COM A QUEDA, A SUPERAÇÃO

Que o jogo dessa quarta-feira seria difícil todos sabiam, assim como todos também sabiam que por mérito, o São Paulo chegou aonde chegou.

A “vida” do Tricolor na Libertadores foi mais difícil até do que se imaginou que seria, e o time desacreditado e eliminado na fase de grupos conseguiu ser um dos quatro melhores da América, mesmo que para muitos realmente não tenha sido, e semifinalista da competição.

Também não era bom o suficiente para encarar “mano a mano” a equipe de Reinaldo Rueda, e todos estavam cientes disso. Mas até o mais realista torcedor tricolor, mesmo sem acreditar numa possível classificação, tinha em mente que o seu São Paulo mais uma vez lutaria em busca de mais um capítulo histórico em toda a sua existência, até o apito final.

E assim foi, mesmo com o resultado já desenhado a favor dos donos da casa desde a primeira partida, no Morumbi.

Edgardo Bauza e seus comandados entraram em campo “eliminados”. O “não” já se tinha e restava aos jogadores a busca pelo “sim”. Afinal, por que não?!

No Atanásio Girardot lotado, com 45 mil torcedores Verdolagas fazendo a festa, festa essa digna de campeão da Libertadores (?), o inimaginável tão esperado pelos são paulinos aconteceu logo aos 8 minutos do primeiro tempo.

Pressionando os anfitriões, o São Paulo abriu o placar com o atacante e artilheiro da edição 2016 da competição, Jonathan Calleri, que finalizou de cabeça após cruzamento de Michel Bastos.

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Créditos: AP

O gol deu ânimo para os jogadores e esperança para os torcedores, que pediam aos deuses do futebol mais um, de olho na decisão por pênaltis.

Mas não adiantou muito, e o Atlético Nacional rápido e habilidoso que é, aproveitou a zaga aberta e em contra-ataque, Borja chutou e balançou a rede do goleiro Denis, empatando a partida.

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Créditos: Raul Arboleda / AP

Assim foi até o fim da etapa inicial, e até poderia ser um pouco diferente, caso a arbitragem tivesse assinalado um pênalti claro em Hudson, que foi derrubado com um empurrão após receber belo passe de Michel Bastos na área, já nos acréscimos.

No segundo tempo, Bauza sacou o volante para a entrada de Alan Kardec, o que levou o meio-campo a ficar instável e propício às investidas dos colombianos, que também aproveitavam as laterais ocupadas por Mena e Bruno, que não conseguiam acompanhar a velocidade dos donos da casa.

Aos 15, um milagre feito pelo camisa 2 do São Paulo salvou a equipe de tomar o 2º gol. Após Macnelly iniciar a jogada, Denis foi driblado por Borja e a bola sobrou para Berrío quase na pequena área. O atacante tentou, mas o chute foi bloqueado pelo lateral tricolor em cima da linha.

Bauza ainda promoveu Luiz Araújo e Carlinhos nas vagas de Centurión e Mena, aos 17 e 27 minutos, respectivamente.

Buscando uma brecha para ampliar o placar, o Tricolor viu o árbitro assistente marcar pênalti para o Atlético Nacional aos 30, após Guerra fazer um cruzamento e a bola bater na mão de Carlinhos, que tinha acabado de entrar.

Patricio Polic saiu distribuindo cartões amarelos para Lugano, Carlinhos e Wesley, pelo fato de não aceitarem a penalidade (reflexo daquele não marcado em Hudson).

Virada dos anfitriões e confusão, que terminou com Lugano e Wesley expulsos de campo, assim como o auxiliar Di Leo. Com tudo isso, o São Paulo conseguiu se segurar até o apito final, mesmo pressionado e com dois jogadores a menos.

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Créditos: Mauricio Dueñas Castañeda / EFE

Que o jogo dessa quarta-feira seria difícil todos sabiam, assim como todos também sabiam que por mérito, o São Paulo chegou aonde chegou.

Mas agora é bola pra frente. O Tricolor tem muito o que conseguir ainda. Cada jogo agora será uma luta a mais para que a equipe possa continuar mostrando o caráter que havia perdido, mas que reconquistou em sua participação nessa Libertadores. Jogadores e torcedores não devem desistir jamais, pois vem “com a queda, a superação”. E um dia a vitória há de chegar, e pra quem acredita, ela está mais próxima do que se imagina.

Como torcedora, chorei. Chorei não de tristeza, mas de raiva. Chorei sim, porque chegamos aonde todos achavam que não chegaríamos, mas por ironia do destino ou mesmo interferência humana, ficamos pelo meio do caminho e acabaram com nosso sonho. Mesmo assim, muito obrigada ao São Paulo Futebol Clube por me proporcionar momentos tão bons e únicos, desde o desespero na fase de grupos, até a glória da classificação no Horto!

Caímos de pé e de cabeça erguida, e é isso o que me faz amar ainda mais e cada vez mais!

 

Renata Chagas