Ah, Botafogo!

 

Um novo empate com sabor amargo deixou a torcida botafoguense furiosa na noite de ontem, no estádio Nilton Santos. E com razão. Dessa vez, o adversário era o lanterna do campeonato, o Ceará, clube que chegou ao seu quarto ponto de todos os trinta disputados neste Brasileirão.

 

Vitor Silva / SS Press / BFR

 

Momentos antes da partida, o clima era propício para um bom resultado. O goleiro Jefferson, que faria seu jogo de número 454 vestindo o glorioso manto alvinegro passou por diversas homenagens. O jogador agora é o terceiro que mais vestiu a camisa do Fogão, ficando atrás de Nilton Santos e Garrincha. A caminho do vestiário, uma parede estampada com sua imagem juntamente com fotos, uniforme e chuteiras usadas por ele, encheu de emoção o coração do goleiro, que agradeceu:

“Um dia especial para mim. Agradeço o carinho dos torcedores, mas o importante é conquistar a vitória. Depois, posso comemorar.”

 

Vitor Silva / SS Press / BFR

 

Um adendo: mais importante que destacar os lances da partida e seus melhores momentos – se é que há algo para dizer de uma atuação tão fraca e omissa do time carioca – é pedir providências urgentes à diretoria e à comissão técnica da equipe. O Botafogo precisa de contratações e também precisa barrar alguns jogadores que estão abaixo da média há muito tempo e permanecem como titulares.

A bola rolou e o que se viu foi um time encontrando dificuldades para chegar ao gol adversário, que entrou com três zagueiros para jogar declaradamente na retranca. Assim sendo, as chances do Botafogo se davam pelas laterais, quer dizer, pelas laterais se tentava, pois o que se viu em campo ontem foi uma disputa acirrada entre Moisés e Marcinho para decidir quem era o pior em campo. O fracasso desses jogadores somado a falta de criação no meio de campo – obrigando os jogadores a chutar de fora da área – isolou Kieza no ataque, onde passou boa parte do jogo sem aparecer, ainda que voltasse procurando a bola. Jean, o melhor em campo, mostrou-se comprometido, mas sua atuação não foi capaz de ajudar o time na primeira etapa.

Aos 35 do segundo tempo, Yago subiu na área para o cabeceio e se chocou com o goleiro Everson, e ao cair, bateu a cabeça no chão, apresentando desequilíbrio assim que tentou se levantar com a ajuda de seus companheiros. O jogador foi levado para fora de campo onde insistia em repetir que estava bem e queria jogo, enquanto o técnico Valentim, aos gritos, implorava para que o jogador seguisse na ambulância rumo ao hospital para que fosse examinado. O clima esquentou, o técnico do Ceará pedia a volta da partida imediatamente e assim a bola voltou a rolar.

Toda a confusão fez o árbitro conceder dez minutos de tempo de acréscimo. Com ambos os times exaustos, o que se viu pelo lado do Botafogo foi um Leo Valencia limitado, sem pontaria, sem sangue e descompromissado com a vitória, insistindo em bolas pingadas na área que mais pareciam lances das peladas disputadas lá no Aterro.

Ao apitar o fim do jogo, a merecida chuva de vaias que o time ouviu foi um grito de socorro para acordar a comissão técnica e a diretoria do clube. O torcedor que sai correndo do trabalho em plena terça-feira para chegar a tempo no estádio, que compra seu ingresso na bilheteria ou que honra com o sócio torcedor tão incentivado pelos dirigentes merece mais. Muito mais.

Yago foi liberado e passa bem. Por 72h será monitorado, por ordem médica.

Por Lívia Torres