BELÉM PAROU COM O PAYSANDU NA LIBERTADORES

Era 2003, há 17 anos, o Paysandu Sport Club se preparava para receber o Boca Juniores em Belém, na volta das oitavas finais da Copa Libertadores.

 

Duas semanas antes, o papão calou a Bombonera lotada no jogo de ida, que terminou em 1 a 0 para equipe visitante com gol de Iarley. A avenida Visconde de Souza Franco, mais conhecida como Doca, que é ponto de encontro para comemorações das duas maiores torcidas do estado, Clube do Remo e Paysandu ficou lotada de gente e repleta de fogos de artifícios. O Paysandu, que não possuía tradições em competições internacionais, estava a um jogo de vencer um dos maiores times do continentes.

 

A euforia pela vitória não se comparava com que os torcedores iriam viver naquele dia 15 de maio de 2003. Cerca de 60 mil pessoas estavam presentes no estádio olímpico, o Mangueirão, o mesmo que em 2020 mostrou que precisa de uma reforma para voltar a ser palco de belos jogos e trazer mais conforto para a torcida tão apaixonada.

 

Foto por Raimundo Pacó/O Liberal

 

Naquele dia, a capital paraense passava por uma greve de ônibus, o que obrigou os torcedores a improvisarem meios de transporte, caronas em caminhões e picapes, alguns foram de charrete e, o mais curioso: alguns foram de carrinho de mão, mas a grande maioria optou por ir andando. O Mangueirão fica distante do centro da capital paraense cerca de 15km. Segundo relatos, a cena lembrava o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, festa católica que ocorre sempre no segundo domingo de outubro em Belém. A festa reune mais de 3 milhões de pessoas na rua da capital.

 

O papão estava invicto na Libertadores, se classificando em primeiro lugar no seu grupo. Já o Boca foi o segundo, o que não importava, já que a equipe argentina possuía quatro títulos da Libertadores, enquanto o Paysandu não possuía nenhum.

 

O jogo em Belém terminou 4 a 2 para o Boca, a eliminação deu fim aos três anos dos melhores anos do Paysandu. O técnico era Givanildo Oliveira, que conquistou série B, Copa Norte e Copa dos Campeões.

 

O Boca foi campeão naquele ano, já o Paysandu se manteve por dois anos na série A, sofreu rebaixamento em 2005 para série B e em 2006 para série C e desde então não voltou mais para elite do futebol brasileiro.

 

Em 2020, o Paysandu irá disputar a série C, Copa Verde e espera a finalização do Campeonato Paraense, no qual é líder com 19 pontos.

 

Enquanto o futebol não volta, a torcida fica saudosa com datas como esta que relembra os bons tempos do Paysandu.



 

Por Beatriz Reis

 

*O conteúdo trazido nesta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo