DO CÉU AO INFERNO

 

Após o duelo de quarta-feira contra o Vasco, pelas quartas de final da Copa do Brasil, o discurso que se ouvia nos domínios tricolores era apenas um: ESTAMOS ATENTOS PARA GANHAR!

A afirmação ganhou força nos últimos dias, e voltava-se para o clássico de ontem, contra o Palmeiras, talvez o último Choque-Rei do ano, e também provavelmente o último na vida de Rogério Ceni. E, de fato, o time do Professor Osório estava atento para ganhar. Mas, o inesperado estava por vir.

Vários eram os fatores, que levavam o clássico a ser um interessante espetáculo. Perspectivas e expectativas eram os temperos principais para o confronto, já que os rivais paulistas entrariam em campo com a missão de se consolidar no G-4, brigando diretamente pela última vaga da tão sonhada zona de classificação para a Libertadores.

E assim como a briga pelo G-4, também estava em questão a quebra de um tabu: o Palmeiras não sai vitorioso dos gramados do Morumbi desde o ano de 2002, no torneio Rio-São Paulo.Assim, de um lado o São Paulo querendo conquistar a vaga e manter o tabu em cima do rival palestrino, e por outro, o Palmeiras com a difícil tarefa de quebrar esse tabu e contabilizar mais uma vitória em cima do rival tricolor, que já tem no ano duas derrotas elásticas em clássicos para o time alviverde.

Osório, como nos últimos jogos em que esteve no comando, não pôde contar com alguns jogadores, como Luis Fabiano, que saiu de campo lesionado, no confronto da última quarta-feira, contra o Vasco pela Copa do Brasil. Também na lista de desfalques, Alan Kardec (que foi liberado pelo departamento médico, mas ainda aprimora a forma física), os zagueiros Luiz Eduardo e Breno (esse último, desfalque de última hora), e o volante Hudson (que também aprimora a forma física após ficar fora por sentir dores musculares).

Com isso, o Professor relacionou 20 jogadores, e o São Paulo foi a campo com Rogério Ceni no gol, Bruno e Matheus Reis pelas laterais, fazendo a linha de quatro zagueiros, juntamente com Rodrigo Caio e Lucão. Pelo meio, Thiago Mendes e Carlinhos, acompanhados de Paulo Henrique Ganso como meia-armador. No ataque, Michel Bastos e Alexandre Pato pelas pontas, e Rogério como centroavante. No banco, Denis (relacionado após 7 meses desde a cirurgia no ombro direito), Wilder, Reinaldo, Wesley, Centurión, Auro, Lyanco e Murilo.

Com filosofias de trabalhos distintas, Osório e Marcelo Oliveira se encontraram mais uma vez, e foi notável a diferença no método de trabalho de cada um.

Dado o apito inicial pelo árbitro Anderson Daronco, o São Paulo entrou em campo com a máxima “ESTAMOS ATENTOS PARA GANHAR”, e era visível esse desejo por parte dos jogadores tricolores, que fizeram um 1º tempo agitado, com belos passes e ótimas jogadas. Um 1º tempo digno de campeão, com Rogério Ceni sem ter muito trabalho, já que o rival tinha pouca posse de bola e quase nenhuma chance de contra-atacar. Assim, dominando o jogo, o Tricolor chegava com mais intensidade ao ataque, construindo as melhores possibilidades para abrir o placar.

O Palmeiras foi dominado o jogo inteiro, do início ao fim, só levando susto ao arqueiro tricolor aos 29 minutos da etapa inicial, com uma bola no travessão. Mas como na maioria dos últimos jogos, o São Paulo não foi feliz nas finalizações e desperdiçou diversas chances claras, convertendo apenas uma – das muitas – em gol. Assim, o Tricolor ditou o ritmo da partida e continuou com a posse de bola, mesmo com uma queda no rendimento.

Na etapa inicial, Michel Bastos arriscou da ponta direita e quase marcou. Aos 12 minutos, o árbitro não viu quando Prass, já fora da área, se atrapalhou e deu um tapa na bola ao tentar se antecipar ao atacante Rogério. Daronco não viu e marcou apenas tiro de meta, causando um sentimento de revolta por parte dos jogadores e da torcida. Logo em seguida, Ganso mandou à esquerda do gol de Prass, arriscando da entrada da área.

Fora o desempenho do goleiro alviverde, e as finalizações desperdiçadas, o São Paulo também travava nas posições irregulares, com os bandeirinhas marcando impedimentos, muitas das vezes. Inclusive, por conta de um impedimento, aos 23 minutos da segunda etapa, o atacante Rogério teve seu gol anulado e não pôde comemorar o tento, juntamente com a torcida, que ficou frustrada.

Na volta do intervalo, aos 5 minutos, novamente Rogério teve chance de abrir o placar, quando chutou rente à trave direita de Fernando Prass. Aos 7’, Ganso chutou por cima da meta alviverde. Logo em seguida, Michel Bastos se lesionou e foi substituído por Wilder. E após tantas tentativas, o gol saiu. Aos 15 minutos da 2ª etapa, Thiago Mendes levou a melhor numa disputa com Gabriel Jesus, quando esse tentava ganhar a bola para cruzar na área da defesa tricolor. Uma roubada de bola espetacular e ótima jogada para Paulo Henrique Ganso, que pela esquerda deu um belo passe para Carlinhos chutar e marcar. Um golaço de fora da área, no canto direito de Fernando Prass.

O Professor Osório ainda sacou Alexandre Pato (que durante sua atuação em campo, mostrou não estar inspirado), e Matheus Reis, promovendo as entradas de Lyanco e Wesley, respectivamente. E mesmo com a entrada de um zagueiro no lugar de um atacante, o São Paulo continuou buscando o 2º gol, que acabou não saindo.

E assim foi até quase o final da partida... Mas, o inesperado estava por vir.

Com erros cometidos por Daronco, que deixava de marcar algumas faltas e dava outras que sequer tinham acontecido, o que mais o torcedor do São Paulo, e até mesmo o próprio time queria, era que a partida terminasse e que a vitória fosse contabilizada, mesmo essa sendo apenas de 1x0. O que importava eram os 3 pontos e a vitória em cima de um rival. E ele achando que ainda não estava bom, deu 4 minutos de acréscimo. Ali começaria o drama da semana.

Quando a partida parecia estar caminhando para um final feliz para os tricolores, eis que, aos 47 minutos, o Palmeiras foi alcançado pela sorte. Ou teria sido o São Paulo pelo azar?!

Rogério Ceni... Sim, aquele que tantas vezes salvou o time de tomar goleadas, que tanto se esforçou para não desfalcar o São Paulo em jogos importantíssimos e difíceis. Aquele que além de jogar com as mãos, aprendeu também a jogar com os pés. Aquele que tomou tantos gols, mas que também os fez... Logo ele, o Mito, errou. E errou feio. E aqui vai um trecho do texto ROGÉRIO CENI – M1TO (https://apaixonadas-por-futebol4.webnode.com/news/rogerio-ceni-m1to/), também escrito por mim: "Quantas vezes ele já foi do céu direto pro inferno?! Quantas vezes ele agarrou tanto em um jogo e, de forma tão rápida e inacreditável, sofreu gols bizarros por uma saída do gol, que talvez não tivesse acontecido se um zagueiro não recuasse a bola, ou sei lá, qualquer outra coisa parecida”. Parece que eu estava imaginando o que viria algumas semanas depois. Ele praticamente não precisou fazer esforço durante os 90 minutos de jogo, mas por infelicidade (talvez falta de humildade?!), foi totalmente ‘ingênuo’ e mudou o enredo dessa história. O sonho tornou-se pesadelo. O conto de fadas virou um filme de terror. E ele?! Foi DO CÉU AO INFERNO!

Numa saída de bola infeliz, Rogério Ceni chutou praticamente em cima de Alecsandro, e Robinho (sim, aquele mesmo!), no rebote, mandou por cobertura (sim, da mesma forma como aconteceu no Allianz Parque!) pra dentro das traves do Mito, que nada pôde fazer, além de se lamentar.

Um empate amargo com gosto de derrota, por tudo o que o São Paulo mostrou em campo. Domínio de jogo, garra, força de vontade, espírito vitorioso... um time vencedor!

Aí não dava mais pra fazer nada, além de se lamentar. Só restava esperar o apito final, que veio logo depois do gol palestrino. E o sentimento?! Tristeza. Semblantes visivelmente inconformados após o jogo estar nas mãos. Revolta para aqueles que saíram do Morumbi antes do jogo acabar, enquanto ainda estava 1x0. Para eles, o jogo acabou e o São Paulo saiu com os 3 pontos, conquistando o 4º lugar da tabela e deixando o Palmeiras pra trás. Enfim...

O tabu continua. Mais um ano se vai com o Palmeiras sem vencer no Morumbi. E para o São Paulo?! Mais um clássico sem vencer o Palmeiras.

Em relação ao Campeonato Brasileiro, o que nos resta é esperar o próximo confronto, que será no sábado, contra o Atlético Paranaense, também no Morumbi. E que o São Paulo jogue como jogou ontem, mas fazendo gols. Porque quem não faz, leva. E nunca esse ditado futebolístico serviu tanto de lição como tem servido nos últimos dias, meses, anos.

Já durante a semana, não nos esqueçamos do jogo de volta pelas quartas de final da Copa do Brasil, na quarta-feira (22h/Brasília), onde o Tricolor encara o Vasco, no Maracanã, com a vantagem de poder perder por até dois gols. Caso faça um, pode perder até por três. Basta saber administrar, não deixando de ser um time ofensivo e nunca esquecendo que #juntossomosmaisfortes!

Por Renata Chagas