De Minas Gerais para os braços da Fiel: Danilo - O Zidane do povo!

É possível um jogador virar ídolo antes de encerrar sua carreira e ainda atuando por um clube? Para alguns, não. Quando se trata dele, sim. Danilo Gabriel de Andrade é a exceção de muitas regras. Afinal, jogador de futebol tem que ser raçudo, ter espírito de várzea, jogar no instinto, não é mesmo? Isso não se aplica à ele. Dono de um futebol elegante e decisivo, Danilo joga com a frieza e a tranquilidade de quem pesca: Joga a isca e, no momento certo, iça o peixe. Tudo no tempo certo, como sempre foi na carreira do atleta.

Nascido na pequena cidade de São Gotardo (hoje com cerca de 34 mil habitantes) em 11 de junho de 1979, Danilo deu seus primeiros passos como jogador de futebol nas escolinhas da cidade de Ibiá. Um dos maiores incentivadores da carreira do jogador, certamente foi seu treinador das épocas de escolinhas, conhecido carinhosamente como Pelézinho. Nascia para o futebol um ídolo.

De Ibiá ao Japão: Uma carreira vitoriosa

Em 1996, aos 17 anos, Danilo teve sua primeira oportunidade na base de um clube: Jogou na categoria juvenil do clube da cidade onde nasceu, o Sparta Esporte Clube São Gotardo – MG. Foi lá que, durante um torneio, o meia despertou interesse de um dos clubes mais tradicionais do país, o Goiás.

Transferido para a equipe Goiana, teve sua oportunidade no time principal só em 1999, já aos 20 anos. Permaneceu no clube até 2003, sendo campeão Goiano nos anos de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003; campeão brasileiro da série B 1999 e campeão da copa centro-oeste nos anos de 2000, 2001 e 2002.

Time campeão da série B 1999 e Danilo como um dos destaques do Goianão 2001. Fonte: Reprodução Internet/Coleções e Comics

Após tantas conquistas pelos lados do centro-oeste, em 2004, Danilo retornou ao sudeste, dessa vez não mais para Minas Gerais: O meia foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube, onde conquistou seus primeiros títulos internacionais.

Fazendo brilhantemente a função de meia-armador, nosso ídolo chegou, aos 26 anos, no auge da carreira para muitos jogadores: Campeão Paulista, da Libertadores da América e do Mundial Interclubes do ano de 2005. Ainda pelo São Paulo, integrou o time campeão brasileiro de 2006, encerrando sua passagem pelo clube do Morumbi.

Como sempre, muito vitorioso: Danilo e a equipe campeã da Libertadores e do Mundial 2005 pelo São Paulo.

 Fonte: Uol Esportes

Os próximos anos seriam outro lado do mundo: Contratado pelo Kashima Antlers, seria surpreendente se não tivesse seguido sua sina: Mais títulos.

Pela equipe japonesa, entre os anos de 2007 e 2009 foi três vezes campeão japonês e ainda venceu a Copa do Imperador em 2007 e a Supercopa do Japão em 2009.

Campeão da Supercopa Japão 2009. Fonte: Kashima Antlers Brasil

Com o contrato com o Kashima acabando no final do ano de 2009, era hora então de pousar no ninho dos Gaviões.

Em terra de Gavião...

Foi no ano do centenário, após pedidos encarecidos da torcida alvinegra por um meia de ofício para reger o meio de campo do Timão, que ele chegou. Com seu jeito calado, sem muita badalação e com jeito de Corinthians, em sua primeira entrevista coletiva disse que um de seus principais objetivos era conquistar a torcida Corinthiana.

O meia é oficialmente apresentado após chegada ao Corinthians. Fonte: Esportes Terra

O primeiro passo para isso foi dado em um de seus primeiros jogos com a camisa do Timão, contra um de nossos maiores rivais: Danilo fez valer a lei do ex e fez seu primeiro gol com o manto em uma vitória por 4x3 sobre o São Paulo no Pacaembu.

Apesar da boa chegada, teve maior destaque no clube do Parque São Jorge só no ano seguinte, em 2011. Após ser pouco utilizado no trágico inicio de ano onde o Timão foi eliminado pelo Tolima na primeira fase da Taça Libertadores, foi um dos destaques e peças-chave para a quinta taça do Brasileirão do Corinthians e sua segunda da carreira. A principal atuação de Danilo naquele ano, certamente foi na inesquecível goleada por 5x0 sobre o São Paulo, onde o nosso ídolo marcou um gol e participou de outros três. Além disso, foi o que mais atuou pelo time naquele ano e conquistou a marca de maior “garçom” daquela edição do Campeonato Brasileiro.

Já em 2012, bancando o técnico Tite e ainda receoso pela última eliminação, o Corinthians retornou à Libertadores com força total. Danilo foi extremamente importante na primeira fase da competição, anotando três gols e sendo muito participativo em todos os jogos. Tornou-se um dos pilares do time e um dos homens de confiança do professor Tite.

No dia 20 de junho de 20nte12, Danilo teve um de seus maiores momentos no Timão: Era semifinal da Taça Libertadores contra o Santos. Tendo ganhado por 1x0 na Vila Belmiro, o Corinthians precisava segurar o resultado ou fazer um gol para aumentar a vantagem, mas o indesejado aconteceu: A equipe da baixada fez um gol e estava levando o resultado para os pênaltis. Mas ele estava lá: Aos dois minutos do segundo tempo, Danilo fez o gol que deu para a Fiel o gosto inédito de ver o Timão numa final de Libertadores.

O meia comemora o gol salvador que deu ao Corinthians a vaga na final da Libertadores 2012. Fonte: Trivela Uol

Os feitos do camisa 20 não pararam por aí: Com o Corinthians campeão da Libertadores pela primeira vez em sua história, o clube tirou o pé do acelerador no Brasileirão e Danilo foi peça chave para a recuperação do time.

E como jogador que tem estrela, sempre brilha nos momentos onde é requisitado, Danilo brilhou. E brilhou na final do Mundial Interclubes, contra o Chelsea. Veio dos pés dele para a cabeça de Paolo Guerrero a bola do gol que sagrou o Timão Bi-campeão Mundial.

No ano seguinte ainda foi Campeão Paulista, além de atuar como capitão do time e fazer um dos gols que deu ao Corinthians o título da Recopa Sulamericana 2013.

  

Campeão do Mundo 2012 e Campeão da Recopa 2013. Fonte: Esportes Terra ( Mundial)/ Globo Esporte ( Recopa)

Dava-se inicio, então, a um caso de amor e respeito: Danilo e a Fiel.

O Zidane do Povo!

Quem contasse para o mais animado dos Corinthianos quais as principais características de Danilo, ele jamais diria que essa parceria daria certo. O jogador ideal da Fiel é aquele 100% emoção, raçudo, que em 5 minutos de partida fica com a camisa encharcada de suor, rala a bunda no chão, dá carrinho, disputa bola dividida, insiste em jogada quase finalizada e sai de campo com a camisa podre. Danilo é o oposto disso.

Danilo tem uma frieza pouco vista, analisa antes de fazer, calcula antes de executar e joga com tanta classe que poderia facilmente substituir o uniforme por terno e gravata. Danilo sabe o que faz e faz o que sabe. Seu maior diferencial? A tranquilidade. Tanto na vida quanto em campo, executa cada passo com a tranquilidade de um monge. O sotaque mineiro ainda bem forte em sua fala faz lembrar o estereotipo do mineiro “come-quieto”. Danilo só usa chuteiras pretas e isso diz muito sobre o jogador que, apesar de toda sua calma, não deixa jamais a competitividade de lado. Para ele, o mais importante é fazer história dentro de campo. Passar por um clube sem se eternizar? Não, obrigado. Fotos? Badalação? Aparecer na mídia? Só se for com uma taça nos braços e medalha no peito.

Tantas vezes vencedor, foi no Corinthians que conquistou um dos maiores títulos: O carinho e o respeito de uma das torcidas mais apaixonadas do mundo. Danilo é querido por todos os Corinthianos não só pelo poder decisivo que tem dentro de campo, mas pelo carinho e respeito que sempre demonstrou ter com o clube. Mesmo sendo pouco utilizado nos últimos tempos, sempre que é requisitado (especialmente em clássicos, os preferidos dele para fazer sua estrela brilhar), dá o sangue pelas cores do Timão e faz o possível e às vezes o impossível para dar alegrias ao torcedor Corinthiano. Ir para fora do país com salários maiores no meio do contrato? Vestir camisa de rival em jogo que homenageia um ídolo rival? Jamais. Em respeito ao clube, em respeito aos torcedores. E todo esse carinho e respeito é reciproco. Danilo é, sem duvidas, o maior ídolo do clube atualmente. É aquele jogador que o torcedor pede em campo quando precisa decidir e pede em campo quando está vencendo por um placar largo, só pelo prazer de vê-lo jogar.

Fonte: Blog a Tribuna

Quando perguntado sobre o apelido clássico entre os torcedores do Timão, “Zidanilo” é modesto:

 “ A gente fica satisfeito de ficar ligado ao Zidane, mas cada um tem seu estilo, quem me dera jogar o que ele já jogou. Ele é um ídolo no mundo inteiro. Tenho que manter os pés no chão”

Permita-me, discordar: Quem dera ao francês ter toda a calma de Danilo e quem dera ao mundo inteiro, ter a sorte da Fiel de tê-lo como ídolo e vê-lo defender as cores de nosso clube com tanto respeito e amor. Danilo é raro. Talvez o único no atual futebol brasileiro que lembre, em todos os aspectos, os ídolos dos anos 70 e 80. As geraçõs mais recentes, futuramente dirão com orgulho que “não viram Garrincha, mas viram Danilo”. Ídolos são eternos e atípicos, assim como Danilo, o meia que será lembrado eternamente por sua classe, tranquilidade e talento em campo, por não ter passado em branco em nenhum dos clubes que passou, mas principalmente por ter virado um ídolo eterno da Fiel. De Minas gerais para o mundo, eternamente, Zidane do povo!

Por Victória Monteiro