DÉRBI HISTÓRICO PARA AS MULHERES

Edina Alves Batista se torna a primeira mulher a apitar um Dérbi 

 

Foto: Globo Esporte

 

O maior Clássico Paulista e um dos maiores do Brasil, quiçá o maior, ganhou mais um capítulo épico. O embate entre reservas alviverdes e não-infectados alvinegros, terminou em 2 a 2, e poderia facilmente ser esquecido depois de um tempo, não fosse o feito de Edina Alves Batista, que escreveu seu nome na história do Dérbi como a primeira mulher a apitá-lo.

Não foi uma atuação qualquer. A dona do apito teve destaque em campo, com consistência, clareza  e sabendo dialogar com os atletas, fato comprovado, quando a árbitra ouviu os jogadores sobre uma possível paralisação da partida na primeira etapa em virtude da chuva. Seu desempenho chegou até mesmo a ser elogiado por torcedores, algo raro no cenário nacional.

 

Foto: Marcello Zambrana/AGIF

 

É sabido que a presença feminina no futebol é contestada, e com a arbitragem não é diferente. As profissionais sofrem com o machismo, muitos questionamentos acerca do seu trabalho e de suas competências, e com Edina não é diferente. Por isso é tão importante e significativo para nós, sua apresentação em campo e todos os elogios a ela atribuídos.

Natural de Goioerê, no Paraná, formada em arbitragem desde 2001, Edina começou atuando como bandeirinha e ganhou muito destaque. Em entrevistas, a árbitra nunca escondeu que o seu sonho sempre foi de ser árbitra central. Apesar de ser desencorajada em muitos momentos, Edina não se abalou com os comentários negativos e continuou correndo atrás de seu objetivo. E valeu a pena, afinal,  a dona do apito se imortalizou na história como a primeira mulher a apitar um Mundial de Clubes masculino e um Dérbi de 104 anos de existência.

"Resolvi seguir meu coração e ficar como árbitra, o que sempre quis. Nunca desisti de meu sonho e hoje ele virou realidade. Agradeço a todos pelo apoio e confiança", relatou Edina na época.

 

Em 2005, nossa recordista também gravou seu nome na história do Brasileirão. Depois de mais de 14 anos sem uma mulher apitando, a paranaense foi escalada para o duelo entre CSA e Goiás e colocou fim a este quadro.

"A Edina era bandeira, abriu mão do escudo da FIFA, de árbitra internacional, porque tinha o sonho de ser árbitra central. Então, ela voltou às categorias de base e começou a apitar na base, largando o escudo internacional de auxiliar. Ela já conseguiu alcançar o quadro internacional como árbitra central e, hoje, está chegando na Série A. Para mim, ela é um exemplo para todo mundo", destacou Leonardo Gaciba, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, na época da partida do Campeonato Brasileiro.

Atualmente, a árbitra integra o quadro FIFA, posto conquistado em 2015, e assim,  foi escalada para apitar o Mundial de Clubes da FIFA 2020, formando  o primeiro trio principal de arbitragem todo feminino ao lado da brasileira Neuza Inês Back e da argentina Mariana de Almeida.

O duelo pode não ter tido resultado da conquista dos três pontos por um dos adversários, mas  consagrou a arbitragem feminina e exaltou Edina. A vitória é da luta feminina, a conquista é nossa.

 

Fontes: Globo Esporte, CBF e Torcedores.com

 

Por Mariana Alves e Victória Amorim

 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.

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