Campeões do Brasil... Sob a liderança de Zenon e Careca, Guarani domina país.

Hoje, entrar em um grupo com Atlético-MG, Palmeiras, Vasco, Internacional e São Paulo é para poucos. Há 38 anos, então, a situação era ainda mais complicada. Este é o tamanho do feito do Guarani em 1978. Contra todas as expectativas e os principais favoritos ao caneco mais cobiçado da época, o Bugre superou o desdém de rivais e se impôs definitivamente no cenário nacional. Liderado pelo talento de Zenon, a genialidade de Careca e o comando de Carlos Alberto Silva, o Alviverde de Campinas conquistou o Campeonato Brasileiro, sagrando-se o primeiro – e único, até hoje – time do interior a levantar o caneco.

 

E pensar que o Guarani não figurava em nenhuma lista de favoritos ao título antes do Brasileiro. O clube havia feito sete amistosos de preparação e contava com jogadores desconhecidos no país, sem expressão. O principal reforço era Zenon, meia que se destacara com a camisa do Avaí. No ataque, a aposta era Careca, garoto de 17 anos revelado nas categorias de base.

 

" – Era um time para tentar se salvar (do rebaixamento) ou beliscar alguma coisa, mas não era favorito ao título" – lembra Careca, artilheiro daquele time.

 

Fonte: Site Fifa

 

A caminhada até o título foi longa. Com 74 times, o Brasileiro de 1978 teve seis fases diferentes. Na primeira, o Guarani acabou em quinto lugar no grupo, atrás de Vasco, Botafogo, Bahia e a rival Ponte Preta. Em seguida, avançou novamente, com campanha inferior apenas a Vasco, São Paulo e Portuguesa. Era a hora da penúltima etapa antes do mata-mata. A verdadeira prova de fogo.

 

" – Quando chegamos em Porto Alegre, a imprensa gaúcha disse que nós não faríamos de forma nenhuma frente ao grande Internacional de Falcão, de Batista, que no ano seguinte, para você ter uma ideia, foi campeão invicto do Brasileiro" – recorda Zenon, que já começava a chamar atenção do país pela categoria.

 

" – E os caras (gaúchos) com piadinha, dizendo que era o ataque de riso, de Capitão, Careca e Bozó. Como um time destes do interior viria ao Beira-Rio ganhar do Inter? O Carlos Alberto reuniu e falou: 'Vocês ouviram?' E coincidentemente todo mundo tinha ouvido. Cara, o que nós jogamos..." – fala Careca, com a memória fresca.

 

As gozações foram pulverizadas com um clássico 3 a 0, gols de Renato, Bozó e Zenon. A liderança do grupo, à frente inclusive do Inter, mostrou que o Bugre estava na competição para brigar por título. E assim foi. Passou por Sport nas quartas de final com duas vitórias (2 a 0 e 4 a 0), superou o Vasco da mesma forma (triunfos por 2 a 0 e 2 a 1) e alcançou a final contra o Palmeiras, até então bicampeão brasileiro.

 

Fonte: Ag. Estado

 

Diante de 104 mil pessoas no abarrotado Morumbi, a juventude de Careca venceu a experiência de Leão. O atacante do Guarani, num ato de malandragem, cavou a expulsão do goleiro palmeirense, o que abriu caminho para a vitória. Naquela tarde, Zenon, em cobrança de pênalti, confirmou a vitória e a vantagem.

 

Bastava um simples empate no Brinco de Ouro para levantar a taça. Leão, pelo Palmeiras, e Zenon, pelo Guarani, eram os desfalques da noite. Mas o maior destaque estava em campo. Genial como poucos centroavantes nascidos no Brasil, Careca mostrou ao Brasil quem ele era, o que o Bugre era. Um chute seco no canto direito confirmou a vitória, o título e a consagração. O riso, agora, era alviverde.

 

" – Demorou pra cair a ficha, mas marcou demais por tudo que fizemos com aquele grupo. Foi um grupo vencedor, e até hoje temos está união, está amizade" – diz Careca.

 

" – Foi uma comemoração que, eu diria, tinha que ser muito maior, porque o feito é um negócio inexplicável. O que o Guarani fez na campanha de 78... Aquele título vale por três ou quatro de Flamengo, Corinthians ou Atlético-MG" – exalta Zenon.

 

Fernanda Martins, hoje e sempre Guarani.