Desculpe o transtorno, precisamos falar de Roberto de Andrade

A omissão do presidente tem mostrado efeito e o Corinthians está à mercê de aves de rapina


 

Na eleição mais apertada da história do Corinthians, Roberto de Andrade, derrotou, Antonio Roque Citadini com 1848 votos, contra 1393, no dia 07 de fevereiro de 2015. Conselheiro vitalício do clube, Roberto, foi vice de Andrés Sanchez em 2009 e controlou o departamento de futebol em 2010.

A eleição, sem nenhuma representatividade, colocou Roberto no poder até 2018. Dos 12 mil sócios que podem votar no clube, bem menos de 4 mil compareceram à eleição, o que manteve a gestão que assumiu o Corinthians após a saída de Dualib, em 2007.

 

Eleições para a presidencia do clube. Foto: Espn

 

Em seu discurso inicial o presidente prometeu diminuir as dívidas do clube, na época avaliada em 300 milhões. Com plano de contenção de gastos, a ideia era voltar a investir no clube em 2016, assim abriram mão de Guerrero e vimos o primeiro desmanche da era Roberto de Andrade.

Na época, Tite perdeu as melhores peças do elenco e a imprensa dizia que o Corinthians teria de se conformar em não cair para a série B. Com o bom trabalho do treinador, o Corinthians sagrou-se Hexacampeão Brasileiro, o que serviu para mascarar a péssima atuação de Roberto.

De contratos mal feitos, renovações mal planejadas, base abandonada, da saga pela venda do naming rights, fechando com a cara de pau de Andrade ao levantar a taça de Campeão antes do então capitão Ralf, o mandatário ia aparecendo para a torcida.

Em 2016, um novo desmanche, na verdade uma sequência de desmanches, totalmente desenfreada. Do elenco campeão, quase ninguém permaneceu e Tite começava o ano tendo de quebrar a cabeça com as peças contratadas e as sobras de 2015. O resultado, foi a eliminação no Paulista e na Libertadores. Como miséria pouca é besteira, mais lambança viria pela frente…

Como sempre soubemos, mais dia, menos dia, Tite iria para a seleção brasileira. E ele foi.

Saía Tite e a busca por um treinador começava, culminando na contratação de Cristóvão Borges. De uma lista de nomes como Abel Braga, Vanderlei Luxemburgo, Sylvinho, Eduardo Baptista e a indicação de Roger, por parte de Tite, um nome totalmente improvável, ascendia como treinador. Por que Cristóvão? Por ser manipulável e amigo de Andrés.

 

Ninguém entendeu nada. Roberto de Andrade, levantou a taça de Campeão antes de Ralf.

Foto: Timão desde criança.

 

Assim que Cristóvão foi anunciado, muitos torcedores previam a merda. O treinador, com seu jeito tranquilão, tinha tudo-e teve- para dar errado no clube. Faltava gana a Cristóvão, vontade de vencer. Faltava a Cristóvão, entender o peso da camisa alvinegra.

A diretoria, vendeu e vendeu, desenfreadamente, tirou peças do elenco e não repôs à altura, deixando o rojão para Cristóvão segurar sozinho. Quando alguém da cúpula alvinegra aparecia na sala de imprensa do CT era apenas para dar desculpas esfarrapadas e novamente pedir calma e paciência, insistindo em bancar um cara, que mostrava total despreparo no banco de reservas. Calma? Paciência? Aqui é Corinthians car$#&*! Não peçam calma, trabalhem e respeitem a camisa do Corinthians e sua torcida!

18 jogos, e a derrota no Dérbi, do último sábado (17), foi a fagulha para a explosão. Cristóvão caiu e Roberto de Andrade, ficou no foco da Nação.

Ainda durante a partida, com o placar de 1x0 para o rival, a torcida se virou para os camarotes da Arena e passou a hostilizar a diretoria. Revoltado com os xingamentos, Roberto respondeu com gestos obscenos, palavrões e saiu do local onde acompanhava o jogo. Sua cobaia, Cristóvão Borges, foi demitido nos vestiários e Fábio Carille promovido à condição de interino até o final do ano.

Nosso presidente, brandou que só resolverá quem vai comandar o Corinthians à beira do gramado, ao fim do campeonato e respondeu sob a saída dos atletas:

 

“Isso é consequência do futebol. É muito simples, vocês perguntaram se os atletas queriam ficar? Não adianta por só na minha conta, não trabalhamos com quem não quer ficar”. “A todos os atletas que saíram, surgiu uma proposta de salário melhor e uma condição de morar num lugar melhor. A negociação acaba dando certo, não é a minha vontade. Gostaria que todos tivessem ficado e nosso time seria um supertime”, disse Roberto em entrevista coletiva.

 

Roberto continuou a se justificar e a alegar a contenção de gastos:

 

“Todas as negociações de jogadores no ano nos rendeu em torno de R$ 117 milhões. Gastamos R$ 65 milhões na recomposição do grupo, e o resto foi usado no dia-a-dia. Fechamos o balanço de 2015 com um passivo de, mais ou menos, R$ 490 milhões. No balancete que lançaremos agora, estamos com um passivo de R$ 350 milhões. Estou sendo muito contestado, principalmente pela torcida. Até entendo, também sou torcedor. Falando como torcedor, quero um time forte, quero que se f… as finanças do clube. Se eu tivesse pensando só no meu mandato, esse número estaria R$ 490 milhões, ou R$ 550 milhões, e eu teria 11 p… jogadores ganhando R$ 1 milhão por mês. Estaria sendo carregado por aí, seria lembrado como o presidente que ganhou isso, ganhou aquilo, levantariam um pedestal, e eu deixaria a bomba para depois quem chegasse. Não vou fazer isso” - comentou. (entrevista Blog do Ohata)


 

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Quem é Roberto de Andrade? Foto: Globo Esporte

 

Roberto vai ao longo do tempo, aumentando o número de disparates, se passando por vítima e injustiçado. Um presidente de enfeite, que mostra pouco e omite tudo. Onde estão as contas do estádio que teve seu valor triplicado? Onde é investido o dinheiro do clube? Pra que serve a categoria de base, se compram um volante da série B e emprestam nossas promessas?

Quem é verdadeiramente Roberto de Andrade? De onde ele veio? Ninguém sabe, ninguém viu.

Já vivi momentos bem singulares torcendo para o Corinthians. Me orgulhei da torcida que tirou o Dualib do poder. Vi a torcida ao som de eu “Eu Nunca Vou Te Abandonar”, sofrer cada dia da agoniante série B e ajudar o time a ressurgir. Superei o momento vergonhoso da pré-libertadores contra o Tolima. Aguentei por anos a chacota do “Libertadores só no videogame”, até o dia que colorimos a América com nossas cores. Comemorei e chorei, no dia que nosso nome ecoou pelos quatro cantos do mundo, quando vencemos o Chelsea. Foram incríveis viradas, dolorosas derrotas e doí, ver uma gestão afundar o clube desta forma.

O que será do clube nos próximos anos? A incerteza paira o ar...


por Mariana Alves