De pai, pra filho! Foi graças a você que minha vida ganhou sentido.

“Cultivar a paixão pelo Corinthians na família, também é uma obrigação dos Pais!”- Marcelo Pires

 

Na minha época futebol não era assim não! Jogador pra colocar a camisa do Corinthians tinha que ralar, tinha que dar o sangue “a lá Zé Maria”, se não a torcida colocava pra correr! Esse jogador serve nem pro time de 2007! Entre essas e outras frases, ele vai lembrando a história do Corinthians e fortalecendo o elo que construímos anos atrás…


 

Corinthiano não nasce é concebido

 

Já nasci Corinthiano! Ele, foi o primeiro a me incentivar, ali mesmo na maternidade, quando minha mãe sentindo as dores do parto, procurava por ele, que estava na sala ao lado, colado na TV, aflito. Era como se pedisse: calma filhão, deixa o Timão marcar, pro pai comemorar duas vezes!

 

“Enquanto estive internado, meu pai se dividia entre os cuidados comigo, e a torcida pelo Corinthians. Com o clube na final, ele ia até o quarto ao lado assistir a partida e o médico, sempre que algo acontecia, ia alertá-lo” - Leandro Santos

 

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Alguns torcedores enviaram suas fotos em forma de agradecimento, a corrente que seus pais ajudaram a fortalecer!



 

Cheguei e logo ele fez questão de me apresentar o maior amor da minha vida: o Sport Club Corinthians Paulista. Tenho a certeza de que ele, não tem a noção da dimensão de tal feito!

O hino embalava meu sono...a primeira bola, a primeira camisa a primeira ida ao estádio, e ele ia me ensinando a ser Corinthiano, da mesma forma que meu avô havia ensinado a ele.

 

“Meu pai sempre cantava pra mim “Coisa boa é pra sempre”, nas finais em que o Corinthians chegava, novamente ele cantava. Ficou marcado, foi assim que passei a associar a Torcida com o clube”- Mariana Alves

 

Muitos tentaram, quantos não ofereceram doces para que eu trocasse de time? Fora a pressão da família, mas ele já sabia: ele é Corinthiano! Faltava o encontro com a Fiel!

 

“Filho de louco, louquinho é! Aqui sempre seremos CORINTHIANS, feijoada é na quadra, shopping é na quadra e religião é CORINTHIANS! ESSA CORRENTE JAMAIS SE QUEBRARÁ!” -Valter Barreto.

 

Um afago, enquanto dividíamos o lanche nas frias arquibancadas do velho Pacaembu, e a cada jogada ele ia me falando o nome dos jogadores, explicando cada jogada. Enquanto fascinado eu admirava a torcida, que fazia o estádio pulsar, o abraço na hora do gol, coroava nosso momento. O êxtase máximo do futebol, sendo comemorado ao lado dele!

Mesmo sem entender tudo que cerca o clube e o seu significado para milhões de pessoas, ver milhares de estranhos comemorando e se abraçando, como irmãos, me deram a certeza de que ali era o meu lugar. Eu já tentava repetir o canto da torcida, batia palmas para incentivar e meu velho abria o sorriso farto e dizia: Vai Corinthians!

Duas palavras, um turbilhão de sentimentos e a partir dali, era como se meu coração não batesse mais, mas sim dissesse infinitas vezes: Vai Corinthians!

Sai do estádio, com a blusa do meu pai, ainda deslumbrado com o que tinha visto. Na volta pra casa, íamos relembrando aquele dia, que até hoje recordo com carinho.

 

“De geração pra geração! Todos os momentos com ele (pai) são especiais, mas poder estar com ele na final da libertadores, foi mágico! Hoje meu pai esta com 78 anos e já viu o Corinthians conquistar tudo! Ser Corinthiano hoje é fácil, mas esse meu velho já sofreu muito! Ser Fiel sempre, meu maior orgulho!” Diana Nunes

 

 

 

Não é a toa que dizem que o Corinthians é diferente. Foi sofrendo, ao lado do meu pai, que o sentimento foi crescendo. Nem um jogo perdido, a necessidade de Corinthians, de acompanhar o clube, só aumentava.

Nas derrotas, eu compreendia ainda mais aquele sentimento. Foi meu pai que ensinou a ostentar a camisa, mesmo com o resultado adverso, porque o resultado não é fundamental para nós. O que é fundamental em nossas vidas é ver o Corinthians jogar, é demonstrar que amamos esse time, é honrar seu nome na vitória ou na derrota.

 

 

A maior herança que pude receber

 

Com o passar dos anos, as visitas ao Pacaembu, se tornaram frequentes. A cada dia dos pais, presentes ligados ao time, estampavam um sorriso no rosto dele.

Juntos, torcemos e vimos as maiores glórias do Coringão, não sem antes chorar nossa pior derrota em 2007. Cantamos juntos, alucinadamente “Eu nunca vou te abandonar”, empurrando o clube para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Aos prantos, comemoramos o maior 4 de julho que o mundo já viu e o elo foi se fortalecendo, sendo comemorado em cada canto do mundo, após o Mundial. Faltava o nosso estádio!

Cresci com as chacotas de que Corinthiano não tinha casa, que dependia do estádio alheio pra jogar. De 2014 pra cá, a história ganhou um novo capitulo!

Era a repetição da história que vivi com ele, ainda pequeno, mas desta vez, era ele o menino. Um menino bobo e fascinado, com a imponência da Arena. Ele fazia questão de apontar cada canto e exclamar “olha filho, como é lindo!”, eu olhava com a cara de agradecimento, agradecimento a ele, por me proporcionar momentos como aquele.

 

“Conheci o Corinthians ainda nos treinos no Parque São Jorge. Eu morava na Zona Leste e meu pai fazia questão que minha mãe me levasse ao menos em um treino por semana. Depois veio a frequência nos jogos e tals. Por mais que eu nunca tenha sido a favor da Arena, eu sei o quanto meu pai sempre sonhou com um estádio, quando teve aquele amistoso Corinthians x Corinthians, eu me senti na obrigação de levar o responsável por eu amar assim o Corinthians.

Desenrolei o ingresso dele na quadra com os últimos 50 reais que eu tinha e fomos pro jogo. Meu pai parecia uma criança dentro daquele estádio, curtia cada detalhe, sorrisão no rosto, lágrimas nos olhos, emocionado de verdade...

Sem dúvidas, foram os 50 reais mais bem gastos dos meus 26 anos de vida.” - Leandro Santos

 

Ser Corinthiano, cultivar esse amor, louco e inconsequente, foi a maior herança que pude receber de meu pai. A maior, pois ela é infindável, sei que nunca deixarei de amar o clube, mesmo na maior adversidade.

Meu filho, receberá esta herança e caberá a ele, propagar este amor. É como dizem, “de geração para geração”, fortalecendo esta corrente.

 

 

Obrigada Pai, por me fazer sentir as mais diversas e inexplicáveis emoções, que só quem é Corinthiano pode compreender. Obrigada por me ensinar que nunca podemos desistir, e mesmo que a bola não entre, mesmo que o placar permaneça contrario, devo cantar e empurrar o time, durante os 90minutos.

Ao Corinthians, agradeço por fortalecer o elo entre eu e meu pai. Por sempre me proporcionar momentos, épicos ao lado dele. Tardes de domingo e noites de quarta-feira, sempre serão sagradas e aguardadas ansiosamente, para que mesmo com o tempo corrido, vez ou outra, eu possa me sentar ao lado dele, para torcer.

Feliz dia dos pais, a todos os Corinthianos, maloqueiros e sofredores, que assim como o meu pai, fazem de seus filhos Corinthianos. Cada memória, sera lembrada e contada a cada amigo que perguntar: Porque você torce pro Corinthians?

É algo que não se explica, somente se sente e se propaga.



por Mariana Alves, escrevi ao lado do homem, que me fez Corinthiana: Orlandino, fica uma pequena homenagem a você, que me ensinou a amar este clube!