Dom Diego: o ídolo artilheiro do Galo

 

O seu primeiro gol, foi marcado contra o maior rival e seu  “até logo” também foi coroado  com um gol marcante: na conquista da Copa do Brasil.

O nome dele é Diego Tardelli Martins, nascido em Maio de 1985 em Santa Bárbara d’Oeste, uma pequena cidade de São Paulo. Ele que fez mais de 100 gols com a camisa atleticana, que se tornou o 6º maior artilheiro alvinegro em clássicos, se igualando a Nilson, Paulo Isidoro, Guilherme e Lauro, deixando para trás nada menos que Éder Aleixo, Dario e Nívio. Tardelli deu sangue e raça por esse time e que soube valorizar a força que a torcida tem.

 

 

O princípio

 

Os primeiros passos de Tardelli no futebol começaram em Curitiba, em um clube empresa da cidade chamado Partner Football. Ele chegou a ser emprestado para as categorias de base do Santos, mas logo foi devolvido ao clube de origem. Antes de sua chegada ao São Paulo, onde deu início as suas atuações como profissional, Tardelli ainda teve uma passagem pelo União Barbarense.

Foi no São Paulo que surgiram as suas primeiras oportunidades como profissional e onde obteve grandes conquistas: em 2005 foi campeão paulista, da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes. Foi então que, após problemas disciplinares, começou uma saga ao passar por diversos clubes sem se manter em nenhum deles: Real Betis da Espanha, São Caetano, PSV Eindhoven e, por fim, retornou ao São Paulo em 2007 quando conquistou ainda o Campeonato Brasileiro do referido ano. No ano seguinte, Tardelli foi contratado pelo Flamengo, onde batalhou por uma titularidade que teve pouca duração - sofreu uma grave fratura no braço e foi afastado da equipe.

 

Bem-vindo ao Clube Atlético Mineiro

 

Foi então que sua história no Clube Atlético Mineiro teve início. Foi em 2009 que o atacante teve a sua primeira passagem pelo time e começou a construir uma história de muito reconhecimento pela instituição e também pela torcida. Sua primeira partida e também o seu primeiro gol foi justamente contra o rival Cruzeiro, que ainda sofreria muitos gols do atleticano. Neste primeiro ano, Tardelli fez parte de uma campanha que teve um início muito bom no Campeonato Brasileiro da referida ocasião, mas que acabou por ter um final não satisfatório para a equipe. Ainda assim, o jogador se consagrou o maior artilheiro da temporada e foi considerado por muitos o melhor atacante da competição.

Com diversos troféus individuais recebidos devido a suas boas atuações, ele se tornou reconhecido no cenário nacional e chamou a atenção de Dunga. Foi então que viu seu nome figurar pela primeira vez na lista de convocados para a Seleção Brasileira, que disputaria um amistoso contra a Estônia. Tardelli ainda teve participação nos últimos dois jogos da eliminatória para a Copa do Mundo de 2010, mas em nenhuma dessas oportunidades conseguiu balançar as redes.

O atacante seguiu no Atlético até o início de 2011 e se sagrou campeão apenas do Campeonato Mineiro de 2010. Tornando-se destaque no Brasil em sua posição, ainda em 2011, após essa passagem pelo time alvinegro, Tardelli se transferiu para um clube da Rússia, o Anzhi Makhachkala. Não tendo se adaptado bem, alguns meses depois, acertou a transferência no valor de 4 milhões de euros para o Al-Gharafa do Qatar.

 

O retorno

 

Mas o bom filho a casa torna e, em 2013, após longa negociação, Dom Diego retornou ao Atlético para disputar a Copa Libertadores e novamente fazer história.

"A ficha ainda não caiu, por tudo que aconteceu nos últimos três dias. Mas sei da minha responsabilidade, do peso que carrego por tudo que fiz. Sei que não foi fácil minha vinda, agradeço ao Kalil e ao Maluf por terem acreditado em mim novamente, pela paciência na negociação. A gente vai buscar o objetivo principal esse ano que é a Libertadores. Só tenho que agradecer à Massa. Espero retribuir tudo isso. Eles esperam isso de mim. Eles confiam em mim e foram lá me buscar. Eles me queriam aqui e vou trabalhar para retribuir esse carinho dentro de campo" – Diego Tardelli sobre o seu retorno ao Atlético.

Mais um campeonato Mineiro entrou para o seu currículo, sem saber que era só o ínicio de um ano inesquecível com a camisa preta e branca. O ídolo da torcida alvinegra juntamente com Jô, Bernard e Ronaldinho formou um quarteto ofensivo decisivo na conquista da competição e se tornou vice-artilheiro da disputa.

Em 2014, além da conquista da Recopa Sul-Americana, quando fez seu centésimo gol vestindo a camisa do Galo, o atacante fez parte de mais uma conquista atleticana. Em uma campanha épica do Atlético, que deixou para trás times como Palmeiras, Corinthians e Flamengo, ele sacramentou o título inédito da Copa do Brasil, após já ter alcançado ótimas atuações na competição. Na entrada para o campo, o jogador chegou a tocar na taça, como se soubesse que faria o único gol da partida final contra o rival Cruzeiro. E foi assim que ele se despediu, com o que esperamos ser um até breve, do time com que mais se identificou na carreira.

 

Conquista da Copa do Brasil 2014 - globoesporte.com

 

O bom rendimento do jogador e equipe rendeu a ele uma nova convocação para a Seleção Brasileira para amistosos contra Colômbia e Equador. No Super clássico das Américas de 2014, Tardelli ainda fez dois gols sobre a Argentina garantindo a vitória brasileira.

 

Tardelli comemora gol em Super clássico das Américas - brasilpost.com.br

 

Atualmente, o atacante está no Shandong Luneng, clube da China, para onde foi vendido por cerca de 5,5 milhões de euros. Mesmo a milhas de distância o jogador mantém a sua conexão com o Clube, sempre admitindo a sua torcida pela equipe e mandando mensagens de carinho em datas especiais, tais como o aniversário do Atlético.

Atacante parabeniza Atlético pelos 108 anos – Instagram oficial do jogador

 

O ídolo artilheiro

 

A trajetória marcante de Dom Diego no Atlético o tornou ídolo da torcida. A identificação criada entre jogador e time criou uma áurea de adoração por parte da torcida, que entende e admira a importância que ele representa para cada um de nós, que em uníssono no estádio, saldávamos a presença dele nos gramados em um grito de “Tardelli... Gol! Gol!”. Ele será sempre o artilheiro alvinegro, o dono da metralhadora de gols que fez a alegria dos atleticanos, que nunca se acovardou diante de seu rival e que se mantém, firme e forte, nas nossas memórias das conquistas mais importantes.

O mais sincero obrigada, em nome de uma nação de milhões, por ter incorporado a verdadeira alma de um atleticano. Você internalizou perfeitamente o espírito alvinegro e o representou honrosamente nos gramados por onde passou. Não lhe faltou vontade, nem raça. A técnica esteve sempre presente. E os gols – ah, os gols – esses ficarão eternizados na história do Clube Atlético Mineiro.

 

por Júlia Campos