D’ALESSANDRO FUTEBOL CLUBE

 

(Foto: Ricardo Duarte)


 

O mês de abril é especial para a torcida do Internacional. Além de comemorar o aniversário do clube e de seu estádio, o torcedor alvirrubro tem a honra de celebrar o aniversário de um de seus maiores ídolos. Inter e D’Alessandro estão juntos, como se um tivesse nascido para o outro. E nasceram. 

Andrés Nicolás D’Alessandro nasceu no dia 15 de abril de 1981, em Buenos Aires, Argentina. Desde cedo colocou sua perna esquerda para jogo e começou sua caminhada no futebol no River Plate, ainda nas categorias de base. Com a camisa dos Los Millonarios, D’Alessandro conquistou três campeonatos argentinos (em 2000, 2001 e 2006), e Copa da Argentina e Recopa Sul-Americana em 2016, na sua segunda passagem pelo clube que o revelou. O talento do meio-campista o levou à Seleção Argentina. Pela Albiceleste conquistou o Mundial Sub-20 de 2001 e as Olimpíadas de 2004. 

D’Alessandro cruzou o oceano para se aventurar na Europa. No velho continente teve passagens pelo Wolfsburg, Portsmouth e Zaragoza. Em 2008 resolveu voltar para sua terra natal para jogar no San Lorenzo. No mesmo ano se iniciaria uma das mais lindas histórias de amor do futebol. 

Quis o destino que D’Alessandro e Internacional se encontrassem no dia 30 de julho de 2008, há quase 12 anos. O gringo foi recebido no aeroporto Salgado Filho por centenas de colorados, como se de alguma forma já soubéssemos que ele faria história. Mas ninguém imaginou que seria tão gloriosa e duradoura. 

Inter e D’Alessandro foram amor à primeira vista, daqueles que só vemos em filme. E os primeiros meses já reservam fortes emoções. Com D’Alessandro em campo, o Inter foi campeão da Sul-Americana, fato inédito para um clube brasileiro. Dois anos depois, o bicampeonato da Libertadores, título que é o principal de sua carreira.

Ao todo são 13 títulos com a camisa colorada, 484 jogos e 94 gols. Além disso, o gringo é o argentino que mais disputou uma libertadores, são 87 jogos. Mas quando se trata de D’Alessandro, os títulos e números ficam em segundo plano. Andrés Nicolás D'Alessandro é sinônimo de amor à camisa e um representante da torcida. 

Todo torcedor que viu o camisa 10 jogar tem um pouco dele em si. E não é diferente com as colunistas coloradas no Blog Mulheres em Campo. Como forma de homenagem, Ingrid Fochezatto e Jessica Salini contam o que D’Alessandro representa para elas. 

 

(Foto: @Libertadores)



 

INTER, D’ALE E INGRID 

Se até 2008 eu era Sport Club Internacional, a partir daí eu também me tornei D’Alessandro Futebol Clube. O gringo chegou em um momento no qual me vi tomada por incertezas: “o que seria do Inter ser Fernandão?”. É óbvio que nosso eterno capitão fez e faz falta, mas naquele momento sua ausência foi sendo preenchida por um canhoto marrento que mostrou um futebol que eu jamais tinha visto. Com o tempo, a admiração foi crescendo e ele se tornou meu maior ídolo no futebol, daqueles que a gente se enche de orgulho em dizer que admira. 

Eu sei que o D’Alessandro está eternizado na história do Internacional. Sei que ele também será eterno nos nossos corações. Costumo dizer que eu venero o D’Alessandro. E venero mesmo. Sei o que ele significa, o que ele representa, a comoção que ele causa.

Sei o que ele fez, faz e ainda fará pelo clube. São poucos os que deixariam para trás uma Libertadores para disputar uma Série B, sem reclamar ou se envergonhar. Sei que cada vez que ele entra em campo é um novo capítulo sendo escrito. Sei que a história está acontecendo perante os meus olhos, e sei que tenho muita sorte de admirá-la. E sei também que cada 90 minutos a mais é 90 minutos lá na frente, e não estou preparada para quando sua carreira chegar ao fim. 

Nesses últimos anos aprendi que cada minuto ao lado do D’Ale é um infinito de memórias. Que história não se compra. Que caráter e comprometimento não se negociam. Aprendi que a única coisa que eu posso fazer é agradecer por um dia ele ter vindo para o Colorado. Quando ele pisou em Porto Alegre pela primeira vez, a história do Inter ganhou um novo sentido, um novo caminho que é conduzido pelo D’Alessandro.

Nem parece que já são quase 12 anos. Anos de cumplicidade entre um ídolo e sua torcida!

 

 

(Foto: Reprodução Internet)

 

INTER, D’ALE E JESSICA

 

Nascido para jogar no Inter e vindo de terras hermanas, D’Alessandro é diferente. D’Ale é de uma safra de jogadores que não se fabricam mais, os que honram sua torcida dentro de campo com o mesmo coração torcedor que bate na arquibancada.

Quando ele chegou, o olhar ambicioso e logo apaixonado pela torcida, a maneira como ele sempre reverenciou o Internacional, não somente como o pagador de seu salário, mas com sentimento.

D’Alessandro é gigante, quem olha aquele baixinho na cancha muitas vezes não faz ideia de quantos adversários já ficaram no chão, o La Boba já pôs para dançar dentro das quatro linhas uma infinidade de corajosos, nunca falha.

Ele chegou e eu vi seus olhos brilharem, ele me fez cantar, chorar, pular de emoção, houveram dias em que a 10 do canhoto e a 9 de quem é eterno fizeram uma dupla imbatível, um dentro e um fora de campo. Quando o capitão partiu, já não havia outro a ficar em seu lugar, o 9 desenhado na braçadeira e carregado por um gênio que dividiu tanto amor.

O baixinho fez de mim antes e depois de D’Ale, a magia e a lealdade que ele tem dentro de campo me fizeram melhor torcedora, mil vezes melhor.

Quando eu o vi ir embora, quando eu o vi chorar as mesmas lágrimas de tristeza, de dor e de uma despedida, ainda assim eu nunca deixei de ter fé no maior camisa 10 que eu vi jogar.

Os dias foram difíceis e nossa história foi manchada, foi julgada, foi machucada, quando os dias se tornaram extremamente dolorosos por uma queda covarde, eu o vi bater a porta com o mesmo sentimento, trocou uma libertadores em um River Plate tão seu, deixou de lado oportunidade tão gigante de fazer uma temporada rodada por conquistas, pegou para si novamente a braçadeira e levou de novo o Colorado para onde nunca deveria ter saído.

Se hoje tu completas mais um ano, num momento tão atípico e até assustador, se hoje tu te aproximas um pouquinho mais daquele dia que colorado nenhum espera ver chegar, hoje tu também comemora uma trajetória escrita em dourado em todos estes corações vermelhos e brancos.

De todos os teus gols, títulos e feitos o que eu mais comemoro é de tu teres escolhido fazer da minha casa, tua também.

 

Com amor, gratidão e respeito, Ingrid Fochezatto e Jessica Salini

 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo.