Complicou! O Palmeiras perde mais uma na Libertadores. Derrota que ninguém acha justo colocar na conta de Cuca! Mas então, quem paga esse pato?

(Foto: Globo Esporte)

A estreia do técnico Cuca no comando do Verdão, não podia ser pior. O time perdeu mais uma partida e complicou muito a sua situação na primeira fase da Libertadores da América.

Chegando numa semana decisiva, o novo comandante tinha a missão de vencer o duro duelo contra o Nacional-URU fora de casa.

Todos sabiam que a tarefa não era fácil, mas o que ninguém imaginava, é que o Palmeiras entraria em campo tão perdido. O que se viu no primeiro tempo, foi um time acuado, desarticulado e sem nenhuma criatividade.

A proposta de Cuca foi mudar completamente o esquema tático que o time vinha jogando, armando um 4-4-2, que não funcionou. O adversário teve muita facilidade de dominar a partida, em virtude da quantidade de espaços deixados e de erros primários. O Palmeiras não acertava um passe de dois metros.

Jogadores que sempre fazem a diferença, como Dudu e Zé Roberto, estavam irreconhecíveis ontem. E os laterais Lucas e Egídio, fizeram com certeza, uma das partidas mais horrendas de sua carreira no Palmeiras. Foi sofrível.

O Nacional pressionava todas as saídas de bola e logo no início, assustou com a chegada de Barcia e na sequência a falta cobrada por Nuno Lopez. Prass acalmou tudo dentro na área.

Além de jogar contra os próprios erros, o time alviverde enfrentava a pressão da torcida adversária, que lotou o Parque Central e contra a postura agressiva dos uruguaios, que não era coibida pela arbitragem.

Apenas aos quarenta e cinco minutos, o Palmeiras mostrou que também estava em campo. Egídio conseguiu se livrar da marcação e lançou Alecsandro, que tentou enfiar para Allione finalizar, mas o jogador Polenta estava no lance.

Tudo foi assistido atentamente por Cuca, que parecia bastante preocupado com o que via.

Na segunda etapa, o Verdão já entrou em campo com as substituições de Gabriel Jesus e Robinho, no lugar de Allione e Egídio, respectivamente. A mudança parecia ter trazido a liga que o time precisava. Aos dois minutos, Robinho sai com a bola dominada do meio-campo e lança Jesus que estava cara a cara com o gol, ele chuta, mas chuta muito mal, nas mãos do goleiro Conde.

Um dos "Dez Mandamentos" dos deuses do futebol, é que um craque nunca pode perder gol em partidas decisivas. Ainda mais na etapa complementar. Sob pena de o time receber o castigo imediato. Quem não conhece o mandamento número cinco? "Farás sempre o gol da vitória. Porque quem não faz, leva".

Foi exatamente o aconteceu em Montevidéu. No lance seguinte, Fernandez conseguiu dominar uma bola e lançou o jogador Ramirez, que facilmente se livrou do frágil Lucas. Ele viu a defesa do Palmeiras dormindo e Nuno Lopez livre na área. Ficou fácil deslocar Fernando Prass e enfiar a bola para dentro da rede.

O adversário retrancou para segurar o resultado, mas nem isso, conseguiu chamar o Palmeiras para o jogo. O time, que de fato, havia melhorado em relação ao primeiro tempo, não conseguia se acalmar para criar uma jogada efetiva. Os nervos estavam à flor da pele.

O que restava ao novo comandante era ir para o "tudo ou nada" e usar toda a força ofensiva para cima do adversário. Aos vinte e dois minutos, o volante Gabriel, que retornava ao time nessa partida, foi substituído pelo atacante Barrios.

Outra dinâmica era proposta ao jogo. Robinho deslocava-se para jogar diretamente com o volante Arouca e dar gás ao, agora quarteto, de ataque.

Aos vinte e três minutos, uma boa chance. Lucas cruzou para Barrios, que tentou enfiar "de letra", jogada que é marca registrada do nosso atacante paraguaio, mas a defesa adversária afastou o perigo na área.

Edu Dracena ainda tentou uma jogada aérea, mas a cabeçada do zagueiro, não chegou a tirar tinta da trave. E já nos acréscimos, Alecsandro recebeu um belo passe de Dudu e chutou forte, uma ótima jogada, que infelizmente foi bem defendida pelo goleiro uruguaio.

Como no primeiro jogo no Allianz Parque, o time do Nacional, provocou o Palmeiras e fez uma cera vergonhosa na cara do trio de arbitragem. Os jogadores do Verdão entraram na pressão psicológica e jogo teve cenas de muita confusão, com todo mundo se estranhando a cada lance mais "pegado".

Cenas feias dentro e fora de campo. Um dos torcedores adversários protagonizou uma atitude deplorável e antiesportiva: imitou um macaco quando Gabriel Jesus pegou na bola. Lamentável, para um esporte tão bonito e nobre como o futebol.

O time de Cuca, não conseguiu nem o empate sobre a equipe da casa. E essa derrota põe o time numa situação bastante delicada na competição, precisando ganhar de qualquer jeito o próximo confronto contra o Rosário Central.

Mas é claro, que mesmo com a irritação pela derrota e a indignação de ver o time apresentar um futebol de baixa qualidade tática, ninguém ousa culpar o recém-chegado comandante. Conscientes de que algumas horas de treino, não são suficientes para mudar uma realidade.

Mas a incômoda pergunta precisa ser respondida: então, de quem é essa conta? Quem paga esse pato?

O torcedor espera que essa resposta que seja dada rapidamente, antes que o pato se transforme em mico.

Alê Moitas