Do interior do RS, para o mundo

Olá, chego aqui para me apresentar para vocês. Me chamo Esporte Clube Avenida, mas muitos me conhecem por Periquito mesmo. Sou de Santa Cruz do Sul, uma cidade com 140 mil habitantes, no interior do Rio Grande do Sul e nesta semana completo 73 anos.

Há 73 anos, gerações santa-cruzenses vestem o verde e branco da minha camisa, compram ingressos para se abancar no sofá da minha casa, o Estádio dos Eucaliptos. Meu sofá é modesto, gelado e de concreto, fica mais gelado ainda no nosso inverno gaúcho, mas é envolto de muita emoção, isso eu garanto. Na parte mais confortável da minha casa, estão cadeiras remanescentes do Estádio Olímpico - POA, hoje pintadas de verde e abancando meus mais antigos torcedores, alguns me acompanham desde a fundação e já viram meus piores momentos, inclusive quando me fundi ao maior rival décadas atrás e vesti amarelo e azul, viram também o único título estadual da nossa cidade, que está sob meu domínio, a Divisão de Acesso 2011.

Há 73 anos, camisas verde e branca são tiradas do armário e levadas até o estádio, ao menos uma vez por semana. É lá que eu transformo o mundo de centenas de pessoas, e deixo os problemas delas do portão pra fora. O amor ao próximo some por segundos, quando o árbitro erra contra mim e, nas arquibancadas, até o amistoso de oito anos atrás que ele também não me marcou um lance a favor, é lembrado.

Fonte: Daniel Pillar

Torcida há 600km de SCS, acompanhando o time.

É na minha casa, que o cidadão desconhecido que está ao lado vira melhor amigo quando marco um gol.

Esse é o Avenida, meu time. E sobre ele eu posso dizer que há alguns anos que as semanas são contadas pelas quartas e domingos de futebol. Pelas vitórias, derrotas, empates e, em especial, pelas histórias que o PERIQUITÃO nos traz. Eu não vivi a fusão com o rival, e nem fardei a camisa amarela e azul ou verde e preta da época. Mas eu vivi a caminhada que trouxe a única estrela de título pra cidade, eu vivi aquele gol do Fininho nas Castanheiras, em 2011. Eu vivi o descenso no saldo de gols, a maior goleada da história de campeonatos oficiais do RS (Avenida 10 x 0 Riopardense). Eu vivi disputa por pênalti em quartas de final e acesso para elite, abaixo de muita chuva. Há alguns anos que o Avenida me tirou do ócio e deu novas cores, alegrias, histórias e amizades.

Admito, às vezes, ao demonstrar nosso amor pelo clube parecemos meio patéticos, mas é uma coisa que é mais forte que nós, é sobre-humano, e é justamente essa a magia do futebol. É totalmente inexplicável o que sentimos, é totalmente independente de resultados, é lindo e é verdadeiro. A sensação de estar dentro de um estádio, lotado ou não, é incrível!

 

Fonte: Daniel Pillar

Time que conquistou o último acesso à série a estadual, em 2014.

O vibrar em conjunto na arquibancada é uma goleada de emoção no sofá e a televisão. A gente ama nosso time. Quando ganha, sentimos que também ganhamos, quando perde, sentimos que também perdemos, quando faz aniversário, sinto que também envelheci.

 

Certa de que tu ainda me darás muitas alegrias, Sabrina Heming.