Com a estreia de "El Dío5" garantida, São Paulo recebe o Rio Claro nesse domingo (21), no Pacaembu, pelo Paulistão.

Após uma semana nada favorável, com derrotas para o rival Corinthians, no domingo (14), e para o modesto boliviano The Strongest, na noite de quarta-feira (17), o São Paulo agora precisará reagir para tentar manter uma “boa pontuação” nas duas competições que disputa no momento: Campeonato Paulista e Copa Libertadores da América.

Ocupando o terceiro lugar do Grupo C, com apenas 4 pontos em 3 jogos, o Tricolor enfrentará o Rio Claro na tarde desse domingo (21), às 17h (Brasília), no Pacaembu, e somente a vitória interessa.

 

Imagem: jornalheiros.blogspot.com 

Mesmo jogando “bem”, a equipe do Morumbi não conseguiu bons resultados nas duas últimas partidas, partidas essas que aos olhos dos torcedores eram importantíssimas, para que houvesse certa confiança em relação ao time que Bauza vem ensaiando desde a pré-temporada. Mas o que se viu foi um grupo até querendo vencer, mas sem fazer por onde.

Na partida contra o The Strongest, o elenco não jogou bem e ainda resolveu fazer um tal de “pacto do silêncio”. Até então ninguém fazia ideia do que se tratava, e o motivo pelo qual os jogadores resolveram sair de campo sem falar nada, tanto no intervalo quanto ao término da partida. Mas passados os dias, uma nova ~velha~ crise começou a desbancar nos bastidores. Novo atraso no pagamento de direitos de imagem e premiações aos jogadores seria o motivo para tal descontentamento e “birra”.

Logo após o jogo, Rodrigo Gaspar, assessor da presidência do clube, usou sua conta em uma rede social para “abrir o verbo” em relação a Milton Cruz e também a alguns jogadores. Michel Bastos, Centurión, e até Rodrigo Caio foram alvos do assessor, que afirma que o seu pensamento não é o mesmo da diretoria. Após todo o alvoroço, Rodrigo Gaspar apagou os comentários, mas já era tarde.

Muitos esperaram uma atitude do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, em relação ao assessor, mas ele apenas afirmou que o mesmo continuará no cargo, e que seu pensamento não é o mesmo da diretoria, assim como Gaspar já havia afirmado.

- Um tema que restou do nosso insucesso do jogo de quarta-feira foi uma manifestação através de redes sociais de um assessor da presidência, sobre o qual eu quero dizer que já conversei com ele, já analisamos, foi verdadeiramente um erro, um equívoco cometido pela cabeça quente de alguém que sendo um dirigente e ele é uma pessoa correta e quer se redimir do erro que cometeu. E logicamente que não reflete o pensamento da diretoria.

Com isso, torcedores e imprensa não deixaram barato, e a presidência de Leco começou a ser novamente questionada. Inclusive, a Torcida Tricolor Independente está organizando um protesto para antes do jogo de domingo, contra o Rio Claro, com concentração na praça Charles Miller, de onde seguirão para a entrada utilizada pelo ônibus da delegação do São Paulo.

“Chega de humilhação, chega de palhaçada. O amor acabou. O Pacaembu vai virar um inferno”, foi o que se leu no perfil da torcida organizada em uma rede social.

Mas em meio à crise, talvez o são-paulino tenha um bom motivo para comparecer em peso no Pacaembu, mesmo sendo uma partida de menos expressão, pelo Paulistão.

Após chegar no clube, em janeiro, e ter passado por todas as etapas em seu processo de preparação, o zagueiro uruguaio, Diego Lugano, foi relacionado por Edgardo Bauza após o treino desta sexta-feira (19), e poderá fazer sua estreia já nesse domingo. “El Dío5” não esconde a ansiedade em vestir o manto e defender novamente o clube pelo qual foi tão vitorioso.

- Estou bem ansioso. Cada mês, cada semana, penso mais. Estou ansioso em treinar, jogar, voltar a vestir o manto sagrado e sentir o calor da torcida. Se ainda não tivesse esses desejos, não teria sentido voltar ao São Paulo, que é muito significativo na minha vida.

Assim como a torcida, Lugano está ciente de que sua missão é ajudar o clube, mas faz questão de frisar que somente sua presença pode não fazer tanta diferença, afinal, o futebol é um esporte coletivo.

- A torcida verá em campo o melhor que pode ter hoje, defendendo o São Paulo. Com a mesma fome, o mesmo respeito e a mesma vontade. Tomara que com os mesmos resultados da outra passagem. Que joguem a responsabilidade que quiserem. Vim aqui para isso. Mas que seja real ou não, é diferente. Não é como vocês imaginam, ou até melhor. Só o campo dirá. Vim aqui para ajudar, para ser mais um. O coletivo é tudo, não posso pensar que só a minha presença vai mudar tanto. Mas o torcedor que acreditar nisso, eu aceito.

E ainda acrescentou.

- O problema do time é o coletivo, sempre. Não só da defesa. Estamos nesse caminho, de fazer um time competitivo onde os defensores sejam atacantes, e os atacantes sejam defensores.

Imagem: Érico Leonan / saopaulofc.net 

Na quinta-feira, a chuva alagou o campo do CCT da Barra Funda, e atrapalhou os planos de começar o treino mais cedo. Edgardo Bauza aproveitou para conversar com os jogadores, e depois o elenco treinou no Reffis. Quando a chuva parou, os goleiros, os jogadores que estiveram pouco tempo na partida da noite anterior, e os reservas, assim como Lugano e Maicon, o novo reforço tricolor, trabalharam no campo.

No treino de sexta (19) foi possível observar mudanças para o confronto do final de semana, com um detalhado trabalho de ataque contra defesa. Hudson e Rodrigo Caio fizeram exercícios sob o olhar dos preparadores físicos, Alan Kardec trabalhou no Reffis, e o resto do elenco fez atividades no campo do CT, dividido em duas equipes. Wellington, que estava emprestado ao Internacional nas últimas temporadas, voltou a treinar em campo após ser suspenso por doping, na sua passagem pelo time colorado. O fim de sua punição ocorrerá somente em abril, e até lá, o jogador poderá trabalhar normalmente no CT.

Os titulares, sem a presença de zagueiros, atuaram com Bruno, Mena, Wesley, Thiago Mendes e Paulo Henrique Ganso; Centurión, Michel Bastos e Calleri, e precisavam envolver o rival e tentar chegar ao gol. Já a defesa, que tinha como missão cruzar o meio de campo com a bola dominada, foi composta por Denis; Caramelo, Lugano, Maicon e Matheus Reis; Luiz Eduardo, João Schmidt, Carlinhos e Auro.

Bauza parou a atividade diversas vezes para orientar o elenco, e terminou o treino com um trabalho de finalização, após investidas pelas laterais e cruzamentos.

Já nesse sábado, o treino foi aberto a alguns sócios-torcedores, que puderam acompanhar as atividades realizadas no CCT da Barra Funda, onde os jogadores disputaram o famoso rachão recreativo, com Calleri e Wesley roubando a cena, e arrancando elogios dos companheiros. A ideia era diminuir um pouco o mal-estar gerado nos últimos dias. Bauza acompanhou cada lance e orientou aos jogadores, principalmente os que fazem parte do sistema defensivo. O argentino também cobrou mais efetividade nas bolas paradas, fazendo com que seus comandados repetissem as cobranças por diversas vezes, e corrigiu alguns erros no posicionamento dos mesmos.

O São Paulo deverá ir a campo com força máxima, e uma coisa é certa: Lugano fará sua estreia, de fato, nesse domingo. A escalação mais provável é: Denis; Bruno, Rodrigo Caio, Lugano e Mena; Wesley, Thiago Mendes e Paulo Henrique Ganso; Centurión, Michel Bastos e Calleri, já que Kardec ainda não está à disposição do técnico argentino.

O trio de arbitragem será composto por José Cláudio Rocha Filho, acompanhado dos assistentes 1 e 2, Marcelo Carvalho Van Gasse e Diogo Correia dos Santos, respectivamente, e Demetrius Pinto Candançan como quarto árbitro.

O Tricolor precisa vencer, e para isso, será necessário esquecer os problemas, deixá-los na beira do gramado e entrar concentrado, com os jogadores sentindo o peso do manto sagrado.

 

Vamos São Paulo, pois #juntossomosmaisfortes!

 

Renata Chagas