“Díos” da raça, ídolo tricolor

O Campeonato Brasileiro de 2015 está chegando ao fim, e após um ano conturbado, o São Paulo Futebol Clube começa a se preparar para “se livrar” de algumas peças no elenco, e trazer outras.

E no meio dessa mudança, um nome tem sido especulado desde quando o time ainda era comandado pelo técnico colombiano Juan Carlos Osório, ou até um pouco antes dele chegar: Diego Lugano. Porém, na época, o treinador disse que precisava de um zagueiro canhoto, e que esse já estava nos planos, pois era um indicado do auxiliar Milton Cruz (homem de confiança do professor desde que ele chegou ao Brasil). A referência era ao zagueiro Luiz Eduardo, que atuava no São Caetano, pela série D.

A torcida ficou empolgada com os rumores de que seu ídolo poderia estar de volta ao clube, mas Osório ‘vetou’ a vinda do uruguaio, jogando um balde de água fria na felicidade dos muitos são-paulinos, que queriam novamente ver o zagueiro com a camisa tricolor.

Diego Alfredo Lugano Moreno, mais conhecido como “Díos”, ou apenas Lugano, nasceu no dia 2 de novembro de 1980 (sim, hoje é aniversário dele! PARABÉNS, LUGANO!), em Canelones, no Uruguai. Foi revelado pelo Nacional de Montevidéu, na posição de zagueiro, entre 1999 e 2001, e sua história no São Paulo teve início no ano de 2003, quando foi contratado e fez sua estreia contra o Atlético Mineiro, no empate por 1 a 1.

 

                                                    (Foto: esportes.r7.com/divulgação)

Sua chegada não foi muito bem vista pelo, até então treinador, Oswaldo de Oliveira, e ficou de fora de muitos jogos, às vezes nem sendo relacionado para o banco de reservas. Mas logo teve oportunidades, já que Oswaldo, que não o via com bons olhos, saiu do cargo. Com isso, passou a ter seus dias de glórias, e com seu estilo, mostrando garra e raça conquistou, além da titularidade, o carinho da torcida.

Assim, ganhou a confiança dos tricolores, e foi uma peça importante na equipe campeã do Campeonato Paulista, da Libertadores e do Mundial de Clubes, em 2005. No mesmo ano, foi eleito o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro, por sua determinação, raça, força e gana (como diz o Mito Rogério Ceni), e ganhou prêmios individuais como Bola de Prata da Revista Placar, Seleções do Campeonato Paulista e da Copa Libertadores da América.

 

                                      

(Foto: media-cdn.incondicionais.com.br/divulgação)

 

Após deixar sua marca e virar ídolo no São Paulo, ainda passou por equipes como o Fenerbahçe e Paris Saint-Germain. Atualmente está no Cerro Porteño, do Paraguai, aonde chegou como zagueiro de ‘alto nível’ (e para os tricolores, que lidam com um susto diferente na zaga a cada jogo do São Paulo, nunca deixou de ser, assim como Alex Silva e Miranda), com 4 gols marcados em 9 jogos, e também 7 cartões amarelos e 1 vermelho.

Pessoas próximas ao jogador afirmam que ele tem um enorme desejo de voltar ao clube do Morumbi, e isso todos nós podemos comprovar por suas entrevistas, onde faz questão de dizer que tem um carinho imenso pelo São Paulo, e que não jogaria por outra equipe no Brasil que não fosse o Tricolor. Para ele, seria uma falta de respeito com o time paulista, com os torcedores são-paulinos, e até com ele mesmo, que tem uma imagem a zelar, depois de ser tão vitorioso vestindo o vermelho, branco e preto.

Quando assinou seu contrato com a equipe paraguaia, que vai até agosto de 2016, o zagueiro deixou claro uma cláusula específica, onde prevê liberação sem custo algum, em caso de proposta vinda do Morumbi. Mas essa cláusula é válida somente para o São Paulo. Caso haja interesse de uma outra equipe, a multa rescisória deverá ser cobrada normalmente.

A diretoria tricolor analisa prós e contras. Estão cientes que Lugano hoje, não é mais aquele zagueiro de anos atrás, mas que ainda possui muitas qualidades que o levam a ser um modelo de liderança dentro do vestiário, e muito mais, dentro de campo. Abriram a mente para entender que o time precisará de alguém com esse espírito, já que Rogério Ceni (que faz esse papel) irá se aposentar no fim do ano. O técnico Doriva prefere não comentar muito sobre o assunto, mas afirma que não basta ser somente ídolo.

Agora com 35 anos, o zagueiro-ídolo-tricolor pode estar próximo de voltar ao Morumbi. A torcida aguarda ansiosa, e a cada dia pede ainda mais o retorno do Díos uruguaio. As redes sociais estão sendo invadidas por notícias, verdadeiras ou falsas, a respeito do assunto. Uns afirmam que o contrato já está assinado, outros preferem esperar, pra não haver frustração. Hashtags como #VoltaLugano, #VoltaÍdolo, #LuganoTricolor são citadas a todo momento.

 Os dias estão passando, o Campeonato Brasileiro acabando, e a ansiedade só faz aumentar. O torcedor tricolor implora, gritando alto (mesmo que em silêncio), a volta do ídolo raçudo e cheio de garra, que blindou a zaga enquanto vestiu a camisa, e que se despediu do time com uma eliminação nas costas, mas sempre com um sorriso no rosto. O torcedor tricolor não se importará se, quando ele voltar, vai estar uns anos mais velho, ou com menos qualidade técnica, do que na época em que defendeu o clube... Se ele demonstrar em campo metade da qualidade que tinha, mas com a mesma raça que o tornou ídolo dos são-paulinos, a “velhice” é o que menos vai importar!

 

Renata Chagas