fluminense dois jogos difíceis, primeira partida empate e muitos gols perdidos mas no segundo duelo Bobô definiu o jogo e o esquadrão chegou às finais.

 

Jogando contra o internacional na Arena Fonte nova, o craque, marcou os dois gols mais importantes na sua carreira pelo tricolor, final de jogo 2X1, e no Beira Rio diante de 80 mil pessoas o empate deu ao tricolor baiano o titulo. Foi eleito melhor jogador do campeonato, para a torcida foi um ídolo, na verdade ainda é.

 

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BOBÔ PELOS CLUBES DO BRASIL

 

Depois de ser campeão pelo Bahia o jogador sofreu novamente com contusões e por isso não jogou na seleção. Em 1989 ele chegou para jogar pelo tricolor paulista, seu nome estava muito requisitado sendo o jogador mais caro do país na época. Ajudou o São Paulo ser campeão estadual e conquistar o vice-campeonato brasileiro. Ainda em 89 foi titular pela seleção jogando dois amistosos os dois contra o peru. Logo depois nos anos 90 foi emprestado para o Flamengo onde passou 6 meses e conquistou a Copa do Brasil.

 

Foto: Flapédia

 

Depois do rubro-negro carioca Bobô chegou no fluminense, seu pai estava realizado em ver seu filho jogando em seu clube de coração. No flu o atleta teve uma passagem muito gloriosa, venceu a Taça Guanabara, foi terceiro colocado no brasileiro e vice-campeão na Copa do Brasil. Ao sair do time carioca foi para o Corinthians em 1993 onde teve uma rápida passagem e balançou as redes 16 vezes. Ainda em 93 passou pelo inter a pedido do técnico falcão, mas não teve grande conquistas.

 

Depois disso em 94 Bobô ficou uma temporada sem entrar nos campos pois brigava judicialmente com o Corinthians. Em 1995 voltou para o clube onde iniciou a carreira Catuense e logo após encerrou a carreira em 1997 no Bahia time que o consagrou como craque.

 

VIROU MÚSICA

 

"Quem não amou a elegância sutil de Bobô". Esse é um refrão de uma linda música escrita pelo também baiano Caetano Veloso, o artista conseguiu em poucas palavras mostras marcantes características do jogador. Essa música ficou mais conhecida na bela voz de Maria Bethânia.

 

NOVO COMEÇO

 

Ao deixar de ser jogador futebol, Bobô trabalhou no Bahia novamente, mais precisamente em 2004 como técnico profissional do tricolor baiano. Anos mais tarde em 2007 assumiu o cargo de diretor geral da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb).  O ex-futebolista virou comentarista de futebol e ainda é muito amado pela torcida do Bahia.

 

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O QUE BOBÔ REPRESENTA PARA ESSA NOVA GERAÇÃO DE TRICOLORES?

 

A geração mais jovem não viu o Bahia ser campeão em 88, nem pode ter o prazer de assistir a elegância do jogador em campo. Mas então, porque ele é nosso ídolo? Porque a minha geração sabe da importância desse atleta para o clube, não vimos, mas sentimos todos os dias quando dizemos que 88 é nosso, levamos no coração o agradecimento eterno pela sua luta a dos seus companheiros para conquista de um campeonato tão importante para o Bahia, gratidão é esse o meu sentimento e de outros milhares de jovens torcedores do Esporte Clube Bahia. OBRIGADA BOBÔ!

 

Por Milena Monteiro.