15 De Janeiro - O dia que superamos

15/01/2017, 8 anos da nossa maior tragédia. Nesse texto vou contar o que eu senti, acredito que quem viveu tudo isso, vai se identificar.

 

 


Foto oficial do Site (gbrasil.com.br)

 

Naquela noite, eu estava em casa, mexendo no meu msn e orkut, na comunidade do Brasil, discutindo sobre futebol, sobre o amistoso que o Brasil havia disputado mais cedo e debatendo sobre o pênalti que o Milar tinha cobrado, já que o mesmo disse que não iria fazer mais isso, pois bem, no dia em que ele morreu ele fez isso.

Quando alguém disse que o ônibus derrapou na estrada, o amistoso foi em uma cidade pequena aqui perto de Pelotas, Canguçu, o time estava se preparando para iniciar o campeonato gaúcho. Logo que li isso, liguei o rádio e o pesadelo estava começando.

Várias notícias, uns falavam em mortos, outros falavam em apenas feridos, alguns que o ônibus derrapou, outros que o ônibus virou, falavam que o ônibus havia incendiado, eis que meu dindo que trabalha em um jornal aqui da cidade me ligou e confirmou: o Milar morreu. Como assim, morreu? Nosso ídolo, nosso atacante, nosso artilheiro... Não pode ser verdade!

Segui ouvindo as notícias no rádio, eu não queria acreditar, não dormi aquela noite, esperei começar os jornais locais por volta das 6:00 horas da manhã e todos eles confirmaram a morte de 3 pessoas: O Milar, o Zagueiro Régis e o preparador de goleiros Giovani, o ônibus caiu de uma altura de quase 40 metros. Que dor insuportável, o mundo caiu, o dia ficou literalmente cinza, um calor insuportável e veio a pergunta na cabeça de todo torcedor xavante: Porque com a gente? Por quê? Óbvio que ninguém queria que acontecesse com outro time, mas aquela dúvida egoísta não queria nos deixar.

Começou o campeonato gaúcho, o Brasil entrou em campo depois de 4 rodadas contra o Santa Cruz, jogo difícil, complicado entrar no estádio depois de menos de um mês que vimos os corpos dos nossos guerreiros sendo velados no gramado, para onde olhávamos havia alguém chorando, eram crianças, adultos, idosos, não tinha diferença entre nós, todos sentiam a mesma dor, todos queriam acordar desse pesadelo, todos na esperança de ver o Milar correndo em campo, nesse jogo o time usou a camisa preta, do luto e as camisa 7 (do Milar) e 3 (do Régis) não foram usadas.

Terminou o jogo em 3x3, o nosso Zagueiro na época Alex Martins, muito amigo do Régis, marcou o dele e na comemoração fez uma flechada para o céu, flechada essa que o nosso artilheiro sempre fazia. Começou o Gauchão, promessas de empréstimos de jogadores, jogos com 48h de diferença, jogadores lesionados, abalados psicologicamente, viagens, medo, cobrança, a pressão de tentar dar uma alegria pra essa torcida, resultado? Rebaixamento! Foram 4 anos naquele inferno chamado segunda divisão, então o dia 07/07/2013 chegou, e junto com ele aquele grito engasgado, choramos, muito, mas dessa vez de alegria, o Brasil retornou à elite do futebol gaúcho, pela porta da frente, com todos os problemas, dificuldades.. VOLTAMOS!

E depois parecia um sonho, bi campeão gaúcho do interior, e o tão sonhado acesso à série B do campeonato Brasileiro, voltamos! A torcida que tem um time tem motivos de sobra para comemorar, maior que qualquer tragédia é o amor incondicional desse povo que nunca abandonou, que sempre acreditou.

 

É por vocês: Giovani, Régis e Milar

VOLTAMOS!

Por: Bruna Porto