DE VIRADA É SEMPRE MELHOR!

Em um jogo de superação e de muita emoção nas arquibancadas do Canindé, Portuguesa fez o inimaginável!


 

Sabe a aquele ditado "a esperança é a última que morre"? Pois é, senti isso na pele em 2009, no confronto entre PORTUGUESA e GUARANI, pela série B do Brasileirão. Um jogo que jamais vou esquecer, um jogo que marcou a minha vida e me deu mais certeza de que sou completamente apaixonada pela Portuguesa e pelo futebol. Um jogo que para muitos é considerado clássico, mas para nós, lusitanos, é só mais um adversário que temos uma rivalidade grande, mas jamais um clássico!

 

Foto: Reprodução Internet

 

90 minutos de pura emoção!

 

A partida era válida pela décima quarta rodada do Campeonato Brasileiro 2009, da Série B e Héverton fez o primeiro gol aos 4 minutos. Fiquei feliz, pulei, gritei, mas conheço a Portuguesa e o futebol, sei que muita coisa ali poderia acontecer. Mas ver a torcida gritando, apoiando, me arrepiava, como sempre me arrepiou. Como disse, conheço meu time, tomamos o gol de empate 6 minutos depois, e foi aí que começou toda a tensão, o nervosismo, a ansiedade e o medo, sim o medo da derrota!

O que eu, e todos dali temiam aconteceu, aos 26 minutos, tomamos o gol da virada. Já batia algo no peito, já batia a tristeza...

Quando sofremos o gol da virada, tomamos aquele choque, o time tinha o jogo na mão, estava ganhando, e tomou logo um gol assim. Era um gol só, ainda tínhamos esperança de empatar. Mas como se não bastasse,o pior aconteceu 5 minutos depois, com mais um gol tomado!

 

Foto: Gazeta Press

 

Quando vi o outro gol, bateu o desânimo, chateação, acho que só quem estava ali pra sentir aquilo, uma dor no peito, em pouco tempo levar 3 gols assim? Mas eu já sabia que seria um grande jogo, em menos de 30 minutos de jogo ter 4 gols na partida, sabia que teriamos um excelente segundo tempo!

Enquanto o segundo tempo não chegava, a cada gol perdido, ou cada lance perigoso deles, o coração não aguentava, a vontade de entrar em campo e jogar ali, era muito grande,  mas tive a paciência.  

      Quando terminou o primeiro tempo confesso que pensei que íamos tomar uma goleada, já pensava na raiva que sentiria quando o juiz apitasse o fim do jogo e a nossa torcida saísse quieta e a deles cantando, dentro da nossa casa. Mas como toda torcedora fanática, ainda tinha a esperança, bem lá no fundo de que tudo poderia mudar!

 

A segunda etapa!

 

Voltamos para o segundo tempo, e senti algo diferente em campo, eles jogavam com raça, eles não desistiram, eles sabiam que tinham tempo o suficiente para virar o jogo. Aos 59 minutos, Bruno Rodrigo conseguiu aumentar mais a esperança, fazendo o gol de falta. Acho que não só eu como todos ali, tinham a esperança do empate, um empate seria  lucro, e faltava um gol pra isso e tínhamos muito tempo de jogo..

         E como foi sufocante esperar esse gol... quantos gols perdidos, quanto sufoco quantos "uhh" se ouvia da arquibancada, mas a esperança estava ali, firme e forte para ver o gol de empate, e aos 75 minutos ele saiu, Ygor de cabeça, depois da cobrança de falta do Edno. Era o grito de gol como se fosse da vitória, era o grito de gol de alívio. Claro que queria a vitória, mas estava satisfeita com aquele placar que praticamente era impossível.

 

Foto: Gazeta Press

 

      O futebol e a Portuguesa sempre surpreendem, e quase no fim do jogo aos 83 minutos, Marco Antonio transformou o impossível, em realidade! Arrumou espaço e chutou para marcar e decretar a grande vitória e a virada da Lusa! Ali o grito de gol veio misturado com choro, com vários palavrões de tanta felicidade, o coração queria sair pela boca, o Canindé foi ao delírio e se tornou um caldeirão.

 

O mais marcante, por ser surpreendente!

 

Esse jogo me marcou pelo fato de mostrar que nem tudo é impossível, que sempre temos de ter esperança no time, e principalmente não ir embora no meio do jogo porque tomou gol e você achava que era impossível de virar. Foi um jogo claro de que o futebol é realmente algo emocionante, e a Portuguesa, ah a Portuguesa me mostrou a força que ela tem.

O que mais me emocionou naquele dia,  foi ver os jogadores olhando para a torcida no segundo tempo e fazendo um sim com a cabeça, para acreditarmos e não desistirmos.

A torcida, ah a torcida! Mesmo o time tomando a virada no primeiro tempo, não se calou um segundo, mesmo alguns ali não tendo nenhuma esperança, cantava por amor. Quando acabou o jogo, era a torcida que me arrepiava e não mais o jogo, era ouvir mais de mil pessoas cantando e chorando pela mesma coisa que eu amo. Obrigada ao futebol e principalmente à Portuguesa, por me proporcionar algo tão incrível!

 

Foto: Gazeta Press


 

Ficha Técnica

 

Portuguesa 4 x 3 Guarani

 

Local: Estádio do Canindé, em São Paulo-SP.

Renda e público: não disponíveis.

Árbitro: Héber Roberto Lopes-PR (FIFA).

Cartões amarelos: Bruno Rodrigo e Héverton (Portuguesa). Ricardo Xavier e Valdir (Guarani).

 

Portuguesa: Fábio; César Prates, Bruno Rodrigo, Thiago Gomes e Anderson Paim; Erick (Ygor), Acleisson, Marco Antônio e Fellype Gabriel (Christian e Tatá); Héverton e Edno.

Técnico: Paulo Bonamigo.

 

Guarani: Douglas; Maranhão (Nei Paraíba), Bruno Aguiar, Valdir e Andrezinho; Cléber Goiano, Glauber, Nunes e Walter Minhoca (Fabinho); Caíque e Ricardo Xavier.

Técnico: Vadão.

 

Izabela Risden