APAGÃO DA REDENÇÃO

Na noite dessa quarta-feira (15), às 19h30 (BSB), o São Paulo recebeu o Vitória no Morumbi, pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto marcaria mais um jogo em seus domínios, e a ordem era vencer, já que a equipe perdeu 6 preciosos pontos em casa, nas derrotas para Internacional e Atlético Paranaense, este último no sábado (11).

A noite seria de muitas surpresas, começando pelo atraso dos baianos, que por conta do trânsito na capital paulista, chegaram apenas 45 minutos antes de começar a partida e pediram para que o árbitro autorizasse 10 minutos de tolerância, o que não foi aceito. Sendo assim, jogadores são paulinos entraram em campo para acompanhar a execução do hino nacional, conforme o protocolo. Um tempinho depois, enfim o Vitória entrou em campo, e o árbitro deu o apito inicial.

Sem poder contar com algumas peças fundamentais como Hudson e Kelvin, e com outras iniciando o jogo no banco de reservas, Patón Bauza escalou o São Paulo com Denis; Bruno, Maicon, Lugano e Matheus Reis; João Schmidt, Thiago Mendes e Ytalo; Auro e Centurión, e Calleri.

Longe de ser empolgante e de reter a atenção dos poucos mais de 9 mil torcedores que estavam no Morumbi, o jogo parecia tomar rumos não muito agradáveis para o Tricolor, que via suas jogadas serem anuladas pelo time de Vagner Mancini, além de outras que não davam certo. Com muitos apitos e faltas marcadas, forçando muitas paradas durante boa parte dos primeiros momentos, o árbitro colaborou (e muito!) para tornar o jogo ainda mais feio.

Apesar das duas equipes terem tido algumas chances logo no início, com Ytalo e Auro pelo São Paulo, e Kieza pelo Vitória, os goleiros trabalharam, e os primeiros 37 minutos foram difíceis de se digerir, principalmente porque o Tricolor estava irreconhecível em campo, e nem de longe parecia aquele time que esse ano já deu tanto orgulho para o torcedor.

Aos 38, as luzes se apagaram no Sacrossanto, e o jogo foi paralisado. Um transformador que fica na região do Morumbi explodiu, cortando assim a luz de toda a área ao redor. Apagão no estádio, apagão no futebol... De fato o episódio da falta de energia parecia refletir o que tinha acontecido em campo até aquele momento! Mas o brilho das telas dos celulares começaram a acender, e juntamente com ele, a esperança de terminar a noite feliz e sorrindo.

(Imagem: Marcos Ribolli)

Passados 27 minutos, a bola voltou a rolar e o torcedor pedia aos deuses do futebol que além da luz, tivesse voltado também aquele São Paulo que parecia ter se perdido pelo caminho, à sombra da escuridão. E querendo ou não, as luzes dos refletores parecem ter acordado os jogadores, que voltaram ligados e até ameaçaram mais nos restante do 1º tempo.

Na etapa complementar deu pra perceber que o apagão temporário realmente serviu para ligar o elenco em campo, principalmente após Bauza promover a entrada de Ganso no lugar de Auro, o que deu um fôlego maior à equipe, que cresceu no jogo.

Mas as investidas do Vitória também aconteciam, mesmo com mais cautela e timidez, e Patón resolveu mexer mais uma vez. Aos 15, sacou Centurión (que fazia mais uma partida ruim) e o substituiu por Michel Bastos, que voltava após passar dias em recuperação. O compatriota de Edgardo Bauza não gostou muito por ter que sair e mostrou insatisfação reclamando no banco de reservas e seguindo para o vestiário.

Com o camisa 7 e o Maestro em campo, o Tricolor passou a render mais e ficou mais criativo e ofensivo. Aproveitando o embalo, o técnico argentino colocou Caramelo na vaga de Bruno.

Como sempre, os comandados de Bauza abusaram das chances de sair em vantagem, mas quando ninguém esperava, Calleri apareceu livre na área após cruzamento de Matheus Reis, e abriu o placar.

O camisa 12 comemorou muito, tirou o uniforme, e homenageou o seu melhor amigo Sebastian Vladi, falecido no último sábado, em um acidente de moto na Argentina. Por conta disso, Jonathan Calleri recebeu cartão amarelo, mas o que é um cartão amarelo na frente de um belo ato de carinho por alguém querido que se foi há tão pouco tempo?! Dessa vez passou...

(Imagem: Marcos Ribolli)

E quem achou que ficaria no 1 a 0 simplesmente se enganou... Aos 41, Ganso cobrou escanteio na pequena área e Lugano (sim!) se esticou mais que todo mundo, mandando “pro fundo do gol”!

(Imagem: Marcos Ribolli) 

O árbitro distribuiu 7 cartões amarelos, sendo 2 para Kieza e William Farias do Vitória, e 5 para Bruno, Thiago Mendes, Michel Bastos, Calleri e Lugano, do São Paulo.

O próximo desafio do Tricolor será contra o Flamengo, no domingo (19), às 16h (BSB) no Mané Garrincha.

Apagão da redenção em uma noite cheia de surpresas e emoções, onde os estrangeiros fizeram a diferença. Argentina e Uruguai uniram-se ao sangue vermelho, branco e preto brasileiro, e a cada partida seus representantes demonstram amor, carinho e respeito à camisa que de tão pesada, “entorta varal”.

 

Renata Chagas