A EMOCIONANTE SEMIFINAL DA LIBERTADORES DE 2000: SÃO MARCOS E SEUS MILAGRES

Ontem, 06/06/2020, completaram-se 20 anos do duelo entre Palmeiras e Corinthians pela semifinal da Libertadores. No jogo de ida, o Verdão havia perdido por 4 a 3, então vencer era mais que obrigação. Mas aquele elenco sabia muito bem disso, e não decepcionou.

 

Comandado por Luiz Felipe Scolari, o Palmeiras tinha um time que até hoje deixa saudades. A partida realizada no Morumbi, contou com um público de aproximadamente 70 mil pessoas. Era um dos dérbis (se não o mais) esperado da história. O clima era de competitividade e também de hostilidade. Não era só mais um clássico, era uma passagem para a final do torneio mais cobiçado das Américas. O Verdão era o recém campeão da competição, enquanto o rival, não tinha nenhum título. Era tudo ou nada, jogo de vida ou morte.

 

Alex foi um dos autores dos gols da vitória alviverde. Foto: Divulgação/Terra

 

Tivemos uma partida digna do tamanho da rivalidade do dérbi do paulista, esse que é um dos maiores clássicos do Brasil. Na minha opinião, o maior, mas vocês não estão preparados para essa conversa.

 

Era a primeira vez que o Palmeiras enfrentava o rival em uma semifinal de Libertadores. E como era de se esperar, a partida foi acirrada, com belas jogadas, dribles, muitas faltas e muitos cartões.  Naquela época, o clima do dérbi era de guerra também dentro do gramado, a rivalidade era levada a sério. O estádio estava lotado, a torcida alviverde cantava e vibrava como nunca (ou como sempre). Foi um show verde e branco dentro e fora de campo. 

 

Mesmo estando em desvantagem no placar geral, o Palmeiras mostrou que é um time de luta e não se intimidou, levou a partida para os pênaltis após vencer por 3 a 2, um incrível 6 a 6 no placar agregado. O Verdão abriu o marcador com Euller, mas antes do fim da primeira etapa vimos os rivais empatarem. Logo no início do segundo tempo, levamos a virada, mas o time alviverde não se abalou e seguiu na briga, até empatar novamente com gol de Alex. Aos 26 minutos veio o gol salvador, marcado por Galeano. O Palmeiras estava mais vivo do que nunca, e o jogo seria decidido nas penalidades.

Galeão marcou o gol que levou o Verdão à disputa de pênaltis. Foto: Acervo Histórico/Gazeta Press 

 

Assim como havia sido a partida, as cobranças de pênalti também foram bem disputadas. Marcelo Ramos, Roque Júnior, Alex e Asprilla converteram a favor do Palmeiras, porém o rival também converteu suas cobranças. Edu, que marcou na última batida pelo adversário, provocou Argel, que foi tirar satisfação, incendiando ainda mais a disputa e o clima, que já estava mais do que quente. Júnior fez a última cobrança pelo Verdão com maestria, botando o time alviverde na frente outra vez. Com Marcos no gol, era hora do rival fazer sua última cobrança.  O arqueiro alviverde ficou gigante embaixo daquelas traves e acertou o canto da batida, fazendo uma de suas mais importantes defesas, um dos vários milagres de São Marcos.

Até hoje os rivais choram dizendo que ele se adiantou, mas vale lembrar que a época, o goleiro não precisava ficar em cima da linha.

Marcos defendeu a cobrança de Marcelinho Carioca e garantiu ao Verdão a vaga na final. Foto: Evelson de Freitas/Folhapress

 

A torcida palmeirense explodiu em festa no Morumbi e pintou o estádio de verde e branco. Colocamos o rival novamente na fila de espera pelo título da Libertadores. Eliminá-los mais uma vez na competição trouxe ainda mais glória ao Palmeiras na história do dérbi. Um clássico repleto de ingredientes que o tornaram inesquecível. Uma noite épica, um jogo para a eternidade. 


 

FICHA TÉCNICA 

 

Copa Libertadores

Palmeiras 3 (5) x (4) 2 Corinthians

Fase: Semifinal (jogo da volta)

Data: 06/06/2000

Estádio: Morumbi, em São Paulo

Árbitro: Edílson Pereira de Carvalho (SP)

 

Palmeiras: Marcos; Rogério, Argel, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio (Tiago), Galeano e Alex; Pena (Luiz Cláudio), Marcelo Ramos e Euller (Asprilla). 

Técnico: Luiz Felipe Scolari

 

Gols: Euller aos 34 e Luizão aos 39 do 1° tempo; Luizão aos 7, Alex aos 14 e Galeano aos 26 do 2° tempo

Gols nos pênaltis: Marcelo Ramos, Roque Júnior, Alex, Asprilla e Júnior pelo Palmeiras; Ricardinho, Fábio Luciano, Edu e Índio pelo Corinthians – Marcos defendeu a cobrança de Marcelinho Carioca

 

"A Taça Libertadores é obsessão, tem que jogar com a alma e o coração"

 

Por Vânia Souza 

 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna, não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo.