De desacreditado a organizado: São Paulo de Bauza abre o placar, mas perde pontos preciosos após falha de Denis.

Enfim chegou o tão aguardado dia... O dia do jogo da vida. A noite do 10 de março, tão esperada por todos, são-paulinos ou não. Ela chegou, e passou. E foi melhor do que se desejava, e pior do que se imaginava.

Os jogos do dia anterior, para as equipes brasileiras, não foram bons, o que só fez aumentar a pressão em cima do São Paulo, que viu dois dos seus principais rivais perderem, mesmo sendo os favoritos para as partidas.

Os olhos de muitos estavam voltados para as telinhas, e acompanhavam a linda festa que a torcida fazia no estádio Monumental de Núñez, e muitos desses esperavam uma goleada do River Plate, atual campeão da Libertadores da América sobre o Tricolor, que de fato, vem demonstrando ser o time mais instável, e também o que mais tem deixado a desejar, futebolisticamente falando, nas competições que participa.

Até hoje a derrota para o The Strongest, na primeira rodada da fase de grupos da Libertadores, é sentida e refletida em campo, mas nessa noite foi diferente. Bauza e seus comandados sabiam, mais que ninguém, que precisava ser diferente, até pelo fato de todos terem sido publicamente cobrados pelo diretor executivo de futebol, Gustavo Vieira, em entrevista coletiva concedida no início da semana, após a derrota para o São Bernardo.

Mais competitivo, o São Paulo foi a campo com Denis; Bruno, Lugano, Maicon e Mena; Hudson e Thiago Mendes; Centurión, Ganso e Carlinhos; e Calleri.

Nos primeiros minutos de jogo, Bauza preferiu não expor muito a equipe, deixando o time mais recuado em seu campo de defesa, o que levou os anfitriões a tentarem abrir o placar.

Aos 6 minutos, Mercado cabeceou em frente ao gol e acertou o travessão, após uma cobrança de escanteio. Em seguida, Alario chutou firme, depois de avançar pela direita e se livrar de Mena. Denis defendeu.

Ainda recuado, o São Paulo abriu o placar aos 17 minutos, com o Maestro Paulo Henrique Ganso, que chutou de primeira e com a perna esquerda, acertando o canto direito do goleiro Barovero. Tricolor 1x0, e um resultado inesperado por todos. Nem o mais otimista, apaixonado e fiel torcedor esperava um time organizado, cheio de raça e força de vontade... Mas o futebol é assim, sempre uma caixinha de surpresas, sejam elas boas ou ruins.

(Imagem: Guia do Boleiro) 

Ganso, o Maestro, nos últimos 3 jogos, 3 gols. O camisa 10 parece ter desencantado, e também resolveu responder em campo à campanha #ChutaGanso, criada por torcedores em uma rede social. O meia tem tudo para voltar a jogar como antes, basta ele querer e aceitar que pode e é capaz.

Mesmo com a vantagem no placar, o São Paulo se manteve acuado, e os millonarios continuavam em busca do gol de empate. Mas a dupla Lugano/Maicon executava muito bem a tarefa de defender a zaga, contendo de forma precisa as investidas do River.

(Imagem: EFE) 

Porém, mesmo com o time se mantendo firme e com o resultado ao seu favor, aconteceu o que nem o mais pessimista torcedor poderia imaginar.

Aos 32 minutos, após cobrança de escanteio, Denis, ao invés de tentar segurar, socou a bola para o meio da área. A redondinha bateu nas costas do volante tricolor Thiago Mendes, que no momento saía para o contra-ataque. Gol contra e por cobertura, ainda por cima.

(Imagem: Natacha Pisarenko/AP)

Um lance inacreditável, que acabou jogando um balde de água fria no São Paulo. Mas o time de Bauza não se deixou abater, e antes do intervalo, ainda criou duas boas chances, com Maicon e Calleri. Aos 45, o zagueiro correu para o ataque e cabeceou, mas Barovero defendeu. Depois, Jonathan Calleri pressionou a saída de bola do goleiro, e foi derrubado, mas o juiz nada marcou, apesar das muitas reclamações.

O início da etapa complementar teve disputa boa no meio-campo, e o Tricolor assustando aos poucos, mas sem sucesso.

Aos 13, Calleri perdeu a chance de ampliar o resultado. O atacante mandou por cima do gol, de carrinho, após cruzamento perfeito de Mena.

Centurión, que foi bem na posição, durante a partida sofreu uma falta que o árbitro não viu, mas que o levou a deixar o campo com dores. Michel Bastos entrou em seu lugar.

Sem muitas mudanças no estilo de jogo, a partida continuou praticamente igual, e com o São Paulo ainda em busca do gol, mas com muitas chances perdidas.

O River ainda teve oprtunidade com D’Alessandro e Alonso, aos 28 e 30 minutos, respectivamente, e o Tricolor ainda reclamou um pênalti em Thiago Mendes, aos 36, mas novamente a arbitragem nada marcou.

Com o empate, a equipe de Bauza conseguiu seu primeiro ponto na competição, e ocupa o terceiro lugar do Grupo 1. The Strongest e River Plate estão nas duas primeiras colocações, com 6 e 4 pontos.

Antes de ir até a Venezuela encarar seu próximo desafio na Libertadores, na próxima quarta-feira (16), contra o Trujillanos, o São Paulo fará o Choque-Rei no domingo (13), às 11h (Brasília), no Pacaembu. A partida teve local e horário modificados, por conta da reforma do gramado do Morumbi, que ainda não foi concluída, e pelas manifestações que ocorrerão durante a tarde, na Avenida Paulista, próximas ao estádio.

De desacreditado a organizado, é esse São Paulo que o torcedor quer ver em campo. Um São Paulo cheio de vontade, mesmo que os gols não saiam. Um São Paulo criativo e corajoso, mesmo na defensiva. Um São Paulo compactado e firme na zaga, sem deixar uma bola passar. Um São Paulo sintonizado, com os jogadores em harmonia, conectados pela simples, mas enorme, vontade de vencer...  


Renata Chagas