DEIXE-ME IR, PRECISO ANDAR... VOU POR AÍ A PROCURAR RIR PARA NÃO CHORAR.

 

Foto: Lucas Merçon.


 

"Quem me vê passar calado e triste

Não resiste e vem me perguntar o que causou esta transformação

Já estou cansado de contar aquela estória.

Que é sempre a mesma estória, que resume-se em desilusão.

Preciso andar pra não pensar

No que passou e não chorar..."


 

Mestre Cartola está triste em sua estrela e sei que ele compartilha com toda a nossa torcida a dor, tema que sempre escreveu com extrema valia. Ele concordaria comigo quando afirmo que assistir a um jogo do Fluminense é como uma sessão de tortura, principalmente para quem ama loucamente. Parece que nada funciona, nenhuma peça se encaixa e o que o torcedor pode fazer de concreto para mudar? Nada. Apenas observamos o elenco descer a ladeira.

Tudo isso começou quando Fernando Diniz foi demitido, talvez por vaidades de dirigentes, como me foi dito. Desandou de vez com a chegada do OO, um senhor com ideias ultrapassadas e que deu aquele empurrãozinho para a coisa piorar. 

Sobrou para o Marcão que foi "sujeito homem" e encarou o desafio por amor, isso nunca faltou a ele por nossa camisa. Então, Tricolor que insiste em colocar essa situação na conta dele, peço com carinho: repensem. Quem não joga está em campo, como Ganso que ontem (quarta-feira, 30), fez nova partida sem brilho algum e parecia um robô em campo, tanto que a bola não chegou aos atacantes no primeiro tempo. Ele não cumpriu sua função: passar a bola, fazer a transição meio - ataque.

O Ceará engoliu o Fluminense na noite da última quarta-feira (30), no Castelão, principalmente nos 45 minutos iniciais e o gol não tardou a sair, feito por Bergson. Pior é que surgiu de um lançamento de Ricardinho nas costas da zaga Tricolor. Com o tento, ferrou tudo, pois o time carioca perdeu-se por completo em campo e perdeu as parcas chances que teve de marcar na hora de finalizar. Isso inclusive virou marca registrada do elenco. 

Teve vexame maior, bem maior. Thiago Galhardo driblou quatro, repetindo, quatro jogadores vestidos com a MINHA CAMISA TRICOLOR e, por defesa de Muriel por pouco não marcou um gol de placa. VERGONHA. 

Festival de passes errados, saídas de bola e marcação.

Marcão mudou o setor ofensivo para a segunda etapa e optou por Wellington Nem no lugar de Nenê, além de João Pedro na vaga de Marcos Paulo. Com isso houve uma leve celeridade no ritmo e boas chances de um empate, como a que ocorreu bem no início em jogada de Yuri e Yony que deixou a bola para João Pedro chutar e errar. Pouco depois, João passou para Yony e adivinhem? Ele também finalizou errado.

Na verdade Yony e João Pedro poderiam ter feito alguns gols se fossem mais caprichosos em seus arremates finais. Houve chances para tal. Sem falar na mudança de postura do Ceará, totalmente diferente do primeiro tempo, bastante improdutiva. Nem assim, o Fluminense conseguiu marcar.

Como tudo é impermanente nessa vida e ela adora pregar peças, a preguiça e falta de competência do elenco do Fluminense pagou caro. Nos acréscimos, virada do Ceará com gol de Matheus Gonçalves. Foi de doer.

O Fluminense segue com 30 pontos na 16ª colocação e pode terminar a rodada na zona do rebaixamento caso o Cruzeiro derrote o Botafogo, nesta quinta-feira (31).

Hoje a resenha segue sem as " desculpas" de jogadores e frases feitas. Cansei.

Elegemos uma gestão que se comprometeu em evitar tudo isso e investir no nosso futebol. Vamos tentar olhar outros jogadores, vamos parar de trazer de volta figurinhas carimbadas, tipo Wellington Nem, que até agora nada fez. Vamos apostar em nossa base e parar de vender jogadores incrivelmente talentosos com a "desculpa" de pagar dívidas. Nossa prata escoando. Nossos meninos a ganhar asas em outros campos. 

Aonde está o tal patrocínio master?  Ouvi tantas coisas durante a campanha e realmente acreditei. O torcedor agora se comprometeu com o programa de sócio e, mais uma vez, apoia o seu clube. Tudo isso é muito bacana e mostra a força da nossa torcida, mas quem tem que resolver a principal questão é o departamento de futebol. Nosso Fluminense é a história, tradição, fidalguia e merece seu lugar na elite do futebol. Nada menos. Então senhores, vamos colocar jogador vaidoso em seu lugar e ter uma conversa séria com o grupo e lembrar a todos que eles têm o privilégio de vestir a camisa Tricolor.

 

Nós somos a história - 1902

 

Já não sei se tenho mais coração.


 

Carla Andrade.