Dida, o jogador que foi superado pelo maior fã

É inegável que o maior ídolo da história do Flamengo foi Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Mas você já parou para pensar que jogador era ídolo do Galinho de Quintino? Ele também vestiu a camisa 10 do Flamengo. Seu nome? Edvaldo Alves Santa Rosa, mais conhecido como Dida. Um dos maiores jogadores do Flamengo. Aliás, era o maior até a chegada de Zico. Um caso onde o fã superou o ídolo.

O meia Dida defendeu o Flamengo entre os anos de 1954 e 1963, jogou 358 jogos e marcou 264 gols durante esse período. A impressionante marca foi ultrapassada anos depois quando Zico, em 732 partidas marcou 509 gols. Além do Flamengo, Dida vestiu a camisa da Seleção Brasileira. Chegou a ser convocado para a Copa de 58 e foi titular no primeiro jogo, porém na estreia sofreu uma contusão que abriu espaço para um jogador que estava no banco de reservas: Pelé.

FOTO: Imagem retirada da Internet

O historiador e jornalista Lauthenay Perdigão, em entrevista ao site Globoesporte.com declarou que Dida era uma espécie de Kaká das antigas, pela facilidade que tinha dentro de campo.

“Ele tinha uma facilidade impressionante de passar pelos adversários. Lembrava o Kaká, que era mortal nas arrancadas, mas o Dida sabia envolver os marcadores até com mais facilidade. O maior problema dele era o porte físico. Franzino, era alvo fácil para zagueiros e laterais. Em 1956, por exemplo, ele não ganhou mais projeção na Seleção Brasileira por causa de uma dessas lesões.”

Apesar de ter feito o seu nome com a camisa do Flamengo, Dida nasceu bem longe do Rio de Janeiro. Natural da capital alagoana, Maceió, Dida nasceu no dia 26 de março de 1934. Foi descoberto por acaso e revelado no CSA em 1950, onde chamou a atenção dos dirigentes do Flamengo quando o clube fazia uma excursão pelo Nordeste com o time de vôlei.  Os dirigentes ficaram impressionados com o meia-atacante de 1,67 de altura que marcou três gols em uma partida pelo time alagoano. O Flamengo fez a proposta, Dida foi ao Rio fazer os testes, mas ainda esperou um ano até se tornar titular no Flamengo, efetivado pelo técnico Fleitas Solich.

A estreia de Dida foi logo contra o rival Vasco da Gama no dia 17 de outubro de 1954 e a sua entrada só aconteceu porque Evaristo e Benitez estavam contundidos. Depois desta partida, ele só se firmaria em 1955, quando Evaristo, craque do time, foi negociado com o Real Madrid. Ele entrou como titular na final do Campeonato Carioca de 1955, quando o Flamengo sagrou-se tri-campeão carioca naquele ano e aplicou uma goleada de 4 a 1 sobre o América, com os quatro gols sendo marcados por Dida. Naquele tempo, o craque formava uma linha de ataque forte e habilidosa ao lado de Joel, Paulinho, Evaristo e Zagallo e o novato Dida foi o vice-artilheiro do time, com 15 gols.

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Com a camisa do Fla, Dida conquistou os Campeonatos Cariocas de 1953, 1954, 1955 e 1963 e também o troféu do torneio Rio-São Paulo, em 1961. Na Seleção brasileira, conquistou o título mundial de 1958. No CSA, colocou a faixa de campeão dos Alagoanos em 1949 e 1952.

Em 1964, porém, com a chegada do treinador Flávio Costa, o jogador foi colocado no banco de reservas e isto foi determinante para adiantar a sua transferência. Dida passou então a defender as cores da Portuguesa, onde jogou até o ano de 1965. Dida encerrou a carreira em 1967, no Atlético Júnior, da Colômbia.

O segundo maior artilheiro do Flamengo morreu no ano de 2002, aos 68 anos, vítima de insuficiência hepática e respiratória.

Dida pode não ser o jogador mais conhecido do Flamengo, mas é inegável que sua influência e o seu legado foram sentidos no clube anos depois. Nos anos de glória, ele deixou um fã que mais tarde se tornou o maior nome do clube até os dias atuais.

“Minha memória é de 1961, quando o Flamengo foi campeão do Rio-São Paulo e foi, talvez, o primeiro jogo que eu fui ao Maracanã, com meu pai, e o Dida fez o segundo gol. Meu pai era apaixonado pelo Dida, os meus irmãos, o Antunes, o Edu, o Nando... era tudo Dida, lá em casa só se falava em Dida, e o meu grande sonho era vestir aquela camisa 10” - Disse Zico em entrevista ao Globoesporte.com em 17/09/2014

 

Por Camila Leonel

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