A partir deste jogo, começamos a reescrever a nossa história

 

Já acompanhei muitos jogos que se tornaram inesquecíveis com o passar dos anos. Poderia escrever sobre o Caxias Campeão de 2000 em cima do Grêmio de Ronaldinho Gaúcho, citar ainda os clássicos Ca-Ju que vivi ou especificar aquele Caxias e Veranópolis em 2014, nas quartas de final do Campeonato Gaúcho. Mas preferi citar um jogo em que tive milhares de reações em questão de segundos. Neste jogo foi comprovado de que para o Caxias tudo é mais difícil.

 

O Caxias jogava a Divisão de Acesso de 2016. Na primeira e segunda fase da competição, o grená se classificou em primeiro lugar do grupo com sobras. Eis que nos deparamos com o quadrangular final. As quatro melhores equipes da competição disputavam apenas uma vaga para o retorno à elite do Campeonato Gaúcho. Era a hora de o Caxias concretizar a boa campanha que havia feito no decorrer da competição. Os adversários na disputa pelo acesso eram Brasil de Farroupilha, Pelotas e União Frederiquense.

 

O primeiro jogo grená do quadrangular era diante do Brasil de Farroupilha, fora de casa. A equipe de Caxias do Sul conseguiu um empate nos minutos finais da partida. Enquanto isso o Pelotas vencia o União Frederiquense fora de casa pelo placar de 1 a 0. O Pelotas assumia a liderança no final da primeira rodada.

 

 

Foto: ogol

 

 

O segundo jogo grená foi diante do seu torcedor. Caxias e União Frederiquense faziam o quinto jogo do ano entre as equipes – isso mesmo, cinco jogos na mesma competição - Um jogo nervoso, onde o Caxias jogou abaixo do esperado, resultando em um empate em 1 a 1 entre as equipes. Pelotas e Brasil de Farroupilha também empatavam na Boca do Lobo, pelo placar de 0 a 0. No final da segunda rodada, o Pelotas se mantinha em primeiro na tabela, agora com uma vantagem de dois pontos sobre o segundo colocado Caxias, o que lhe dava as esperanças do acesso.

 

 

Foto: ogol

 

 

O terceiro jogo grená era diante do Pelotas. O confronto direto entre as equipes aconteceu no Estádio Centenário. Em um jogo nervoso, a equipe de Caxias do Sul venceu pelo placar de 2 a 1. Enquanto isso, na outra partida da competição, União Frederiquense e Brasil de Farroupilha não saíram do 0 a 0. Era a vez de o Caxias assumir a liderança. O que não significava nada – ainda – porque o grená enfrentaria o Pelotas na rodada seguinte, desta vez, fora de casa.

 

 

Foto: ogol

 

 

Eis que agora, começo a contar a história do jogo que vivi um turbilhão de sentimentos em questão de segundos. Foi pela quarta rodada do quadrangular final, no dia 29 de junho de 2016. Desta vez, o Caxias enfrentaria o Pelotas na Boca do Lobo. Era o jogo dos favoritos, quem ganhasse aquela partida provavelmente seria o campeão. Uma vitória deixaria o Caxias muito próximo do acesso, mas um resultado negativo poderia complicar a situação grená.

 

O Pelotas começou a partida pressionando, mas todos os chutes saiam pela linha de fundo ou paravam nas mãos de Marcelo Pitol. Com o passar do tempo, o Caxias equilibrou a disputa e começou a arriscar. A primeira grande chance do grená veio aos 17 minutos da etapa inicial quando Jajá chutou e a bola bateu no travessão. Não demorou muito e o Caxias chegou, desta vez com efetividade. Cleiton cruzou para Jajá matador, que dominou e chutou para o fundo das redes, sem chances para o goleiro do Pelotas. Jajá comemorou com a torcida presente, subiu no alambrado e levou cartão amarelo. Depois dos 38 minutos do primeiro tempo, começou o pesadelo. Jajá tocou a mão na bola e acabou sendo expulso pelo segundo cartão amarelo. Nosso homem gol, matador, mito dos mitos, goleador da competição, dava adeus ao jogo. Mas aos 43, Darlem da equipe pelotense, também foi expulso após fazer falta no jogador grená Juliano Tatto. O primeiro tempo acabou, e restaram dez homens para cada lado!

 

 

Foto: Luis Gustavo Amaral – E.C Pelotas

 

 

Na etapa complementar o Caxias voltou disposto a ampliar. A primeira chance veio com Nicolas, que cabeceou para fora. Aos 8 minutos, foi à vez do Pelotas. Tinga cobrou falta, a bola bateu na trave e no rebote Gustavo Xuxa decretou o empate: Pelotas 1 x 1 Caxias.

 

O que já estava ruim piorou. O jogador grená Cleiton, fez falta em Gasparetto e foi expulso, aos 23 minutos do segundo tempo. O Caxias precisava segurar a equipe de Pelotas por mais 22 minutos, no mínimo. Nesse momento, precisei desligar o rádio. Não queria ouvir mais nada, não sabia o que esperar e prometi que só o resultado final me interessaria. Durante esse tempo não sei o que aconteceu, pelos poucos segundos que ouvia, percebia que o Pelotas dominava a peleia. Tomei coragem e aos 40 minutos resolvi escutar o jogo novamente. O Caxias se defendia, até que aos 44 minutos teve uma falta a seu favor. Gian pegou a bola para cobrar lá do meio da rua – literalmente, e inacreditavelmente acertou um chutaço sem chances para Rafael. O Caxias fazia o improvável. O torcedor do Pelotas não acreditava no que via. Sem dois de seus principais jogadores e com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo, a equipe grená conquistou três pontos de forma heroica, e abria quatro pontos de vantagem sobre o próprio Pelotas.

 

 

Foto: ogol

 

 

O final dessa história todos nós sabemos. Com uma combinação de resultados na rodada seguinte, o Caxias conquistou o acesso com uma rodada de antecedência. O último confronto foi cancelado, pois ninguém teria mais chances de ultrapassar o grená.

 

 

Foto: ogol

 

 

Só quem é torcedor grená sabe o que passamos para conseguir esse acesso. Foram jogos difíceis, mas o Caxias foi superior, e as dificuldades nos fizeram mais fortes. Escolhi contar a história deste jogo, porque acredito que foi a partir desse dia que começamos a reescrever a nossa história. Nós voltamos, mais fortes do que nunca!

 

 

Foto que marcou a campanha vitoriosa do Caxias na Divisão de Acesso 2016

Foto: Geremias Orlandi

 

 

FICHA TÉCNICA

PELOTAS 1 X 2 CAXIAS

 

 

Data: 29/06/2016

Horário: 20h

Arbitragem: Francisco Silva Neto

Cartões amarelos: Yuri, Xuxa, Tiago Duarte (Pelotas); Pitol, Gian, Geninho, Jajá (Caxias).

Cartões vermelhos: Darlem (Pelotas); Jajá e Cleiton (Caxias).

Gols: Jajá e Gian (Caxias) e Xuxa (Pelotas).

 

PELOTAS

Rafael, Darlem, Douglão (Leandro Rodrigues), Gasparetto, Yuri, Nunes, Arilson, Xuxa, Vinícius Martins (Tiago Duarte), Tinga e Marques. Técnico: Luiz Carlos Winck.

CAXIAS

Marcelo Pitol; Gian, Geninho (Ícaro), Lacerda e Juliano Tatto; Ramon, Fidelis; Nicolas (Dener), Cleiton, Marlon (Anderson Feijão);  Jajá. Técnico: Beto Campos.


ME DÁ VIDA E ORGULHO


Francielle Fabro