43 do segundo tempo em 2013.

 

Bem, vou começar me apresentando. Me chamo Paula Barcellos e tenho 25 anos. Estudante de Jornalismo, carioca da gema, e torcedora na maior torcida do mundo, sim sou Flamenguista. E aí de quem diga o contrário. Mas não vim falar sobre minhas convicções acerca do meu time, vim falar sobre um jogo que me marcou. Ah mas qual escolher? Foram tantos. E para mim que sou uma torcedora apaixonada pelo time, todos os jogos tem sua importância, até amistoso.

Fonte: Arquivo Pessoal

 

Escolhi um que mexeu comigo, e não foi só sobre futebol. Era 28 de agosto de 2013, jogo de volta das oitavas de finais da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro. No jogo de ida, perdemos em BH, por 2x1, e aquele gol que o Fla marcou lá, deu a sensação de que dava sim para continuar sonhando. Era a minha volta ao novo Maracanã, aquele sentimento de voltar ao lar depois de uma reforma bem demorada. Era saudade de casa, era saudade de poder assistir no estádio o meu time, ainda mais num jogo tão decisivo.

 

Não preciso nem dizer que foi uma maratona pra conseguir esses ingressos né? Era um jogos vorazes para conseguir seu lugar marcado no grande espetáculo. Isso, porque nem era a final em si, mas depois de anos sem poder jogar em casa, a chance de fazer parte dessa possível história, valia a pena. Fui pra fila na Gávea com minha irmã numa terça feira, chuvosa, as 7h ou 8h da matina. Ficamos em pé umas quatro horas. Tivemos que aturar marmanjo fazendo comentários, dando em cima e claro os que falavam asneiras. A gente só pensava que queríamos estar lá. E depois de tanta dificuldade, até ingresso de cortesia ganhamos.

 

Bem o jogo era a estreia do meu cunhado no estádio, e claro sempre rola aquele nervosinho, afinal ninguém quer ser o pé frio né? Tinha sido uma quarta complicada e corrida para minha família, mas estávamos felizes de poder estar lá. E cara, me apaixonei novamente pelo meu time, pela minha torcida, ao entrar no Maracanã, mais uma vez. Sempre acontece isso! É indescritível para pôr em palavras, não dá. Só quem vai, só quem é apaixonado, consegue entender.

Fonte: Gazeta Press

Entramos, sentamos e a tensão começou, afinal precisávamos ganhar e não tomar nenhum gol. Começou com a torcida incentivando, jogando junto e pedindo com fé ao divino a classificação. Acabou o primeiro tempo, e nada. No intervalo ficou mais tenso, mas como todo torcedor, o jogo só termina no apito final. Não sei explicar bem, mas a gente não desiste, e acreditava que dava. A gente sempre acredita. E com a experiência, já sei que o Mengão gosta de desafio, gosta de testar nossos corações até o limite. Nunca é fácil.

 

Começa o segundo tempo e continuamos lutando. E o tempo só passava. E a tensão nos olhos de cada um porque o time tentava, não se entregava, mas a bola temia não entrar. Entretanto a gente temia mais ainda em acreditar. Vou começar a narrar os meus passos naqueles momentos finais. Perguntei para minha mãe quanto tempo tinha, e ela me avisou que tínhamos chegado aos 40 do segundo tempo. Eu falei que ainda dava tempo. Olhei para a torcida gritando, olhei para o campo, e como se estivesse observando de cima. Fui ao banheiro, estava difícil ficar parada lá. Me olhei e falei, "vamos Mengão, ainda dá". Voltei, respirei fundo e boom, aos 43, Elias marcou, e mais uma vez aquele número abençoou a nação rubro-negra. O maraca ficou pequeno, e assim como a escalação dele foi comemorado, pois era dúvida, ele foi ovacionado ao levar o Flamengo às quartas de finais. E sim naquele ano, mais algumas partidas depois levantamos a taça.

Fonte: Gazeta Press

 

Aquele jogo tem um sentimento a mais: despedida. Infelizmente cinco dias depois perdi um afilhado amado, que naquele jogo queria tanto ir, mas como era um jogo difícil, achamos melhor deixar para levá-lo em um jogo mais tranquilo, mais vazio. Ele estava louco para conhecer o Maraca, enquanto nos arrumávamos, ele achava um máximo essa nossa felicidade de ir ao estádio. Infelizmente não teria uma próxima vez, uma próxima chance, e fiz desse jogo uma recordação do sorriso dele e uma lição de não deixar para depois, é preciso arriscar hoje, antes que a vida passe.

 

Sim, aos 43 do segundo tempo, num jogo decisivo, eu vi meu time se superar e chegar lá. Ainda tenho muitos outros jogos, e quem sabe conto mais em outras oportunidades.

Paula Barcellos