A GENIALIDADE INIGUALÁVEL DO MESTRE DICÁ!

 

 

Com 22 anos no título de 1969, Dicá é o maior artilheiro e grande ídolo da história da Ponte

Foto: Arquivo Ponte Preta

 

Convidada a escrever sobre um jogador da Ponte Preta, time pelo qual nutro imensa afeição, que celebra seus 72 anos nesta data querida, aceitei a tarefa com apreço. Imediatamente decidi me deleitar com a escrita de uma crônica, as amo principalmente quando o viés é meu idolatrado futebol. 

Primeiro passo: apuração. Fui buscar informações sobre Mestre Dicá e ao deparar-me com sua representatividade para a torcida da Macaca querida e me ver diante de um jogador que amou à camisa com tanta candura, a paixão foi inevitável. Para completar, ele fez dobradinha com um dos melhores meio-campistas que já atuaram pelo meu Fluminense, Manfrini. Um breve adendo, em 1973, à época a defender o Tricolor, ele foi artilheiro do Carioca com 13 gols.

Meus olhinhos brilharam de alegria ao recordar que meu Manfrini iniciou sua carreira justamente na Ponte Preta, em 1967 e defendeu até 1972. Neste período, os dois viveram muitos momentos especiais na Macaca e atazanaram a vida dos rivais pela incrível qualidade técnica e o talento nato e indiscutível. 

Eles levantavam a torcida nas arquibancadas, arrancando sorrisos fartos de marmanjos inebriados por seus dribles e jogadas ofensivas. Quando o assunto era cobrança de falta, aí a galera enlouquecia e explicarei o motivo da euforia. 

Sorte dos que tiveram a chance de vê-lo treinar batidas de falta que beiravam a perfeição, sem beirar o exagero. Antes de iniciar os trabalhos, o jogador posicionava argolas de borracha em ângulos escolhidos com precisão, e que serviam como referência. Ele tinha um jeito peculiar e a bola o amava, pois raras foram as vezes que, caprichosa ela esquivou-se, e não estufou as redes adversárias. Com isso, a equação futebolística com Dicá era simples: uma falta para cobrar = um gol no placar.

Eis que o ano de 1969 reservaria grata surpresa durante a participação da equipe no Campeonato Paulista da Primeira Divisão, chamado de Divisão Especial. Com um time magnífico formado por: Wilson, Nelson, Araújo, e Santos; Teodoro, Roberto Pinto e Dicá; Manfrini, Djair (Allan) e Adilson, a Macaca fez campanha perfeita com 13 vitórias, um empate e uma derrota em 15 dos duelos disputados.  

O time campineiro venceu por seis vezes consecutivas e, geralmente a tática começava com Dicá infiltrado nos flancos laterais, pela esquerda, com total liberdade, pois não houve zagueiro capaz de travá-lo. Depois de passear pelo campo, encontrava Manfrini que, com efetividade, fazia as jogadas de transição com o ataque. 

 

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O elenco campeão em 1969: Em pé: Teodoro, Wilson Quiqueto, Samuel, Henrique, Nelsinho Baptista e Santos. Agachados: Alan, Dicá, Manfrini, Roberto Pinto e Ézio - Foto de Arquivo Ponte Preta

Diante daquele maravilhoso futebol apresentado, os torcedores apostaram todas as suas fichas num possível título e deixou o sonho tomar conta. O elenco ganhou o apelido carinhoso de “Expresso da Vitória”, pelos seus 85% de aproveitamento durante o torneio. O campeão garantiria vaga na elite paulista no ano seguinte e a Macaca estava fora dela por longos oito anos. 

No dia 31 de outubro de 1969 ocorreu o último desafio, o obstáculo final a separar o elenco de seu principal objetivo, o de levantar a taça. Futebol é caixinha de surpresas e todo o poderio da Macaca foi surpreendido pelo modesto elenco da Francana que venceu a partida por 3, gols de Elias, Carlos e Paulo Leão, a 1, tento de Djair. 

Ponte Preta sagrou-se campeã e o melhor jogador do clube, além de maior artilheiro de sua história, com 154 gols, tinha 22 anos e usou a emblemática camisa alvinegra de faixa transversal. 

Em entrevista ao Globo Esporte, o jogador falou sobre a conquista e, claro, aproveitou a ocasião para alfinetar o maior rival centenário, aquele que usa a camisa verde.  

“Aquele título deu início à uma nova era da Ponte Preta, que a partir dali se tornou reconhecido no Estado e, depois nacionalmente. Aliás, é um título que, pelo que me lembre, o Guarani não tem”, declarou zombeteiro. 

 

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Foto: Reprodução da Internet

 

Em 1970, a Ponte Preta continuou embalada e chegou até a final do Paulistão, em sua primeira participação, encerrando a competição como vice-campeã, atrás apenas do São Paulo. Uma grande campanha para um clube enorme que colaborou efetivamente para abrir as portas a outros times do interior. Cumpriu-se a “profecia” do Mestre Dicá. 

Que todos os pontepretanos de alma e coração façam uma corrente de amor e agradeçam aos céus pelo maior presente que o clube recebeu ao longo de sua trajetória. Em sua página do FaceBook, a Ponte Preta publicou:

“O aniversariante do dia é mais que especial, nação pontepretana. Marcou a nossa história e reviver tudo o que ele fez por nós é um presente! Feliz aniversário, Mestre Dicá! #SomosPontePreta

Encerro carinhosa crônica com um sentimento de dever cumprido com minhas parceiras de Blog e, acima de tudo irmãs que o futebol me ofertou. Gratidão pela confiança Li Zanqueta e Anna Letícia Beck. Bom ter a certeza de que uma não solta a mão da outra. Em nome do querido e admirável Manfrini, que brilhou e honrou com fidalguia a camisa alvinegra, da Ponte Preta, e a verde, branca e grená do meu amado Fluminense, deixo um abraço afetuoso ao grande amigo.

 

OBS: Pontepretano do meu coração, Célio Zanqueta fui aprovada? Meu carinho de sempre. 

 

Anna Letícia Beck

Carla Andrade 

Li Zanqueta