DIRCEU KRÜGER : UMA HISTÓRIA DE AMOR AO CORITIBA

 

(Fonte: Coritiba Oficial)

 

INÍCIO

 

Nome completo: Dirceu Krüger.

Local e data de nascimento: Curitiba-PR, 11/04/1945

Posição: Ponta-de-lança

Período em que atuou no Coritiba: 1966 a 1975

Títulos pelo Coritiba: Campeão paranaense em 1968, 1969, 1971, 1972, 1973, 1974 e 1975.

Nasceu no dia 11 de abril de 1945, no bairro da Barreirinha, Curitiba no Paraná, bairro com grande presença Polonesa.

Dirceu quando criança já sabia que seu coração era verde e branco, no Belfort Duarte acompanhava seus ídolos, sem saber que um dia seria ele um ídolo da nação Alviverde.

Começou sua saga no futebol, pelo tradicional clube amador do bairro, o Combate Barreirinha. Logo depois Dirceu, passou a jogar no União Ahú, que era também, um clube amador, onde encontrou outro Dirceu, e então ficou conhecido apenas como Krüger.

Um fato inusitado aconteceu na época, o União Ahu iria fazer um amistoso contra o Palestra Itália, fato que surpreendeu a todos, já que na época um time amador não jogava com um profissional. Krüger foi ao estádio acompanhar o jogo, por não haver substituições na época o time era divido, 11 entravam em campo e 11 assistiam a partida. Foi aí que Krüger foi anunciado no auto falante do estádio: KRUGER COMPAREÇA AO VESTIÁRIO COM URGÊNCIA, faltando 30 minutos para o começo da partida, Krüger foi até o vestiário onde ficou sabendo que seu colega Dirceu, não iria entrar em campo por estar doente. Fez seu pai trazer as chuteiras às pressas para o estádio, entrou em campo e chamou a atenção do técnico do Britânia, que estava assistindo a partida e foi convidado à jogar no time profissional.

Foi ai que Krüger começou sua carreira profissional, no então extinto, Britânia (Clube que hoje da origem ao Paraná Clube), em 1963, com 17 anos, e jogou lá até 1966. Ficou conhecido como “carrasco dos grandes”, Coritiba, Atlético PR e o Ferroviário  (time que se fundiu com o Britânia dando origem ao Paraná Clube) sofriam com os gols de Krüger. E foi assim que ele chamou atenção do seu time do coração, o Coritiba.

"Eu me destaquei, por que sempre marquei gols nos jogos do Britânia contra o Trio de Ferro - Atlético, Coritiba e Ferroviário. Em 1964, fiz seis gols contra os três”, lembra Krüger.

 

(Fonte: Coritiba Oficial)

 

CORITIBA

Dirceu Krüger passou a fazer parte do elenco Coxa Branca no dia 24 de fevereiro de 1966, fez seu primeiro jogo contra o Grêmio no dia 27,  marcando seu primeiro  gol com a camisa alviverde, dando o empate ao Coritiba no último minuto.

"Naquele momento eu pensava apenas em fazer uma boa partida, em cair nas graças do torcedor, não imaginava que construiria uma história como a que tenho no clube. Era um adversário chatíssimo, o Grêmio, que tinha um grande time e uma rivalidade com a gente por causa da moedinha na Taça Brasil [a polêmica partida decidida num inusitado sorteio a favor dos gaúchos foi em 1960]”, disse Krüger.

O primeiro título veio 2 anos depois, Campeonato Paranaense de 1968, Atlético PR e Ferroviário tinham grandes times, mas na final deu Coxa, com gol no último minuto, a festa foi tão grande que tomou as ruas de Curitiba e foi até a madrugada, ao amanhecer, o homem nu na Praça 19 estava com uma faixa de Campeão, e Dirceu ouviu uma frase naquele dia que ela carrega até hoje e passa para os mas jovens:

“QUANDO SE É CAMPEÃO PELA PRIMEIRA VEZ, VOCÊ VAI QUERER SER CAMPEÃO SEMPRE”.

O Coritiba jogou fora do Brasil contra o Hamburgo, considerado na época um grande time da Alemanha, e o primeiro gol do Coxa fora do Brasil, saiu dos pés dele, Dirceu Krüger, um empate que foi muito comemorado pelo time. Devido à isso, Krüger passou à chamar atenção e outros times, quando surgia a notícia de que ela iria sair, sua mãe chorava e pedia para não sair, mas Krüger estava feliz em jogar no Coritiba, além de amar o clube, quando recebia outras propostas, ela dizia: Não! EU QUERO O CORITIBA!

O GOL QUE QUASE VALEU À VIDA!

(Fonte: Gazeta do Povo)

 

No dia 11 de abril de 1970, dia do aniversário de Dirceu, contra o Água Verde, no estádio Belfort Duarte, Krüger recebeu a bola quase na linha da grande área, dominou a bola no peito, o goleiro saiu e ele deu um chapéu, marcando o gol, mas, o goleiro que era alto e forte, saiu na velocidade e acabou se chocando com Dirceu, que saiu do campo direto para o hospital, com uma ruptura nas alças intestinais, quase levando o jogador à morte, foram 70 dias no hospital em estado grave, recebeu até a extrema unção.

No hospital, recebeu o carinho da torcida do Coxa que fez várias promessas para que ele ficasse bem, até o presidente do Atlético PR, Dr. Lauro Rego Barros, mandou rezar missa para o jogador do rival. Quando saiu do hospital Cajuru, cumpriu muitas promessas, o jogador agradece até hoje o carinho e dedicação em que foi tratado pelos funcionários do hospital, principalmente ao Dr. Bezede, médico que salvou sua vida, e era atleticano roxo, mas disse que Dirceu ia sobreviver e faz com que o jogador melhorasse.

“Isso foi em 1970, infelizmente no meu aniversário. Mas felizmente estou aqui e posso dar essa entrevista e até fiz o gol nessa ocasião. Dei um chapéu no goleiro do Água Verde, Leopoldo, fiquei olhando e me despreveni um pouco, me desarmei, fiquei olhando para ver se a bola iria para o gol ou não. Houve o choque do joelho do Leopoldo onde houve a perfuração no meu intestino, queda das alças intestinais e acabei indo para o pronto socorro e fiquei lá em estado muito grave, em estado de coma. Recebi extrema-unção do Frei Pio, que hoje está no Vaticano, mas sobrevivi. Fiquei 70 dias hospitalizado e fui atendido por uma equipe médica e nosso corpo médico. Houve uma atenção muito especial dos dois Vialle, Roberto e João Carlos, e o chefe de plantão, Dr. Bezede Nassif Júnior, atleticano. Quando saí fui abraçado pelo Dr. Bezede e, em 1972, fiz o gol do título contra o Atlético e logo em seguida encontrei o Dr. Bezede e ele até brincou comigo: “Eu te salvo a vida e você me ferra’”.

A lenda é mais famosa que a história e o drama. É o caso da venda ao Vasco, quando a diretoria do time carioca chegou a Curitiba querendo contratar “aquele polaco que tem o nome começando com K”. Evangelino da Costa Neves se fez de desentendido e vendeu Kosilek.

 

VOLTA AOS GRAMADOS

(Fonte: Coritiba Oficial)

Em 1972, após ter ficado parado em decorrência a lesão, Krüger volta aos gramados, e marca o gol do título do Bicampeonato Paranaense, contra o rival Atlético PR, dando sequência a maior série de títulos do Coxa. O Coritiba nunca havia conquistado um tri campeonato, e foi ai que mais uma vez Krüger entrou para a história junto com o clube. Na volta de Bandeirantes, com a taça de Tri, o Coritiba chegou em Campo Largo e como disse Krüger "começou a procissão", à BR - 277 estava parada para receber a equipe Coxa Branca, uma festa sem tamanho, por uma conquista inédita.

Krüger também participou do título do Torneio do Povo em 1973, foi o primeiro título nacional de um clube do Sul do Brasil, o jogo decisivo foi contra o Bahia em Salvador, o gol sai em uma jogada da defesa do Coritiba, Hélio Pires recebeu a bola, a torcida do Coritiba estava atrás do gol, onde o time iria atacar, um torcedor do Bahia, que estava ali entre os do Coritiba, estava com um apito e apitou na hora do ataque, com isso a defesa do Bahia parou, Hélio Pires também parou e olhou para o juiz, que mandou seguir o jogo, o atacante que era muito veloz, seguiu na jogada e marcou o gol que deu a vitoria nos últimos minutos de jogo.

 

GANHAR TÍTULOS VICIA.

(Fonte: Coritiba Oficial)

 

A alegria de se ter conquistado o primeiro tri campeonato Paranaense da história, fez com que o Coritiba chegasse mais longe e tivesse uma obsessão por mais títulos, de 1971 à 1976, só deu Coxa, e Krüger fez parte dessa história marcante para o time. O Coritiba chegou ao Hexa campeonato Paranaense.

"Os marcantes são sempre os clássicos. Te marcam mais, como o de 1967 quando ganhamos do Atlético por 5 a 0 e eu fiz dois gols. Em 1968, tive o meu primeiro título e ganhamos aqui (Couto Pereira então Belfort Duarte), fiz o gol da vitória e deu a oportunidade de jogarmos pelo empate lá no Durival Britto e o Paulo Vecchio fez um gol histórico quando estávamos perdendo por 1 a 0 e empatamos aos 45. Depois, em 1972, fiz o gol do bicampeonato. Me marca muito um gol que fiz em Argel, contra a seleção da Argélia. Era um amistoso e eu driblei toda a defesa e o último foi o goleiro, a bola estava quase saindo na linha de fundo e chutei meio sem ângulo. Fiz o gol e a torcida local reconheceu e me aplaudiu. Foi 4 a 1 ou 4 a 2 e eu fiz dois em 1969.”

 

O APELIDO FLECHA LOIRA

 

(Fonte: Gazeta do Povo)

 

No dia 17 de Dezembro de 1967, o Coritiba goleou o Atlético PR por 5x0, em um dos gols Krüger executou um drible que era chamado de "drible com o olhar". Em cobrança de lateral em sua direção, a bola chegou rasteira e forte na grande área, o zagueiro do Atlético Charrão correu para marca-lo, mas, com um rápido movimento dos olhos, Krüger deu à entender que iria driblá-lo e desequilibrou o adversário. Com o caminho livre, passou pelo adversário, driblando-o sem tocar na bola e na sequência marcando o golaço.

E foi ai que Krüger, rápido e habilidoso, receberia o apelido de "flecha loira", apelido que marcaria sua história para sempre.

APOSENTADORIA

( Fonte: Coritiba Oficial)

Seu último jogo nos gramados foi contra o Atlético Pr em 1976, em um jogo emociante,  Krüger foi aplaudido de pé, até mesmo pelos torcedores Atleticanos.

Depois de defender as cores do Coritiba, e após também o acidente que não lhe permitiu jogar por muito tempo, Dirceu Krüger não quis sair do seu tão amado clube e preferiu ficar nos bastidores. O Coritiba fez com que deu ídolo ficasse no time, manteve ele, e não foi de forma política ou para se aproveitar, manteve ele por amor e por agradecimento por tudo que ele fez ao Coritiba.

Entre 1979 e 1997, assumiu como técnico interino, foram 185 partidas, número que o deixa em segunda posição em técnicos que mais treinaram o time, ficando apenas atrás de Felix Magno que tem 201 jogos pelo Coxa.

"Tive convites para sair do Coritiba em diversas situações, como atleta, treinador, dirigente. Mas aqui é minha casa, nunca tive a menor vontade de deixar este clube. O Coritiba é minha vida", dispara Krüger.

Um ano antes da campanha do título Brasileiro de 85, Krüger teve a oportunidade de comandar o time por uma temporada inteira, uma campanha de superação, levou o time as fases finais e mais do que isso, formou a base campeã do título de 85.

Auxiliar técnico na campanha do título Brasileiro de 1985, Krüger dirigiu o time em um jogo contra o Goiás, após uma série de vitórias, depois comemorou o título inédito do Coxa.

Um dos momentos mais emocionantes foi o acesso à primeira divisão, em 1995, Krüger comandou o time contra o Ceará em um jogo decisivo em pleno Presidente Vargas em Fortaleza, um jogo cheio de emoção que colocou o Coxa entre os melhores do torneio.

Hoje Dirceu divide sua experiência pelos corredores do Coritiba, como supervisor  técnico das categorias de base.

"Só tenho a agradecer a todos que de alguma maneira fizeram parte da minha história no Coritiba. Jogadores, atletas, diretorias que sempre me deram essa moral e também aos funcionários queridos que me dão tanto carinho todos os dias da minha vida", finalizou o Flecha Loira.

E por esses e mais um milhão de motivos que eu, e a grande maioria dos torcedores do Coritiba tem como seu ídolo eterno Dirceu Krüger, a cada jogo, cada entrevista uma demonstração de amor diferente ao clube, hoje em dia, algo difícil de se ver, muitos jogadores viram ídolos de seus clubes e acabam saindo por deixar o dinheiro falar mais alto, muitos saem como mercenários.

Não é a toa que Dirceu completou 50 anos de Coritiba nesta quarta feira (24), e como agradecimento, a torcida do Coritiba passou alguns meses fazendo uma campanha na internet para homenagear o ídolo, muitos disseram que não iríamos conseguir juntar o dinheiro para fazer a estátua, mas calando a boca de muitos, a torcida conseguiu arrecadar R$140 mil reais e fez essa bela homenagem ao jogador, virasse realidade.

 

(Fonte : Gazeta do Povo)

 

A inauguração da estátua aconteceu na noite de quarta feira (24) dia em que completou 50 anos como funcionário do clube, a festa foi completa e a torcida compareceu para homenagear Krüger. A estátua ficou posicionada em frente ao estádio. Dirceu também foi o primeiro jogador a ganhar uma bandeira, que desde 2007 (e por muitos jogos), ocupada um lugar especial na Mauá.

 

(Fonte: Gazeta do Povo)

“É uma emoção indescritível, não há palavras para representar o que estou sentindo. Ficou realmente incrível. Jamais pude imaginar que em algum dia em minha vida eu merecesse receber uma homenagem como essa. Só posso agradecer a toda a nação coxa-branca por essa realização”, disse o emocionado Krüger, que mais uma vez segurou as lágrimas e curtiu o momento ao lado da família e dos coritibanos.

“O Coritiba vive um momento especial com essa homenagem. O Krüger é um ser humano especial e essa homenagem representa a todos. Todos nossos ídolos da história estão sendo homenageados neste momento. Que essa homenagem reflita aos atletas e funcionários que estão no clube", destacou o presidente do Coritiba, Rogério Portugal Bacellar.  

A estátua possui a altura real de Dirceu Krüger, com 1,73 m. Todo o monumento, que foi esculpido em bronze, tem um peso total de 320 Kg e ficará exposto a partir da noite de hoje em frente à entrada administrativa do Couto Pereira.

(Fonte : Coritiba Oficial)

Dirceu Krüger, uma pessoa para se ter como exemplo, de jogador, de pessoa e se superação, nunca desistiu dos seus ideais, sempre com um sorriso no rosto buscando deixar seu aprendizado e ensinamento aos mais novos, Dirceu Krüger não merece apenas ser homenageado pelos 50 anos de clube, e sim por todo o exemplo de amor que deu ao time. Flecha Loira merece mais do que nunca, nosso carinho, agradecimento e uma homenagem eterna.

 

Deixo aqui minhas humildes palavras a alguém que, ajudou o time do meu coração, que mostra aos que não acreditam, que não é apenas futebol, é  amor, é dedicação, é trabalho, é carinho, é respeito, é amizade, e acima de tudo, é gostar do que se faz e dizer com orgulho: EU SOU TORCEDOR DO CORITIBA!

 

Patricia Moro