DO INFERNO AO CÉU EM NOVENTA MINUTOS

 

“Grande são os outros, o Fluminense é enorme.”

 

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Foto de Lucas Merçon

 

Quem poderia imaginar o que aconteceu no jogo contra o Grêmio? Eles começaram em uma pressão absurda contra nosso elenco, que parecia não ter entrado em campo, e fizeram três gols nos primeiros vinte e um minutos.

Meu coração batia descompassado e a tristeza o invadia. Pensei, inclusive, que poderíamos levar uma goleada, tamanho foi o poderio ofensivo do rival, que parecia imbatível.  

Com os gols, o time comandado por Renato Gaúcho cresceu e continuou sua tentativa de ampliar o placar, enquanto o Fluminense não conseguia burlar a forte marcação e passar do meio de campo. Com o passar dos minutos, o Grêmio acomodou-se e entrou numas de administrar o resultado positivo, diminuindo assim o ritmo de jogo. Grande erro acreditar que o triunfo era certo.

Com 38 jogados, Caio Henrique e Luciano trocaram passes e a bola chegou aos pés de Yony González que colocou a bola no fundo da rede. Dois minutos depois, houve uma falha do nosso ex-goleiro Júlio César ao tentar driblar Luciano, mas perdeu o duelo e viu nosso atacante fazer o segundo.

Neste momento, aquela tristeza inicial deu lugar a uma esperança mágica e eu comecei a acreditar na virada.

 

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Luciano comemora um dos seus gols na partida

Foto de Lucas Merçon

 

Meu tricolor voltou para a segunda etapa com uma postura completamente diferente. O torpor inicial do elenco dissipou-se e o time tornou-se muito mais combativo e aguerrido dentro das quatro linhas.

Os jogadores acordaram e honraram a camisa mais bonita do mundo com vigor. Nos dois minutos iniciais, criaram duas belas jogadas que poderiam ter resultado no terceiro tento.

A primeira delas surgiu quando Bruno Silva segurou um rebote na entrada da área e chutou forte para defesa de Julio César. A segunda veio depois de uma cobrança de escanteio onde nosso zagueiro Matheus Ferraz subiu e cabeceou e, novamente, o arqueiro defendeu. Senti que o empate estava perto de acontecer.

Aos sete minutos, nova cobrança de escanteio e, mais uma vez, Matheus Ferraz cabeceou e o goleiro espalmou para fora. Meu coração acelerou de vez e aquela certeza do empate ficou mais forte.

Dois minutos depois, uma falta na área foi batida e quem subiu para tentar a cabeçada foi Luciano. Julio César até defendeu só que nosso “Maldini”, Matheus Ferraz foi sagaz e pegou o rebote e com muita precisão fez o terceiro. Empatamos e foi impossível conter minhas lágrimas de tanta emoção.  

Nosso elenco continuou a criar boas jogadas ofensivas e marcou o adversário com eficiência impedindo o avanço do seu ataque. Os gremistas, que a princípio mostraram confiança e até certa empáfia, começaram a esboçar nervosismo.

Foi em cima deste descontrole que surgiu o gol da virada. Kannemann agarrou Matheus Ferraz na área e o árbitro marcou pênalti, aos 26. Foi nosso queridinho atacante Pedro quem bateu com categoria e colocou o Fluminense na frente no placar.

Uma sensação de plenitude invadiu meu coração e as lágrimas insistiam em cair.

Diante do cenário, o rival tentou recuperar o prejuízo e partiu para o tudo ou nada. A essa altura, Renato Gaúcho esboçou em seu rosto uma expressão que traduzia “não acredito no que vejo”.

Seu elenco aproveitou uma falha feia de Bruno Silva só que Marinho chutou por cima do travessão. O Fluminense respondeu na sequência, num avanço ligeiro onde Daniel finalizou e Julio César defendeu. Que emoção ver aquele lá e cá das duas equipes. Até que, aos 38, Kannemann subiu sozinho, após cobrança de escanteio, e cabeceou para marcar o quatro. Empate cruel para a torcida Tricolor.

O melhor estava por vir nos minutos finais. O Grêmio pressionou o quanto pôde e teve a chance de virar com um chute de Luan, mas Rodolfo foi perfeito na defesa, assim como quando segurou o chute de Marinho pouco depois. Como nada é impossível para o Fluminense continuei a crer que sairíamos da Arena vitoriosos. O juiz marcou quatro minutos de acréscimo e meu coração saia pela boca literalmente e mantive o pensamento de que ainda tínhamos tempo para fazer o quinto gol.

Minha certeza foi confirmada quando Yonny González aproveitou rebote ofertado de bandeja por Kannemann e chutou sem a menor chance para Julio César. Meu grande amor virou o jogo e me levou ao céu. Graças a Deus sou Tricolor. Alegria infinita, emoção à flor da pele, lágrimas nos olhos e imenso amor no coração.

 

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Matheus Ferraz teve atuação impecável e ainda marcou gol

Foto de Lucas Merçon

 

Desta vez não vou me concentrar nos erros, seria injusto diante da partida apoteótica feita pelo Fluminense. Destacarei as atuações precisas do nosso defensor Matheus Ferraz, um gigante com desempenho perfeito pelo alto; de Gilberto e sua participação constante nos ataques; de Daniel que ajudou na mudança do estilo de jogo do time com sua velocidade, assim como Pedro que incomodou a marcação adversária; de Yony González, incansável e certeiro no setor ofensivo e de Luciano intensamente eficaz no ataque, o que resultou em dois gols.

Apesar de insistir na formação inicial com três volantes, Fernando Diniz percebeu a ineficácia do esquema e fez as alterações corretas para mudar o rumo da partida e proporcionar uma virada histórica. Na entrevista coletiva, depois do jogo, ele fez suas considerações.

“Quando o Grêmio fez os dois primeiros gols, em erros que não podíamos ter cometido nosso time sentiu e como o esquema ficou desorganizado, sofremos o terceiro gol. Mas insistimos no jogo, seguindo o padrão que treinamos e conseguimos diminuir o placar. Fizemos ajustes no intervalo trazendo o Yony e o Luciano por dentro para podermos fazer uma pressão mais bem feita, com os encaixes mais precisos e isso deu resultado.

Tivemos um domínio grande até conseguir a virada. Sofremos o empate em uma bola parada, e tivemos a felicidade de fazer o quinto gol. Mostramos ser uma equipe persistente, que sabe lutar, que acredita nas ideias. É assim que estamos amadurecendo a equipe”, avaliou.   

Para fechar minha resenha quero agradecer todo o apoio carinhoso que recebi durante a partida de duas colunistas maravilhosas do BlogMec, com quem troquei mensagens via WhatsApp. Meu amor eterno Mara Lima, Musa do Santinha, e Mariana de Moraes, Musa do Remo. O que eu seria sem vocês? Gratidão Lara Andrade, minha filha amada, que também esteve comigo durante os noventa minutos. Ela sabe como a mãe ama incondicionalmente e assim aprendeu a amar também o nosso Fluminense.

Na noite de domingo (05), foi dia de festejos no firmamento. Lembrei-me do saudoso amigo Maurício Lima e sei que ele ficou radiante com o triunfo, assim como me veio à mente nossos ídolos Assis, Washington, Ézio e Castilho, que com certeza vibraram com a entrega deste time e comemoraram a nossa vitória. Recordar é viver.

 

Eu nasci para te amar até o dia em que eu morrer Fluminense!!!

 

Carla Andrade