A NOITE EM QUE O BRASIL PERDEU PARA SI MESMO

Ainda não foi desta vez que o Brasil sentiu o gostinho de uma vitória fora de casa. Jogando contra o Coritiba em partida válida pela quinta rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, o Xavante saiu do Couto Pereira derrotado pelo placar de 1x0 na noite desta terça-feira (08). O rubro-negro bem que tentou, mas pecou muito pelas falhas individuais e segue com um aproveitamento negativo longe do Bento Freitas.

 

(Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)

 

O Brasil entrou em campo com novidades. Tiago Cametá fez sua estreia na lateral e com isso, Sciola foi para o meio de campo com a intenção de fortalecer esse setor. E de fato isso aconteceu. Mesmo que se mostrasse mais tímido dentro de campo como qualquer equipe visitante, o rubro-negro mostrou uma consistente organização e logo aos dois minutos a bola ia sobrar pra Michel dentro da área mas o goleiro Wilson se adiantou.

Porém, pouco tempo depois, um problema na defesa rubro-negra ficou muito evidente: a marcação. Vamos lembrar muito dela porque foi uma pedra no sapato da equipe gaúcha na noite desta terça. Aos seis minutos, o Coxa ergueu a bola na área em uma cobrança de falta e Pablo ficou livre, leve e solto. Só não fez o gol porque não conseguiu dominar e cabeceou muito mal. Era só o começo de uma dor de cabeça daquelas.

Ainda assim, a parte ofensiva estava ajeitadinha. Em diversos momentos, o Brasil mostrou uma troca de passes no meio de campo de dar gosto de ver. Mas quando se tratava de avançar da intermediária e chegar ao gol adversário, o panorama era outro. O rubro-negro não conseguia infiltrar a marcação adversária e basicamente apostou todas as suas fichas nos contra-ataques.

Enquanto isso, o time da casa assustava. Aos dezessete, Bruno Moraes chutou de fora da área e a bola quicou deixando Pitol sem reação nenhuma, mas felizmente saiu para fora. Por volta dos vinte e três, Artur chutou o gramado em um ataque do Brasil (válido ressaltar a atuação lamentável do atleta na partida toda) e a resposta paranaense veio logo em seguida, com um desvio que obrigou Pitol a se esforçar.

 

(Foto: Jonathan Silva)

 

Teve até drible do Rafael Vitor, cujo desempenho é extremamente duvidoso, antes do primeiro tempo acabar mas foi com o placar zerado mesmo que a etapa complementar teve seu fim. Os primeiros quarenta e cinco minutos foram de um jogo relativamente equilibrado, truncado, mas com o Coritiba sendo mais ofensivo e o Brasil apostando muito em contra-ataque.

O segundo tempo foi de pressão do time da casa em sua maior parte. Pitol trabalhou muito e podemos dizer que se não fosse por ele, teria sido bem pior. Mas sem delongas, vamos falar de como se originou o gol da derrota rubro-negra e para isso precisamos voltar a falar da marcação. E que marcação horrorosa. Em um escanteio curto, Artur falhou e a bola sobrou para Yan Sasse SOZINHO colocar para dentro do gol, abrindo o marcador a favor da equipe do Coritiba aos onze minutos.

Depois disso, tudo parecia somente dar errado para o lado Xavante. Sciola isolou um chute dentro da área. Numa atrapalhação da defesa adversária, Michel ficou com a bola aos quinze minutos e chegou a driblar o goleiro, mas deixou o zagueiro cortar e perdeu a chance. Itaqui foi cobrar falta e mandou muito mas MUITO longe. Quem era esse e o que ele fez com o Itaqui? Só queria saber.

Clemer mexeu no time. Colocou Kaio Nunes, Luiz Eduardo e Léo Bahia. Mas faltava acertar algum último detalhe, calibrar aquele passe final, dar uma vida ao time apático dentro de campo. O Brasil tomou um sufoco para matar qualquer torcedor nos minutos finais, até gol anulado para o Coritiba teve. E no fim, nada de a rede balançar a favor do rubro-negro e o tudo o que o time fez foi se defender até o momento do apito final que decretou a derrota.

 

Lamentavelmente, precisamos conversar

Nas duas últimas temporadas na Série B, o aproveitamento do Brasil fora de casa foi de 30%. Só para se ter uma noção, os times que garantem vaga na Série A costumam ter em torno de 42% de aproveitamento jogando longe de seus estádios. Será que vem mais um ano de sofrimento cada vez que formos jogar fora do Bento Freitas?

 

(Foto: Jonathan Silva)

 

O primeiro tempo do time hoje merece meus parabéns. Ao passo que a etapa complementar quase me fez chorar sangue. Eu falei lá atrás e volto a repetir: cadê o Michel goleador do Gauchão? Estou procurando ainda. Só vi um cara brincando de perder gol. E o Artur? Pelo amor de tudo que é sagrado, esse cara não pode ser titular. E se der para levar o Rafael Vitor junto para o banco, não seria ruim não.

O adversário realmente era forte, principalmente diante da sua torcida. Mas acho que na noite desta terça o Brasil perdeu para ele mesmo. Ainda assim, é só o começo do campeonato e ainda dá tempo de trabalhar para modificar essa situação. Talvez seja questão de saber em quem mexer e qual é a hora certa para isso. Os bons resultados fora de casa tem que começar a aparecer. É hora de acordar porque ainda tem muito pela frente e vamos combinar, a peleia é braba.

 

FICHA TÉCNICA DO JOGO

 

Escalações:

Coritiba: Wilson; Leandro Silva; Thalisson Kelven; Alex Alves; Chiquinho; Vitor Carvalho (João Paulo); Júlio Rusch; Jean Carlos (Guilherme Parede); Yan Sasse (Rafhael Lucas); Pablo; Bruno Moraes. Técnico: Eduardo Baptista.

 

Brasil: Marcelo Pitol; Tiago Cametá (Léo Bahia); Rafael Vitor; Heverton; Artur; Leandro Leite; Itaqui; Éder Sciola; Lourency; Wellinton Junior (Kaio); Michel (Luiz Eduardo). Técnico: Clemer.

 

Gol: Yan Sasse (11min) do segundo tempo.

 

Cartões amarelos: João Paulo pelo Coritiba e Rafael Vitor Pelo Brasil.

 

Por Alice Silveira