A trajetória de Milton Cruz!

(Foto: Rádio Globo)

Na última quinta-feira (24) à tarde, uma notícia entristeceu a maior parte da torcida São Paulina, Milton Cruz foi desligado do clube do Morumbi.

O auxiliar técnico é extremamente querido por grande parte dos torcedores, trabalhou no São Paulo por mais de 20 anos, se dedicou em diversos momentos difíceis e ajudou a equipe nas últimas conquistas.

Por outro lado, existem sim aqueles que gostaram da demissão, alguns torcedores rotularam Milton como uma pessoa que não assume responsabilidades negativas.

"- Quando ganha "ótimo afinal é um auxiliar técnico", quando perde "a mais não é culpa dele ele é só o auxiliar”."

Gostar ou não do cara é um direito de todos, mas o que não se pode negar é a relação de fidelidade que o mesmo tinha com o clube e a torcida. O amor à camisa e vontade de vencer.

Confira um pouco da trajetória de Milton no São Paulo:

Milton chegou ao São Paulo ainda garoto em 1975, jogou nos juvenis até o final de 1976, entre 1977 e 1979 atuou no elenco principal do clube paulista. Marcou 27 gols em 55 partidas segundo o São Paulo.

Mas todo mundo sabe que não foi como jogador que Milton tornou-se ídolo, aos 37 anos em 1994, Milton chegou para compor a equipe técnica do clube, trabalhou com 7 presidentes diferentes, entre eles Marcelo Portugal Gouveia e Juvenal Juvêncio, estes tinham nele o homem de confiança dentro do campo. Já nos vestiários, Milton sempre teve um excelente relacionamento com a grande maioria dos atletas. Agia não só como auxiliar técnico mais também como conselheiro e amigo.


(Foto: Terra)

Não daria para nomear todos os 22 treinadores que passaram enquanto ele se manteve no cargo, os mais marcantes são Tele Santana, Paulo Autuori e Muricy Ramalho. Milton nunca escondeu de ninguém que mantinha a diretoria informada sobre tudo que acontecia nos treinamentos, mas sempre foi discreto para manter o bom relacionamento com toda equipe técnica.

A primeira vez em que precisou assumir o time como treinador, foi 1999 na saída de Paulo Cezar Carpegiani, apenas um jogo contra Atlético-PR, pela Seletiva da Taça Libertadores da América.

E assim prosseguiu, sempre que acontecia uma demissão de técnico repentina, Milton era chamado para apagar o incêndio.

Ajudou a equipe a conquistar diversos títulos em especial o Mundial de clubes de 2005 e os três brasileiros consecutivos (2006,2007,2008).

Devida à instabilidade da própria diretoria do Tricolor o último ano foi o ano em que Milton Cruz mais vezes precisou encarar a responsabilidade de comandar o grupo. Foram 20 jogos no total em 3 etapas diferentes. Na última etapa foram 4 jogos decisivos que levaram o tricolor a se classificar para a libertadores da américa, porém, também foi dentre esses quatro jogos que o tricolor perdeu de 6x1 do seu rival de Itaquera.

Os motivos da saída de Milton não são oficialmente confirmados pela diretoria São Paulina que vem pregando uma reformulação de elenco. Desde que Leco assumiu a diretoria já era previsível que isso aconteceria, uma das primeiras atitudes do presidente nesta temporada no dia 5 de janeiro foi tirar Milton da beira do gramado e transferi-lo para o “núcleo de análise e desempenho”, o auxiliar continuo participando dos treinamentos a pedido de Edgardo Bauza segundo o treinador Milton ajudava muito no processo de comunicação com os atletas, porém a diretoria impediu-o de viajar com o elenco.

A saída de Cruz coincide com o rompimento oficial da atual diretoria com o empresário Abilio Diniz, segundo Comes Rímoli, Milton era considerado um “espião” do empresário.

Enfim, Milton deixa o clube de seu coração após 22 anos com um aproveitamento de 58,91% foram 43 jogos, 23 vitorias, 7 empates e 13 derrotas, como técnico ou substituto.

Independentemente de bom ou ruim, de certo ou errado, o que a torcida São Paulina com certeza deseja a Milton Cruz é que ele trace um novo e bom caminho onde ele escolher e for melhor a ele.

Cruz também não sai de tricolor “de mãos abanando”, afinal tem para receber 22 anos de casa baseando-se em um salario em torno de R$ 50 mil.

E ele tem potencial para treinador, é fato, não se pode negar, mas falta um pouco mais de firmeza e maldade, porém, será um excelente técnico se assim decidir.


(Foto: R7 Esportes)

Assim que a noticia da demissão veio a tona tanto Muricy Ramalho como Juan Carlos Osorio telefonaram para o auxiliar-técnico oferecendo uma oportunidade, e agora cabe somente a ele o seu destino.

Jéssica Nogueira Gonçalves