E AGORA, DE QUEM É A CULPA?

 

Foto: Zé Tramontim

Relaxem, a culpa não é de vocês por terem este sorriso. Depois do empate de ontem (1), ouvi muitos torcedores tentando "dar nomes" a quase derrota alvinegra, nomes de jogadores que suaram por muito tempo para trazer o fantasma até a série B e até hoje lutam para deixar o Operário por aqui. 

É uma lástima ver torcedores que chegaram agora no estádio ficarem difamando e vaiando jogadores do próprio time, no próprio estádio, com a família dele sentada ao lado e com ele ouvindo na sua frente, vergonhosa essa atitude mas vamos ao jogo em geral.

Quase acertei a escalação, se não fosse por Jardel e Cléo Silva. O meia Marcelo devolveu a braçadeira para o volante Jardel, porém a pegou de volta meados do segundo tempo. O nome Marcelo pode ser falado como um dos melhores jogadores da partida, o camisa 10 vem fazendo um ótimo campeonato e ontem só faltou aquele "golzinho" para se consagrar. Aliás, foi uma partida de gols não feitos e totalmente equilibrada, porém o Atlético Goianiense fez quase o dobro de faltas do que Operário.

No primeiro tempo foram aqueles "quase gols" que eu falei. A primeira tentativa foi de Gilvan, do Dragão, que cabeceou sozinho para fora, e o Operário não ficou de fora, tendo uma ótima chance com Lucas Batatinha claramente bem defendida pelo ex-goleiro alvinegro, e atual goleiro do Atlético Goianiense, Kozlinski.

No segundo tempo voltamos com Uilliam no lugar de Felipe Augusto, o camisa 7 não vem mostrando bons números, mas nada disso anula sua capacidade técnica. 

Aos 19 minutos, o time visitante abriu o placar em uma falha de Índio, o volante perdeu a bola e deixou Pedro Raul cara a cara com Rodrigo Viana que não teve chances de defender.

Aos 30 minutos, o fantasma ficou com um a menos após o zagueiro Edson Borges receber o segundo cartão amarelo da partida. As substituições do Operário foram atípicas como a entrada de Jean Carlo que não acontecia a muito tempo e a entrada de mais um centroavante, Schumacher. 

O empate se deu aos 44 minutos com o zagueiro Alisson em uma terrível falha do goleiro rubro-negro.

O jogo terminou no 1x1, e o Fantasma subiu para a oitava posição, com 45 pontos, e 100% longe de ser rebaixado, agora vão ter que nos engolir. 

Foto: Zé Tramontim

Culpa?

Após você conviver no ramo do futebol por algum tempo você começa a sentir dor pelos jogadores. Eu criei vínculos de amizade com goleiro e com jogador de linha e posso dizer: o que a torcida fala ele vai levar para si.  

Colocar a culpa da "derrota" em um único jogador e o vaiar por todo o jogo é no mínimo algo de alguém que não tem respeito e amor algum pelo próximo e pelo próprio time, a sorte é que alguns torcedores "sensatos" viram o quanto nosso volante saiu abalado do campo e aplaudiram, gritarando seu nome.

Tantos jogadores fazem coisas horríveis e ninguém faz nada, mas xingam e ridicularizam jogadores que dão seu sangue, literalmente, pelo time.

Alguns podem dizer "É normal torcedor ser corneteiro", mas coloque-se no lugar daquele atleta que treina todos os dias, muitas vezes está longe da família em datas importantes e por um tropeço acaba sendo vaiado pelo próprio time. 

Uma das coisas que tenho a falar neste pós é o quão admirada fiquei com a atitude dos torcedores do Atlético após o empate. Nas redes sociais do Dragão, o goleiro Kozlinski disse:

"Hoje podem colocar em minha conta, esse erro não podia acontecer. Acredito em nosso time, tenho fé que estaremos comemorando o acesso no final do campeonato. Hoje só quero pedir DESCULPAS ao time e a toda Nação Atleticana"

A torcida poderia crucificar o atleta, porém foi totalmente carinhosa e grata por ele dizendo coisas como: 

"Você tem crédito", "erros acontecem, estamos com você" e "Não se culpe, ninguém irá te julgar por um erro, temos que olhar por todos os acertos que já fez".

Isso é ser torcedor, apoiar e respeitar atletas mesmo nos piores momentos. Amo de todo meu coração como a torcida operariana ama o time, mas a palavra para definir ontem é: decepção. Não com o time, não com o empate, não com o Índio, decepcionada com a torcida.

Foto: Zé Tramontim 

 

Não são 90 minutos! É uma vida inteira!

por Maria Luiza Rios