APATIA E SORTE

Na noite dessa quarta-feira (23), o São Paulo recebeu o Botafogo-SP em seu último jogo como mandante no Pacaembu, às 21h45 (Brasília), pela 11ª rodada do Campeonato Paulista. Nem o mais otimista torcedor tricolor imaginava ter que esperar 89 minutos para poder gritar gol...

(Imagem: Fernando Dantas / Gazeta Press)

Há cinco jogos sem vencer, entre Paulistão e Libertadores, e com dez desfalques, Edgardo Bauza resolveu ousar na escalação e arriscou um 4-3-2-1. Foram a campo: Denis; Caramelo, Lugano, Maicon e Bruno; Hudson, João Schmidt e Carlinhos; Ganso e Daniel; e Calleri.

Os quase três mil pagantes que foram ao Paulo Machado de Carvalho presenciaram, mais uma vez, um São Paulo apático, sem muito ritmo de jogo e criatividade, que demorou pra envolver a equipe do ameaçado Pantera.

Aos 6 minutos, Hudson fez um cruzamento para Calleri, após limpar bem a marcação de Diego Pituca. O argentino bateu, mas Neneca defendeu.

Mesmo se mantendo no ataque, a falta de criatividade e agilidade não deixou o Tricolor abrir o placar, e ainda levou o Botafogo a aproveitar um ou outra contra-ataque, como aos 34 minutos, por exemplo. O time avançou e Serginho finalizou de fora da área no ângulo, mas Denis espalmou.

Com um jogo feio, as duas equipes foram para o intervalo sem gols no placar, o que causou insatisfação e frustração em Edgardo Bauza, e também nos jogadores e torcedores.

Na etapa complementar, o São Paulo voltou com a joia da base, Lucas Fernandes, no lugar de Carlinhos, e o técnico colocou Mateus Caramelo na lateral esquerda, onde estava Bruno de maneira improvisada.

Mesmo com as mudanças, e agora com o esquema tático no 4-4-2 (que logo viraria um 4-3-3), o Tricolor não conseguiu diferenciar muito seu estilo de jogo, e Bauza acabou sacando Daniel para a entrada do centroavante Alan Kardec, isso antes dos 10 primeiros minutos.

Nos minutos seguintes quem fez a diferença foi o zagueiro Maicon, que saiu de sua posição de origem e assustou Neneca duas vezes, em uma cobrança de falta, e depois numa cobrança de escanteio.

Mas mesmo jogando melhor que no primeiro tempo, faltava envolvimento. A equipe de Bauza não envolvia o time do interior, que algumas vezes ainda aproveitava para sair em busca do gol.

Já nos minutos finais da partida, o São Paulo passou a pressionar o Pantera com a entrada de Kelvin no lugar de Caramelo. A mudança surtiu um pouco de efeito, mas quem quase abriu o placar foi Léo Coca, após receber com liberdade na marca do pênalti e desperdiçar de forma inacreditável.

Como é sabido por todos que acompanham futebol, “quem não faz, leva”.

A equipe interiorana desperdiçou as poucas chances que teve, e quando menos se esperava, quando o torcedor são-paulino já se preparava para sair do estádio com um frustrante empate nas costas, eis que a técnica, a criatividade e a genialidade do camisa 10, Paulo Henrique Ganso, fizeram a diferença. O maestro segurou a bola, e percebendo Calleri em boa posição, deu um belo lançamento para o argentino, que não desistiu da jogada e após girar dentro da pequena área, venceu a marcação e chutou de pé direito, encobrindo o goleiro Neneca, aos 44 minutos. Um alívio para Bauza e sua equipe, e principalmente para o camisa 12, que estava há 11 jogos sem marcar pela equipe do Morumbi. O gol salvador da vitória suada do Tricolor!

(Imagem: Marcos Bezerra / Futura Press)

O árbitro distribuiu ao todo oito cartões amarelos, sendo quatro para cada lado. Pelo São Paulo, Bruno, Alan Kardec, Maicon e Ganso (que cumprirá suspensão automática e não estará presente no clássico, e até levantou a polêmica sobre ter forçado o cartão, justamente para não enfrentar sua antiga equipe). Pelo Botafogo, Samuel Santos,Carlos Alberto, Serginho e Mirita.

Nem de longe essa partida foi como o são-paulino gostaria que tivesse sido. Mas uma coisa é certa: mesmo no sufoco, o que valeu foram os três pontos, que fizeram o São Paulo ficar um pouco mais tranquilo na busca pela classificação no Campeonato Paulista.

Uma vitória que mascara o jogo feio que o time de Bauza vem apresentando em seus últimos compromissos, e que deixa todo torcedor tricolor de cabelo em pé, ou quase morrendo de tanto susto.

Sabe-se que a intenção é boa, mas muitas vezes duvida-se daquilo que realmente os jogadores querem ou demonstram em campo. Poucos parecem realmente se importar, como Diego Lugano, por exemplo, que fez questão de valorizar a vitória e os pontos conquistados.

“O São Paulo foi superior mais uma vez, assim como nos jogos anteriores, e do começo ao fim buscamos o gol. Mas por sorte, desta vez, conseguimos refletir a nossa superioridade no resultado positivo. Mais do que a confiança, a gente precisava dos três pontos”, disse o uruguaio.

(Imagem: Divulgação / São Paulo) 

Maicon seguiu a linha do companheiro de zaga, frisando que o desempenho da equipe nas últimas partidas não foi ruim, mas que faltava o mais importante.

“Felizmente desta vez a gente conseguiu marcar o gol e sair de campo com um resultado positivo. Às vezes, a sorte bate do nosso lado também. Nas últimas partidas, criamos boas jogadas, mas não vencemos. Agora, foi diferente. Conseguimos marcar com o Calleri e fomos felizes. A vitória foi importante para nos dar mais tranquilidade e buscar a reação na temporada”, afirmou Maicon.

A vitória levou a equipe de Bauza à liderança do Grupo C, com os mesmos 17 pontos do Audax, que fica em desvantagem pelo critério de desempate, no caso, o saldo de gols.

O próximo compromisso do São Paulo será o clássico contra o Santos, na Vila Belmiro, às 18h30 (Brasília) do domingo (27). Como mandante, o Tricolor retornará ao Morumbi contra o Oeste, no dia 02 de abril.

Que no SanSão do próximo fim de semana o Tricolor possa sair vitorioso de campo, pois há tempos a equipe do Morumbi, além dos torcedores, não sabe o que é vencer um clássico... E se sobrar a apatia, que não falte a sorte.

 

Renata Chagas