Anjo das pernas tortas? Alegria do povo? Melhor de todos os tempos?

 

Sim... Mas era apenas um Mané “Mané Garrincha”

 

foto: trivela.uol

 

Driblar, tendo pernas tão tortas

e driblar como ninguém

eis um mistério de Garrincha que eu não ouso explicar;

Driblar, tendo uma perna mais curta que a outra

e driblar como ninguém

eis um mistério de Garrincha que tu não ousas explicar;

Driblar, tendo um desvio na espinha dorsal

e driblar como ninguém

eis um mistério de Garrincha que ele não ousa explicar…

Driblar, quase sempre para o mesmo lado,

repetindo o gesto mil vezes para mil vezes afirmar-se negando o próprio conceito de drible

eis um mistério de Garrincha que não ousais explicar…

Driblar e driblar com tanta graça e naturalidade

eis um mistério de Garrincha que só Deus pode explicar.

Armando Nogueira

 

Garrincha, o pássaro que voou alto

 

Manuel dos Santos o Garrincha nasceu na cidade de Pau Grande (RJ), no dia 18 de Outubro de 1933. De família humilde tinha 15 irmãos, e sua irmã lhe apelidou na infância como Garrincha, em alusão ao nome de um pássaro da região.

Considerado um dos maiores dribladores da história, Garrincha tinha sua perna direita seis centímetros menores que a esquerda, que era flexionada para o lado esquerdo, ambas eram tortas. Começou no futebol aos quatorze anos de idade, em um time amador de sua cidade Esporte Clube de Pau Grande, ali chamou a atenção de um ex jogador do Botafogo, time que defendeu em maior parte de sua carreira ( 1953 à 1965).

Mal sabia o menino, que seria no clube, imortalizado. Em seu primeiro treino, Garrincha já encantou, driblando Nilton Santos de maneira espetacular. Seria o próprio Nilton, que pediria sua contratação aos dirigentes, e logo na estreia Garrincha demonstrou que era um goleador nato, marcando 3 gols, na vitória por 6x3 diante do Bonsucesso.

 

Foto:newsfut

Suas pernas tortas, que causavam desconfiança da comissão técnica, surpreendeu a todos que lhe contestavam.  Com um futebol irreverente e cruzamentos precisos, o menino deslizava pela ponta direita, encantando a quem pudesse ver.

Os dribles de Garrincha, garantiram o Título Carioca de 57, para o Botafogo em cima do Fluminense, com um sonoro 6x2. Naquela tarde, Didi sempre tocava para Garrincha, que driblava seu marcador Altair, sem dó.

 

Mané, Nilton Santos e Paulo Valentim nos 6 x 2 contra o Flu.. Foto: brasil247

 

Durante a sua permanência no Botafogo, Garrincha marcou 242 gols em 614 jogos, tornando-se o terceiro maior artilheiro do clube em todos os tempos. Suas magníficas apresentações, lhe renderam o apelido de “Alegria do Povo”, pela torcida botafoguense.

 

Sua ascensão, decadência e sua imortalização

 

Representou a seleção em 1958 e 1962 também teve pequenas passagens pelo Corinthians, Flamengo, Portuguesa, Atlético Junior da Colômbia, Milionários, Olaria e Vasco. Nas 61 partidas que fez pela seleção presenciou apenas uma derrota, fazendo dupla com Pelé nunca perdeu.

“O Anjo de Pernas Tortas”, foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do time brasileiro.

Até hoje a atuação dele contra a Inglaterra é lembrada, foi uma partida simplesmente perfeita e muitos dizem, que Garrincha ganhou sozinho. Marcou de cabeça, comandou a equipe, bateu falta e fez um belíssimo gol de fora da área. Era o bi campeonato do Mundo para a seleção canarinho.

 

foto: observatorioracialfutebol.

O título deu destaque a Garrincha, que se tornou garoto propaganda, coisa rara na época. O dinheiro, a cada dia maior cegaram o jogador, que gastava em festas e bebidas, algo que lhe custaria caro, anos depois.

Mané era irreverente e brincava com seus adversários fazendo lindos dribles. Viveu 19 anos de carreira e faleceu aos 49 anos de cirrose hepática, sofreu o excesso de bebidas alcoólicas, principalmente a cachaça, em 20 de janeiro de 1983. Sobre seu corpo a bandeira do Botafogo e a frase “Aqui jaz a alegria do povo” _ Mané Garrincha.

Foi casado duas vezes, a primeira com sua namorada de infância Nair e depois com Elza Soares, Garrincha deixou treze filhos.

Idolatrado pelos torcedores Alvinegros, foi homenageado com uma estátua de 4 metros e meio, 300 kg, em frente ao estádio Nilton Santos, com o custo de 56000,00 reais. No ano de 2011 na Convenção Mundial de Futebol foi considerado por Eusébio o melhor de todos os tempos, o mais habilidoso e com alta capacidade de driblar. Em uma eleição com jornalistas de todo o mundo foi escolhido para seleção de todos os tempos, no ano de 1998.

 

Foto:globoesporte

“Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho”. Carlos Drummond de Andrade

Quando deixou de jogar se entregou aos vícios, álcool, mulheres e voltou à pobreza, ali naquele momento sua vida não fazia mais sentido sem o futebol. Garrincha foi exemplo que nem tudo que é torto é errado, mais que craque ele é ídolo e exemplo de superação, a prova que... “Deus escreve certo por pernas tortas”.

 

Títulos
 

Botafogo

 

 

Seleção Brasileira:

 

 

Corinthians


 

Por Isa Estrela.