COM DIGNIDADE E COM FERVOR

 

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Foto: Reprodução/Santos FC


E se eu te contar que até um dia antes do jogo eu achava que tudo estava perdido? Fui tola. Deixei de lado o que eu sempre costumei dizer: "o jogo só acaba quando o juiz apita". Eu não tinha mais esperança... E achava que boa parte da nação também.

Acredito que assim como eu, a esperança ressurgiu de uma forma assustadora. De poucos ingressos vendidos a esgotados no dia da partida... Há quanto tempo você, torcedor, não vê isso acontecer na Vila Belmiro? Vamos deixar de lado o comodismo da torcida, o valor dos ingressos... A esperança e a vontade de reverter o resultado dependia dos guerreiros em campo e da Vila voltar a ser aquele alçapão. E para ser "aquele" alçapão, o Santos precisava de nós. Nós acreditamos.

Há tempos eu não via um time cheio de garra, de vontade e determinação. Há tempos... E se alguém me disser que ontem o time fez corpo mole, por favor, nem continue a ler mais. O Santos jogou, lutou, se entregou. Aliás, se eu pudesse definir a partida do Santos em uma palavra, a palavra seria ENTREGA.

Se dentro de campo não faltou entrega, nas arquibancadas não faltou apoio. E que festa a nação santista fez! Coisa mais linda de se ver!

Mas faltou pouco, bem pouco. Saímos de campo vencedores, porém, sem a classificação. Que fica até pequena diante da grandeza da atuação santista e do baita jogão que Santos e Flamengo protagonizaram mais uma vez em solo alvinegro.

 

O JOGO

Vila Belmiro, 26 de julho de 2017, às 21h45. Jogo de volta pelas quartas de finais da Copa do Brasil, o Santos tinha a árdua missão de reverter o placar de 2 a 0 que o time do Flamengo conquistou na Ilha do Urubu.

O que era difícil ficou pior, quando aos 10 minutos do primeiro tempo, Diego deu um passe preciso para Berrio, que abriu o placar fazendo 1 a 0 para o Flamengo. Isso não foi suficiente para abater o time da Vila, que buscava à todo custo a classificação.

Em alguns momentos faltou técnica, mas a disposição e a raça compensaram. Bruno Henrique chutou de fora da área e mandou a bola na gaveta, sem chances para o goleiro Muralha. A Vila Belmiro incendiou.

Como toda decisão, sempre há uma polêmica envolvendo a arbitragem, aos 40 minutos, Lucas Lima lançou a bola para Bruno Henrique, que dividiu com Réver dentro da área e caiu, o árbitro Leandro Vuaden marcou pênalti. Pouco depois, foi chamado pelo quarto árbitro, Flávio Rodrigues de Souza, e voltou atrás, marcando escanteio para o desespero dos Santistas.

Logo no início da segunda etapa, com menos de 1 minuto, Guerrero sobrou livre e ampliou para os Rubro-negros, e as coisas se complicaram. O Santos precisava ir pra cima e foi, e como foi! Primeiro com Copete que empatou a partida, depois com o Victor Ferraz que ampliou para o time da casa.

O Santos precisava de mais dois gols para carimbar o passaporte e ir direto para as semifinais. Aos 35 minutos, Rafael Longuine que entrou no lugar de Vecchio, perdeu uma chance inacreditável futebol clube, mas no minuto final, Copete marcou outro gol e o juiz apitou o fim da partida, que terminou 4 a 2 para o Santos.

O time saiu aplaudido mesmo após a eliminação, nos despedimos da Copa do Brasil com dignidade e cabeça erguida, fazendo como manda o hino: Lutar com fé e com ardor.

 

Carla Letícia e Carolina Ribeiro