De novato à finalista: Prazer, sonhador Audax(cioso)!

Estádio José Liberatti, cidade de Osasco, estado de São Paulo, primeira partida da rodada final da 115ª edição do Campeonato Paulista. Pela primeira vez o pequeno estádio, com capacidade para pouco mais de 12 mil torcedores, localizado no bairro Rochdale se tornou palco de algo grandioso. Os personagens principais dessa obra: Os tão tradicionais Santistas, finalistas já há oito anos consecutivos e eles, os novatos do Grêmio Osasco Audax.

Não a toa, a partida aconteceu justo num primeiro de maio, dia do trabalhador. Chegar a tão sonhada final do Campeonato Paulista foi fruto de muito trabalho, de muita ousadia e, por que não, de muita audácia.

Fruto da união entre o Audax-SP e o time local, o Grêmio Osasco, a equipe da região metropolitana de São Paulo disputou sua primeira partida pela série A1 do Paulistão na edição do ano de 2014.

Nesses dois anos, o clube vem se estruturando, se preparando e plantando sementes que estão sendo muito bem colhidas. Dentro de campo, quem manda é ele: Fernando Diniz, ex jogador de grandes clubes como Palmeiras e Corinthians. Após pendurar as chuteiras, o atual treinador dos “vermelhinhos” (apelido carinhoso dado ao Audax pela torcida) seguiu um rumo pouco provável para ex-atletas: Se formou em psicologia e usa sua formação como um adicional na hora de entender o adversário e preparar seus jogadores.

(Imagem: Globoesporte.com)

Em 2014, ao ser entrevistado pelo Globo Esporte, Fernando já destacava o modo insistente, baseado nas trocas de passes e que coloca o goleiro na linha como parte atuante do esquema tático: “Não tem nenhum time no Brasil nem no mundo que joga com tanta insistência quanto a gente nessa tática do goleiro-linha. A gente corre mais risco que Neuer, Casillas, qualquer um. O goleiro participa mais ativamente do jogo aqui do que o goleiro da Alemanha e toca mais na bola do que qualquer outro. Meus times jogam assim porque acho que é a melhor maneira pra se jogar o jogo. É o retorno ao passado. O sentimento que tento tirar do jogador é de quando ele sonhava jogar futebol, do futebol sendo um sonho de criança”

Desde o inicio do ano fazendo boas partidas e mantendo uma regularidade, a vaga na final foi construída mesmo como um sonho de criança: Aos poucos, tijolo por tijolo, diariamente. A primeira realização veio na vitória por 2x1 sobre o Palmeiras ainda na primeira fase do campeonato. O novato em ascensão, buscando se firmar, vencia pela primeira vez um dos quatro grandes. Depois veio a classificação antecipada para as quartas de final: A melhor campanha do clube desde sua fundação. Mas o sonho não poderia parar por aí.

Jogando em casa e desacreditado por muitos, o Audax entrou em campo contra o São Paulo como um verdadeiro gigante. O, então pouco conhecido time, eliminou os tricolores com uma impressionante goleada por 4x1. Partiu semifinal contra o Corinthians.

Os momentos pré-partida do Audax foram de arrepiar. Em imagens feitas pelo cinegrafista Felipe Pirollo para o canal oficial do clube no youtube, é possível sentir a emoção de cada integrante da equipe por estar ali. Com os jogadores e membros da comissão técnica abraçados, após entoar em coro a música “Clareou” do cantor Xande de Pilares (“Um novo dia vai raiar e quando menos esperar, clareou!”), percebe-se claramente a gana e a vontade de Fernando Diniz ao fazer sua preleção: “Sem medo de p* nenhuma. Perder é ter medo... É o nosso momento. Alegria, amizade e audácia pra jogar”, pediu o treinador.

E foi atendido. O Audax foi superior ao Corinthians em toda a partida. O fator torcida contrária parecia não importar aos jogadores que, ao contrário de muitos do time adversário, estavam naquela situação pela primeira vez e fazendo mais do que o próprio trabalho: Lutando pela realização de um sonho.

A partida terminou em 2x2 e nas penalidades máximas só deu Audax. O clube acertou todas suas cobranças, contou com erros da equipe adversaria e ainda com uma defesa do goleiro Sidão à cobrança de Fagner. Clareou! O Grêmio Osasco Audax eliminava o maior campeão paulista e se sagrava finalista da competição.

(Imagem: globoesporte.com)

Desde então, a cidade de Osasco vive em festa pelo clube. É impossível andar pelo centro da cidade sem ver camisas da equipe por todos os cantos. Por ser muito perto da capital, o osasquense com certeza torce para um dos quatro clubes de maior expressão. Mas nessas duas semanas o que se vê nas rodas de conversa pela cidade é o orgulho pelo clube (que fez questão de mandar todos os seus jogos, inclusive a primeira partida da final na cidade de Osasco) e a paixão pelo Grêmio Osasco. Somos todos Grêmio Osasco.

Até mesmo quem não é de Osasco, mas torce para um dos outros clubes eliminados acaba torcendo para a equipe. O Audax conquistou e cativou a todos do futebol paulista pelo bom futebol, pela personalidade em campo, pela insistência, mas também por deixar nítido que estar onde está é fruto de muito trabalho, dedicação, insistência, persistência e principalmente: Fé nos sonhos.

O Grêmio Osasco não é zebra. Pelo contrário, é uma equipe forte, bem preparada, que investe em sua base e ainda mantem viva a chama do futebol como o sonho de moleque.

O primeiro jogo da final contra o Santos ficou em 1x1, levando a decisão para a casa do Peixe no próximo domingo.

Que o Audax, independente do resultado da final, siga realizando os sonhos de seus moleques, nos trazendo um pouco mais às origens do futebol raiz e nos presenteando com bom futebol jogado nas suas mais simples características. Para quem ama o futebol paulista já é um imenso orgulho ver uma equipe tão nova e com muito menos recursos do que muitos clubes alçando voos tão altos.

Audax, o prazer é todo nosso!

Por Victória Monteiro