A mudança de postura com a implantação da ideologia de Falcão

Paulo Roberto Falcão:ex-futebolistacomentarista esportivojornalistatécnico brasileiro, conhecido como “O Rei de Roma”.

Em setembro de 2015, foi anunciado como treinador do Sport Club do Recife, substituindo o Eduardo Baptista, dono de uma passagem vitoriosa pelo clube, assumindo a missão de dar continuidade ao projeto de longo prazo da diretoria e de fazer alguns jogadores contratados como promessas se tornarem protagonistas.

A escolha surpreendeu a todos, o perfil dele era muito diferente dos perfis traçados pela diretoria e ninguém entendeu quais foram os critérios usados para contratação e só restava esperar para ver.

O primeiro desafio do técnico foi trazer de volta motivação para o time, que estava bastante desligado, quando fazia um gol relaxava e quando tomava gol se abatia. A novela sempre se repetia e o time precisava voltar a ter uma sequência de vitórias para resgatar a confiança e ir em busca de um novo objetivo.

Se no começo do campeonato a sequência sem derrotas tinha feito os rubro-negros sonharem com vaga na Libertadores, naquele momento, com os problemas emocionais e técnicos, as mudanças precisavam ser feitas para fugir do rebaixamento.

O time precisava dar a volta por cima e as mudanças surgiram no primeiro contato com a equipe: treinamento fechado e muita conversa, seguido por atividades que melhorassem o condicionamento físico dos atletas, e nada de rachão como era comum ser visto na maioria dos dias de treino no ct, por causa do tempo escasso não houve mudanças na estrutura do time, houve somente pedidos por ofensividade.

Nos dois primeiros jogos o Sport mostrou perfis diferentes, no primeiro jogo contra o Huracáno time foi mais próximo do que o técnico pediu, trocou bastantes passes, mostrou uma distribuição equilibrada entre setor defensivo e ofensivo e evitou a bola longa, mas ficou no 1×1. No segundo, contra a Chapecoense foi menos posse de bola, muito erro de passe e muitos lançamentos e cruzamentos e em dois deles saíram dois dos três gols que garantiram os 3×0.

No terceiro jogo, o Sport foi humilhado pelo Hurancán na Argentina, o time entrou em campo precisando de gols, mas no primeiro tempo predominou a postura pouco ofensiva, com algumas jogadas ofensivas de Marlone e Durval. No segundo tempo, a defesa foi sufocada, deu espaço para contra-ataques e a equipe foi derrotada por 3x0 e eliminada nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Só restou a série A.

Parecia que o Sport não tinha mais como evoluir, as conversas não surtiam efeito, a defesa falhava, um meio de campo sem organização, um ataque desinteressado. Um time esgotado.

Sem tempo para treinar, o Sport entrou em campo contra o Internacional, no Beira-Rio mantendo a postura de um time sem ambição. No primeiro tempo o Sport estava meio atrapalhado, mas conseguiu equilibrar a partida, marcou bem o adversário, mas parecia não acreditar muito nas suas jogadas.

No segundo tempo, tomou um gol, os jogares reclamaram tanto que pareciam haver esquecido o verdadeiro propósito de estarem ali. Em um contra-ataque, Élber conseguiu empatar e voltou aquele velho filme, o time recuou, afrouxou a marcação, não valorizou a posse de bola e parou de buscar o ataque. Diego Souza que fazia uma de suas melhores partidas no ano foi expulso por uma lambança: acertou o adversário quando a bola já estava fora de campo. O jogo terminou 2x1 para o Inter. A derrota fora de casa já estava se tornando tão comum que nem foi lamentada.

A equipe agora teria uma pausa de 11 dias no calendário de jogos para voltar todas suas atenções na busca por uma sequência de vitorias, seria tempo suficiente para treinamentos, conversas e regeneração do time para um possível recomeço no campeonato nacional.

Nesse período, a mudança do espirito mostrada pelo grupo foi notada rapidamente, os problemas estavam sendo detectados e o do nível de treinamento foi aumentado, isso precisava ser refletido no nível de atitude mostrado dentro de campo, a próxima partida seria crucial para a equipe. O Sport entraria em campo com a “Cara de Falcão”.

O técnico fez valer os treinos secretos que comandou, time entrou em campo contra o Avaí com algumas mudanças que fez o elenco ter uma nova atitude dentro de campo. O Sport teve iniciativa no jogo, se movimentou bem e construiu a vitória por 3x0. Venceu apresentando um bom volume de jogo e sabendo aproveitar a falta de atitude do adversário. Continuou invicto na Ilha do Retiro e reconquistou a confiança e a torcida.

O próximo adversário seria o melhor visitante do campeonato, o vice-líder Atlético Mineiro, e só a vitória interessava aos dois times, ao galo para continuar na luta pelo titulo, e ao leão para resgatar o sonho de uma vaga na libertadores. E o Sport foi avassalador, com atuação impecável goleou o atlético por 4 x 1. A intensidadade e a forte marcação do time deixou o técnico Falcão bastante satisfeito e o sonho do G4 vivo.

Dois jogos na Ilha do Retiro, duas vitórias. Foram sete gols marcados e apenas um sofrido. Comprovando que o período de treinamento fez bem ao time, serviu para motivar o grupo, não houve tanta evolução técnica, mas motivacional. O Leão voltou a ser uma equipe equilibrada do início do Brasileirão. Mantendo a postura de querer jogo, tocando bem a bola e esperando o momento certo de atacar.

A próxima decisão seria contra o Palmeiras, e o pesadelo e a desconfiança de jogar fora de casa voltou a assombrar. Mas o que chamou a atenção de todos foi a intensidade mostrada pelo Sport nos 90 minutos de jogo, começando pela postura da equipe, tomou a iniciativa e não se intimidou e acabou o jogo com 2x0 com mais uma atuação impecável, destaque para o goleiro Danilo Fernandes que vem chamando a atenção de todos. Três vitorias consecutivas. Nove gols marcados, um gol sofrido.

Falcão pelo Sport:7 jogos, 4 vitorias, 1 empate, 2 derrotas. 14 gols pró, 5 gols contra.

49 pontos

Há 1 ponto do G4.

Nunca duvide do Sport (E de seu treinador)

                                                                             Beatriz Cunha