COPA DO BRASIL: MAIS UMA VEZ, O FIM DO SONHO ALVIRRUBRO

Eu sou de junho de 1993, e comecei a torcer pelo Bangu por influência de amigos na adolescência, em 2008, ano em que o time foi campeão da segunda divisão do Campeonato Carioca. Eu não vivi o tempo do Castor: não vi o Bangu de craques como Ado e Marinho, que deu tanto trabalho nos anos 80 e chegou a ser vice-campeão brasileiro. 

Para as pessoas da minha geração, que já se acostumaram com o fato de que o time passa a maior do ano sem calendário após os torneios estaduais, ver o Bangu disputando um campeonato de nível nacional é um acontecimento raro, e por isso, muito especial. E o jogo contra o Oeste (SP), mesmo às quatro da tarde de uma quarta-feira chuvosa, foi uma dessas ocasiões: era o Bangu na Copa do Brasil. Sinceramente, nesse momento poucas coisas na minha vida seriam mais importante do que isso. 

Porém, infelizmente esse sentimento de urgência parece só existir mesmo entre os torcedores, já que os dirigentes não demonstram compartilhar da mesma vontade de ver o time com projeção nacional. Basta ver o estado do gramado de Moça Bonita para a partida, com uma reforma incompleta que deixou metade do campo esburacado e virou piada nas transmissões. Ou a ausência de iluminação adequada no campo, que impede a realização de jogos à noite - um problema crônico do estádio Proletário, que jamais foi resolvido de maneira efetiva. Sem esquecer, claro, da maior das reclamações dos banguenses neste início de ano: a injustificável permanência do técnico Eduardo Allax e sua recusa em montar um time que jogue um futebol verdadeiramente ofensivo. A retranca idealizada por Allax associada a um time de pouquíssima qualidade nas finalizações não podia ter outro resultado: 1x1, resultado que classificou o Oeste (SP) para a segunda fase da competição. 

 

Bangu x Oeste (Foto: João Carlos Gomes/Bangu)

 

No início do jogo, a sorte até parecia estar a nosso favor. O Bangu abriu o placar logo aos 11 minutos com Rodrigo Lobão, que cabeceou para o gol após cobrança de escanteio de Rodrigo Yuri. O resultado classificava o Alvirrubro, mas 1x0 não é placar quando se precisa da vitória. O Bangu desconsiderou isso, e permitiu que o Oeste passasse a chegar na área com mais facilidade. Porém, com o gramado muito danificado e encharcado pelas fortes chuvas dos últimos dias, além da baixa qualidade técnica dos atletas dos dois lados, nenhum dos dois times conseguia concluir as jogadas.

Após o intervalo, o Oeste voltou fazendo tudo que o Bangu deveria ter feito desde o início para garantir a classificação sem sufoco: reforçou o setor ofensivo, trocou passes e soube trabalhar a posse de bola com tranquilidade. A recompensa veio rápido: após cruzamento de Éder Sciola, o lateral Alyson subiu sozinho na área e cabeceou para o gol de Matheus Inácio, empatando o jogo e dando a classificação para o time paulista. Com o estrago já feito, Eduardo Allax ainda tentou dar mais qualidade ao ataque com Rocha e Octávio. Aliás, veio dos pés de Octávio a melhor chance do Bangu no segundo tempo, quando o camisa 20 acertou um chute da entrada da área e mandou a bola direto no travessão. A sobra ficou com Rhainer, que acabou isolando. 

Nos minutos finais, o Alvirrubro ainda tentou pressionar o adversário, mas sem sucesso. O empate classificou o time paulista para enfrentar o Ceará na próxima fase. Já o Bangu viu escapar mais uma vez a oportunidade de voltar a estampar suas cores pelos caminhos do futebol brasileiro. E aos banguenses, resta aguardar o início do segundo turno do Estadual, em março, e torcer para que por algum milagre o time se mantenha distante da zona da Seletiva. Em maio teremos ainda o início da disputa da série D do Campeonato Brasileiro, mas até eu que sempre fui otimista estou descrente de qualquer possibilidade de sucesso na competição. E aos poucos, de erro em erro, de derrota em derrota (e de passagem em passagem do Allax pelo time) nós vamos voltando à mediocridade no cenário nacional e nos afastando cada vez mais daquele Bangu glorioso que eu não conheci. Sorte de quem viveu o tempo do Castor. 

 

Bangu 1 x 1 Oeste (SP) 

Copa do Brasil, 1ª fase - 12/02/2020 às 16h

Local: Estádio Proletário Guilherme da Silveira (Moça Bonita) - Rio de Janeiro/RJ

Árbitro: Vinícius Gomes do Amaral (RS)

Assistentes: Eduardo Bernardi (RS) e Luiza Naujorks Reis (RS)

Bangu:
Matheus Inácio; Raul (Octávio, 18'/2ºT), Michel, Rodrigo Lobão e Dieyson; Felipe Dias, Josiel, Rodrigo Yuri e Juliano (Rocha, 7'/2ºT); Jairinho (Juan Felipe, 36'/2ºT) e Rhainer. Técnico: Eduardo Allax.

Oeste (SP):
Felipe Lacerda; Éder Sciola, Lídio, Betinho e Alyson (Salomão, 30'/2ºT); Mantuan, Matheus Jussa, Roberto e Fabrício Oya (Matheus Oliveira, intervalo) Marlon e João Paulo (Bruno Paraíba, intervalo). Técnico: Renan Freitas.

Cartões amarelos: Felipe Dias, Juliano e Rocha (BAN); Alyson, Lídio e Betinho (OES)

Gol: Rodrigo Lobão, 11'/1ºT (1-0); Alyson, 6'/2ºT (1-1)

 

Por: Gabriella Lima

 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo.