De herói a vilão em questão de minutos, Ganso marca, perde pênalti, e o Tricolor empata com o Trujillanos na Venezuela.

Na noite desta quarta-feira (16), o torcedor são-paulino, mais uma vez, teve motivos para acreditar na vitória, mas ao mesmo tempo, muitos mais motivos para não acreditar no amargo empate com gosto de derrota.

De um lado, um Trujillanos que perdeu seus dois primeiros jogos, com um gol (feito contra o The Strongest, no dia 2 de março), mas sem nenhum ponto na competição. Do outro, um São Paulo oscilante, que perdeu seu primeiro jogo e empatou o segundo, com a missão de vencer e tentar se manter vivo para a próxima fase.

Em Valera, na Venezuela, mais uma vez a equipe do Morumbi teve boas chances de garantir três pontos, mas de tanto perder as oportunidades, conseguiu apenas continuar escrevendo seus piores momentos na edição 2016 da Copa Libertadores da América.

Hoje, o Tricolor em suas três partidas, possui 22% de aproveitamento, batendo seu próprio recorde de forma bem negativa, já que seu pior desempenho foi de 33% em três jogos na edição de 87, último ano em que o clube saiu da competição na fase de grupos. A pior campanha da história do São Paulo Futebol Clube, que vê sua participação ameaçada, e sua classificação cada vez mais difícil, sendo praticamente impossível.

Após 29h de viagem até o local do confronto e mais o desgaste físico, Bauza escalou para a partida o goleiro Denis; Lugano e Rodrigo Caio na zaga, acompanhados de Bruno e Mena nas laterais; Hudson e Thiago Mendes como volantes, Ganso como meia-armador, Centurión e Carlinhos nas pontas, e Alan Kardec como o homem de referência.

(Imagem: Rubens Chiri / saopauloc.net) 

Antes do apito inicial, a organização do jogo (nada organizada!) tocou o hino da Argentina no lugar do hino nacional brasileiro. Além disso, o Tricolor ainda precisou lidar com o péssimo gramado do estádio José Alberto Pérez, ponto negativo que levou as duas equipes a fazerem um fraco primeiro tempo, tendo grandes dificuldades na partida, até mesmo em simples trocas de passes. Mas mesmo com tudo isso, os comandados de Bauza logo se adaptaram ao campo, mantendo o equilíbrio do jogo.

A disputa era visível, principalmente no meio de campo, mas os times mais erravam do que acertavam, apesar de algumas chances criadas. E mesmo com mais posse de bola, o São Paulo, sem aproveitar as oportunidades com Alan Kardec (que reclama indiretamente para entrar no jogo, mas quando está em campo nada faz!), mais uma vez foi castigado pelo dito popular futebolístico “quem não faz, leva”...

Aos 35 minutos, Granados fez um cruzamento da direita e Rojas, aproveitando a oportunidade, subiu mais que Lugano e cabeceou a bola de forma precisa na rede do goleiro Denis, que sem sucesso, nada pôde fazer. 1 a 0 para os anfitriões, mais um gol na conta e três pontos, que só não vieram graças ao gol de empate do São Paulo, 2 minutos depois.

Thiago Mendes cruzou, Paulo Henrique Ganso recebeu a bola e chutou firme e rasteiro, da entrada da área, marcando o tento tricolor. O quarto gol do meia nos últimos 5 jogos, e o 5º nessa temporada. A campanha #ChutaGanso continuará, pois ao que parece, está dando certo.

(Imagem: Fernando Llano / AP Photo) 

Na etapa complementar, o São Paulo tinha mais domínio de jogo, e até tentava aumentar o placar, mas parava na marcação dos venezuelanos.

A grande chance veio aos 18 minutos, quando Carlinhos foi derrubado por Granados e sofreu um pênalti, marcado pelo árbitro. O São Paulo não tem um batedor oficial, e Ganso, chamando a responsabilidade, foi para a cobrança. Naquele momento somente o gol da virada interessava, e ninguém esperava que, na mesma noite em que o camisa 10 foi herói, também seria vilão.

O meia, talvez tomado pelo nervosismo de ter o futuro da partida em seus pés, chutou bem, mas embaixo da bola, que acabou batendo no travessão. O terceiro pênalti desperdiçado em quatro marcados no ano de 2016.  

(Imagem: Globo Esporte)

Da mesma forma que a oportunidade de conseguir ampliar o resultado veio, ela se foi.

Aos 19 minutos, Bruno se contundiu. Foi sacado por Edgardo Bauza, que promoveu a entrada de Caramelo. Aos 23, Rogério entrou no lugar de Centurión (que mais uma vez, deixou a desejar!), e Kelvin ficou com a vaga de Carlinhos, aos 28.

O atacante Cabezas ainda teve a chance de dar a vitória ao time da casa, mas seu chute foi pra fora, após ficar cara a cara com Denis. Ganso e Rogério também tiveram oportunidade, mas foram bloqueados pelos venezuelanos. O São Paulo tentou até o final da partida, mas de nada adiantou.

Seis cartões amarelos foram distribuídos pelo árbitro durante o jogo, sendo três para Mateus Caramelo, Carlinhos e Rodrigo Caio, do São Paulo; e três para os jogadores do Trujillanos, Paez, Cova e Cabezas.

Mais um empate com gosto de derrota, um terceiro lugar na tabela de classificação do Grupo 1, e dois pontos, dos nove até então disputados. E a situação poderia ser pior, mas The Strongest e River Plate apenas empataram nessa rodada, somando um ponto cada. Os bolivianos ocupam a 1ª colocação, com 7 pontos, e os argentinos, com 5, a 2ª.

Pela Libertadores, o próximo desafio do São Paulo é o próprio Trujillanos, no dia 05 de abril, às 21h45 (Brasília). A partida será realizada no Morumbi. No dia 13, o Tricolor receberá o River Plate, e dia 21, viajará até La Paz, na Bolívia, para o jogo contra o The Strongest.

Todos sabem que, com o empate de ontem, a classificação tornou-se mais difícil, e mais ainda pelo simples fato do São Paulo não ganhar três partidas consecutivas há 7 anos. Bauza e seus comandados sabem que somente 100% de aproveitamento nos jogos restantes poderão “dar uma aliviada” para que o time passe às oitavas, e sabem também que será complicado.

“A situação ficou complicadíssima. Se quiser classificar, tem de vencer os três jogos, não resta alternativa”, disse Paulo Henrique Ganso.

O meia também falou sobre a partida contra o Trujillanos.

“Não acho que tenha faltado vontade. Nós tivemos chances e um pênalti perdido. Poderíamos ter vencido”.

O São Paulo não está nada bem. O futuro da equipe na Copa Libertadores, e também no Campeonato Paulista, é incerto. O torcedor está, além de ansioso, com medo do que virá pela frente. O São Paulo Futebol Clube passa por dias tenebrosos, numa tempestade em que ele se meteu, e só ele mesmo poderá sair, pois até o mais fiel e fervoroso torcedor, já perdeu a vontade de pedir “ajuda” para um clube sem vontade.

Renata Chagas