A esperança é verde. O amor e a solidariedade também.

Há uma semana, a cor que predominava no Brasil era o verde devido à conquista do Palmeiras. Coincidência ou não, no jogo do título do time paulista estava outro time verde, a Chapecoense, que mirava a América. Além dos treinos, ótimo elenco e futebol apresentados, a equipe do sul catarinense tinha outra estratégia: unir as torcidas do Brasil em torno para dar uma “forcinha” à equipe diante do poderoso Atlético Nacional. A Chapecoense seria o Brasil na Sul Americana. Confesso que quando li a notícia, pensei “quem não vai torcer para a Chape? Todos vão! Torceram muito por eles contra o San Lorenzo. Vão apoiar agora que estão na final também”.

 

(Imagem: Reprodução/Internet)

 

Infelizmente, a torcida que seria para que o time de Chapecó marcasse gols, ou para que Danilo continuasse operando milagres embaixo da trave e finalmente para que Cléber Santana pudesse levantar a taça contra os colombianos, foi canalizada para outros motivos: Primeiro para que houvesse sobreviventes, depois para que os sobreviventes se recuperassem e para que as famílias daqueles que partiram fossem confortadas em meio a tanta dor. Rapidamente o Brasil se uniu para torcer pela Chape.

A tragédia coloriu o mundo com um melancólico tom de verde. A cor foi usada por equipes que homenageavam o time que, até então, era desconhecido por muitos. O verde foi sinônimo de dor, mas ao mesmo tempo de respeito aos heróis que perderam a vida em busca de um sonho. Verde também era a cor do adversário da Chapecoense, mas o Atlético Nacional de Medellín, conseguiu mostrar que o seu verde também significava solidariedade. Os “verdolagas”, assim como toda a Colômbia, abraçaram a dor dos brasileiros de tal forma que a transformaram na dor deles. Os cânticos da torcida, a linda homenagem no Atanásio Giradort, na quarta-feira; cada lágrima, abraço, palavra de apoio, flores e aplausos, buscava acalentar a alma dos torcedores da Chape em um momento tão difícil. Taxistas não cobraram corrida dos jornalistas que cobriam as notícias em Medellín, colombianos faziam vigílias. O Atlético, em uma atitude grandiosa abriu mão do título para concedê-lo à Chape. O Santa Fé, também da Colômbia, entregou a taça que conquistou na última edição da competição continental. Gestos nobres que fizeram reacender a esperança na humanidade. Por um momento, o verde tão odiado por alguns torcedores, foi esquecido. A rivalidade foi vencida pela união. A Chapecoense, enfim, conseguiu o seu objetivo: uniu não só o Brasil, mas o mundo. Fez com que torcidas rivais pudessem estar lado a lado sem violência, fez com que a paz e o respeito, às vezes tão esquecidos no futebol, pudessem voltar aos gramados do mundo. A Chapecoense queria conquistar o continente, mas a conquista dos heróis de Chapecó, atingiu escalas mundiais.

Tradicionalmente o verde é a cor da esperança, aquela que, segundo dizem, é a última que morre. E a esperança e o espírito guerreiro da cidade de Chapecó - que abraçou e ajudou na ascensão tão rápida do clube fundado em 1973 e que em seis anos saiu da série D para ser um time temido na série A - não irão morrer. A Chapecoense não vai acabar, o espírito do índio Condá, mascote da equipe, não vai se desvanecer. A dor vivida pela cidade se une à esperança de renascimento, de se levantar das cinzas para ser novamente o que a Chape é para o futebol brasileiro. Não será a mesma coisa sem os que se foram, mas promete honrar o trabalho árduo daqueles que transformaram a Chapecoense na “Chapeterror”, que aprontou das suas contra times grandes. Reeguer a Chapecoense é uma questão de mostrar a gratidão por tudo que já foi feito e conquistado.

Por Camila Leonel