A primeira derrota do Fluminense na temporada

 

 

Equipe do Nova Iguaçu joga com raça e tira a invencibilidade Tricolor da temporada.

 
 

O problema não foi a chuva ou o campo pesado, muito menos da arbitragem, que atuou de forma digna. Também não foi dos jovens jogadores de base que entraram para defender a camisa Tricolor, e poupar os titulares. A tarde não era do Fluminense que até procurou mas não conseguiu acertar o ritmo do grupo em campo e pecou por demais em todos os fundamentos. O maior inimigo do Fluminense foi ele mesmo.

 

E esse elenco, que pouco futebol mostrou, encontrou no Nova Iguaçu um adversário forte, veloz e bem montado pelo técnico Edson Souza. E o final da história não poderia ser diferente. O Fluminense não segurou o audacioso adversário e perdeu por 3 x 1 e, com isso também a invencibilidade de toda a temporada.

 

E para piorar um dos gols do Nova Iguaçu foi feito pelo zagueiro Tricolor, o Nogueira. Marlon e Adriano marcaram os outros dois. O atacante Pedro marcou pela equipe das Laranjeiras. E ele foi um dos poucos que jogou com disposição, ao lado de Orejuela, Wendel e, para minha completa surpresa, Osvaldo.

 

 

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Léo diz não saber explicar a derrota - Foto: Nelson Perez


 

O primeiro tempo foi bastante corrido e mesmo assim não apresentou muita qualidade técnica. Ambas as equipes buscaram chegar ao gol e conseguiram. O Nova Iguaçu aproveitou com astúcia as falhas do Fluminense e fez até seus gols e em cima delas. Reginaldo falhou no primeiro e Nogueira no segundo. Erros tolos que poderiam ter sido evitados com um pouco mais de visão de jogo.

 

O segundo tempo foi cansativo de se ver. Muito erros de passe e finalização do Tricolor, sem falar que a equipe estava completamente sem saber o que fazer dentro das quatro linhas. Visto de cima era uma armação confusa. O único gol foi contra, feito por Nogueira. Precisei ver esse lance algumas vezes para acreditar no que ele conseguiu fazer. Havia um joelho fora de lugar.

E na saída, o jogador até que tentou se justificar e disse:

 

 

“Como outras atuações ficaram marcadas como inesquecíveis, hoje também vai ficar marcado como um dia inesquecível para tentar melhorar nos treinamentos. Quando eu tiver outra oportunidade, vou mostrar o meu trabalho. O que complicou foram as falhas técnicas. Tive uma no primeiro tempo e infelizmente a bola bateu em mim no segundo. Não é motivo para baixar a cabeça, sei o meu valor e o pessoal também sabe. É trabalhar para melhorar”, disse o zagueiro.

 

 

E na defesa está o “calcanhar de Aquiles” da equipe e eu acredito que também o motivo das noites mal dormidas do técnico Abel Braga. Que fase é essa em que nenhum dos jogadores que atuam na posição se sobressai. Nenhum deles faz jogos com atuações regulares a ponto de tranquilizar o comandante e a torcida. E ouso ir mais longe e dizer que desde a saída do Thiago Silva, o Fluminense nunca mais teve um zagueiro a altura de sua tradição. Reginaldo? Nogueira? Henrique? Renato Chaves? Gum?

 

Outro ponto que ficou a desejar foi esse meio-campo armado com Marquinhos e Marcos Júnior. A resposta da dupla não veio, não funcionou, não houve aquela parceria onde um sabe o que o outro pensa e faz valer com a bola. Não criaram nada e, muito menos aproveitaram a velocidade, no caso do Marquinhos parece que ele nem sabe o que é isso. Não entendo essa insistência do Abel em manter Marquinho em campo. Marquinho na função de armador? Não entendo. Livro a cara do Marcos Júnior por ter corrido, mas também só por isso.

 

 

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Marcos Junior em campo - Foto: Nelson Perez

 


E a minha surpresa na partida foi ver um Osvaldo aguerrido, com raça e determinação em campo. Fez belas jogadas pelas laterais, inclusive uma pela direita onde colocou a bola nos pés de Pedro que acabou por perder a chance de empatar a partida.

 

E deixo aqui os parabéns ao Edson Souza pelo belo trabalho realizado e por conseguir formar uma equipe que tem tudo para despontar e dar muito trabalho aos times ditos grandes. Equipe rápida, bem entrosada e dona de uma forte marcação, que inclusive dificultou bastante o time Tricolor que foi travado no paredão da defesa. E o que o comandante Abel achou de tudo isso?

 

 

“Essa derrota, a gente não esperava da maneira que foi. A gente sabia das qualidades no Nova Iguaçu, um time bem montado. Após o gol de empate, tivemos algumas chances. O volume de jogo foi abaixo do que estamos acostumados. Uma vitória merecida, eles jamais se postaram atrás. Estamos tranquilos. Tivemos postura boa nas vitórias, agora temos de ter na derrota. O erro coletivo se ameniza. Com certeza, os erros individuais não vão se repetir com esses jogadores. Fica de lição. Perdemos quando podemos perder. Vamos seguir. Neste momento, com 15 jogos e apenas duas derrotas, não é hora de bronca. Tiveram alma, correram. A vitória do adversário foi justíssima”, disse ele no  final da partida.

 

 

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Abel Braga deu coordenada durante a partida - Foto: Nelson Perez

 


Uma tarde para esquecer? Pelo contrário, ela deve ser lembrada para que todas as falhas cometidas possam ser revistas, estudadas a fim de que não se repitam. O time era de reservas, mas a camisa é a Tricolor.

 

 

Carla Andrade