A maestria pede passagem!

 

O mundo se rendeu as magnificas jogadas do menino, e o Brasil até hoje não produziu um driblador a altura de R10

 

Há mais de dez anos, o Santiago Bernabéu seria palco de  uma  das mais belas cenas, que o futebol pode proporcionar aos olhos de um torcedor. Algo que superou os gramados e ecoou pela arquibancada merengue, onde todos de pé reverenciavam a maestria de um dos maiores camisas 10 do mundo.

Era um desfile de craques no gramado, Zidane, Eto’o, Deco, Ronaldo, Roberto Carlos e a joia Leonel Messi. Mas Ronaldinho Gaúcho, reinou e ao arrancar do centro do meio de campo, passar por dois marcadores e estufar as redes do atônito Casillas, as câmeras passaram a rodear o estádio, mostrando torcedor por torcedor do Real, se levantando, deixando de vaiar o time e aplaudindo o maior rival!

Foi uma partida antológica, marcada na história do futebol mundial, como o dia que  Ronaldinho se igualou a Maradona e curvou os madridistas.

 

foto: retirada de https://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/espanhol/ultimas-noticias/2009/11/27/top-5---classicos-entre-real-madrid-x-barcelona-desde-2000.jhtm


 

O sangue nunca negou o futebol

 

Ronaldo de Assis Moreira, nasceu em 21 de março de 1980 em uma família boleira e sempre respirou os ares do Grêmio Football Porto-Alegrense, onde seu pai trabalhava e seu irmão Assis, despontou para o futebol. O menino, ainda franzino impressionava a qualquer um pela genialidade na hora de driblar e superar os marcadores.

 

"Eu adoro driblar. Aprendi na minha casa, quando jogava entre os móveis e as cadeiras, ou no jardim, com o meu cachorro. Esse era o meu lazer" disse o jogador em entrevista.

 

Assis e a jovem promessa, Ronaldo a quem tanto confiava o sucesso.

Foto: retirada de portal golpel pinduca scheffer


 

Na base gremista desde os 7 anos, Ronaldinho e clã Moreira tiveram de superar a perda do patriarca, João Moreira em 1988 e o irmão, passou a figurar como pai do caçula. Assis, apostava tanto no irmão que dizia que o guri seria melhor jogador que o mesmo, e a carreira ascendente do jovem, mostrou que a aposta valeu a pena.

Unanimidade na base e ganhador de títulos, Ronaldo disputou o mundial Sub-17 com a seleção em 1997, sendo eleito o melhor jogador da competição e despertando o interesse europeu. O Grêmio recusava propostas astronômicas pelas joia e após um jogo contra a Venezuela pela Copa América, onde o jovem se afirmou como craque com um golaço com direito a lençol no zagueiro, a maior proposta chegou. Incríveis 75 milhões oferecidos pelo Leeds United, da Inglaterra.

A partida era inevitável e em 2001, R10 se despediu de Porto Alegre e desembarcou em Paris, onde atuaria pelo PSG. Na decisão, pesou a família:

 

“Deixaria até o futebol pela família. Daria tudo por eles. Daria a minha vida. E se tivesse que deixar o futebol por algum deles faria agora mesmo. Cheguei até aqui hoje por tudo que a minha família fez por mim" - Ronaldinho Gaúcho.


 

Dribles entre a camisa canarinho e a camisa azul-grená

 

R10, viveu uma fase conturbada no PSG, por ter problemas com o ex clube, tendo de ficar 6 meses sem jogar, até que Felipão surgiu e o convocou para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2002.

A última Seleção que encheu os olhos do torcedor brasileiro, contava com um trio mágico e que impunha respeito aos adversários: Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. O futebol bonito e ousado, resultou no pentacampeonato ao Brasil, e na contratação de Ronaldinho, pelo Barcelona.

 

Foto: extraoglobo

 

Era a dupla perfeita! O craque iria realizar o sonho de milhares de garotos e o Barcelona, conheceria um de seus maiores ídolos.

O Barça não passava por boa fase, e Ronaldinho comandou o renascimento do clube catalão. Sobe o comando do treinador Frank Rijkaard, o clube que não ganhava uma taça desde a temporada 98\99, passou a encantar o mundo da bola.


 

O Mundo reverencia a genialidade de R10

 

Com o futebol alegre e irreverente, a primeira temporada de Ronaldinho no Barça, marcou uma transição no clube. De uma campanha desastrosa ao vice campeonato Espanhol da temporada 2003\2004.

As atuações de R10 no Camp Nou eram verdadeiros shows de dribles e de jogadas inimagináveis. O Barça sagrou-se campeão Espanhol, logo na temporada seguinte, deixando a sombra dos galácticos do Real Madrid no passado.

 

Foto: Miguel Ruiz-FCB


 

O sorriso que nunca saiu do rosto de Ronaldo, passava a estampar facilmente o rosto do torcedor catalão, que já via o reinado do meia e o surgimento do que seria o futuro, na figura de Leonel Messi.

Na Champions League, mesmo eliminado pelo Chelsea nas oitavas de final, Ronaldinho deixou sua marca na partida. Cercado por marcadores, ele fez o improvável! Na meia-lua da área de Peter Cech, Ronaldo bateu com a parte interna do pé, e o goleiro nada pode fazer, enquanto os torcedores  esperançosos ovacionavam o camisa 10.

 

Foto:FourFourTwo


 

Assim R10, ganhava sua primeira Bola de Ouro e na temporada seguinte, veio a vingança diante do Chelsea, na Champions. Era o auge de Ronaldo, que faturou sua segunda Bola de Ouro, outro titulo Espanhol e da Super Copa da Espanha, além de ter o feito épico do “Él classico” contra o Real Madrid, que abriu este texto.

Com o fiasco do Brasil na Copa de 2006, onde o peso de levar o país pesava sob o meia e a perda do Mundial de Clubes para o Inter, Ronaldo se transferiu para o Milan em 2008. Ele já estava eternizado!

 

Quando escuto o nome Barça me vem logo um sorriso de alegria e felicidade incontrolável: meu momento mágico. Tudo aconteceu de uma maneira tão perfeita que só posso agradecer este grande clube por cada segundo ali vivido. disse R10 ao site oficial do Barcelona


 

O Retorno ao Camp Nou

 

No Milan, Ronaldo vestia a camisa 80, já que a 10 era de Seedorf. Anotou seu primeiro gol contra a Internazionale, de cabeça após cruzamento de Kaká.

Em 2010, o craque voltou ao palco de tantas glórias com a camisa azul-grená, desta vez como adversário. O que ele não poderia imaginar, era a recepção da torcida. Com lances seus sendo exibidos no telão do estádio, na hora da foto principal, seu ex companheiro de clube Puyol, o convidou para integrar o elenco do Barça.

 

Foto: EFE-Veja

 

Na disputa do Troféu Joan Gamper, o que menos importava era a atuação de Ronaldinho, que o tempo todo era ovacionado pela torcida que  reconhecia a importância do jogador. O Barça venceu por 3x1, e ao final da partida o capitão Puyol, ergueu a taça e entregou a R10, demonstrando o respeito que o Barcelona tem pelo craque.


 

A volta ao Brasil

 

Insatisfeito com o Milan e sonhando com a Copa de 2014, Ronaldinho retornou ao Brasil e foi jogar no Flamengo, onde foi campeão Carioca em 2011. No clube, protagonizou uma das melhores partidas do futebol brasileiro, diante do Santos na Vila Belmiro.

Com seu primeiro hat-trick no rubro negro, R10 levou o time a virada, sobre o Santos de Neymar.

O craque ainda atuou pelo Atlético Mineiro, onde brilhou na conquista do inédito titulo da Libertadores e pelo Fluminense e Querétaro, onde passou apagado.

 

foto: portal25horas

 

Toda uma geração se rendeu e elegeu Ronaldinho como o maior driblador do planeta. A genialidade e irreverencia, do garoto sempre serão lembradas e contadas a todos que perguntem, sobre um tal camisa 10 do Barça. Hoje, o futuro dele é incerto e fica aquele saudosismo de vê-lo em campo, transformando o impossível em realidade.

Na escassez de ídolos e de gênios no futebol brasileiro, admirar os lances que um dia encantaram os gramados é o que nos resta e a forma justa de demonstrar o lugar de ídolo que é dele por direito. A final de contas, quem nunca sonhou em ter o talento de R10?


por Mariana Alves