ELIMINAÇÃO INDIGESTA

O Palmeiras joga muito bem e consegue fazer o mais difícil: o gol da classificação, mas escorrega no óbvio e deixa escapar a vaga para a semifinal da Copa do Brasil.

 

              Fonte: Palmeiras Oficial

              

Difícil de engolir.

Essa foi a sensação da torcida do Palmeiras, quando o juiz apitou o fim da partida de ontem, contra o Grêmio, que definiria o dono de uma das vagas para a semifinal da Copa do Brasil.

O torcedor palmeirense, fanático e apaixonado como é, lotou a sua casa, fazendo aquela festa de encher os olhos que todo mundo conhece. Para a torcida que canta e vibra não existe acepção de competições e todo jogo em que o Glorioso Alviverde Imponente estiver em campo, é o jogo da vida.

Mesmo para aqueles que insistiam em defender que o foco do Palmeiras tem que ser o Campeonato Brasileiro, foi frustrante, ver a classificação escorrer pelas mãos, ou melhor, pelos pés.

O problema não foi a eliminação em si, isso pode acontecer e faz parte do show do futebol, a questão foi a forma como aconteceu. Isso sim está entalado na garganta.

Nunca foi tão fácil avançar. Com todo respeito ao adversário, o Verdão mostrou supremacia, dominando o jogo e os reservas mostraram que podem vestir o manto sagrado e representar o time. O elenco montado por Cuca deu conta do recado e agradou.

Se o time joga mal e perde, é uma história, mas perder a chance de brigar por mais um título, sendo superior, é algo que não se digere fácil.

Cuca havia dito no fim de semana, que ainda tinha dúvidas sobre o time que enfrentaria o tricolor do Sul, mas durante a semana, declarou que havia decidido priorizar o nacional e, portanto, blindaria os titulares, a fim de evitar surpresas desagradáveis na reta final.

A declaração do comandante dividiu opiniões. Alguns torcedores fecharam com ele, concordando que o Brasileirão é a meta a ser alcançada este ano. Já o outro lado, discordou frontalmente por achar que quem joga partida decisiva, é o time titular e ponto.

No primeiro jogo em Porto Alegre, o Palmeiras não jogou bem e perdeu por 2x1. Com esse placar, um empate, no jogo de volta, dava ao time gaúcho a classificação e o Verdão precisaria de um gol, para tirar essa vantagem do adversário e garantir a permanência na competição.

Apenas um gol. Não era uma missão impossível. O sonho do tetra ainda estava vivo.

E ficou mais forte, quando a torcida viu o “mix” montado por Cuca jogar. O bom futebol apresentado surpreendeu.

O time que entrou com Jailson, Edu Dracena, Thiago Martins, Egídio, Thiago Santos, Gabriel Girotto, Fabiano, Allione, Claiton Xavier, Lucas Barrios e Gabriel Jesus, entrou com força ofensiva e logo nos primeiros instantes, disse à que veio.

A proposta de Cuca colocando Barrios no centro do ataque foi genial, o argentino que ainda não conquistou a torcida e sempre é muito questionado por seu desempenho, ontem deslanchou na função de pivô. Todas as bolas que chegavam nele eram arrumadas e lançadas para o ataque.

A primeira chance de gol veio aos doze minutos, quando Egídio cobrou uma falta e o próprio, cabeceou certeiro para gol. Mas havia uma trave no meio do caminho, no meio do caminho havia uma trave...

Aos vinte e quatro o Palmeiras quase abriu o placar, numa jogada bem trabalhada que começou nos pés de Jesus, encontrando CX10 e dele para Egídio. A bola foi rolada para Allione que chagava com velocidade. Ele chutou para o endereço certo, mas Marcelo Oliveira defendeu, salvando o Grêmio.

O Palmeiras seguiu pressionando o seu adversário, que se limitava a se defender.

Aos vinte e seis minutos, outro “quase gol”. Gabriel Jesus ajeitou para Allione bater, Kannemann defendeu. A sobra ficou com Barrios que finalizou, mas Marcelo Oliveira estava lá novamente e tirou a bola praticamente de dentro do gol.

O final do primeiro tempo mostrou domínio total do Verdão e muitos gols perdidos.

No intervalo, a torcida não estava apenas satisfeita com o que tinha visto, estava certa de que o gol chegaria, era só uma questão de tempo.

E o segundo tempo começou.

O time de Cuca, imutável, continuou se lançando ofensivamente. E aquela certeza de gol se concretizou.

Aos seis minutos, Cleiton Xavier cobrou um escanteio, Thiago Santos arrumou e o garoto Thiago Martins, oportunista e muito bem posicionado, cabeceou com muita categoria, colocando a redonda para dentro do gol de Bruno Grassi.

O Verdão abriu o placar, para a explosão da torcida que fez a Arena cantar.

O Grêmio que até aqui, limitava-se a fazer cócegas na área palmeirense, foi chamado a entrar no jogo, afinal valia vaga. Valia muito.

Foram para ataque fazendo a estrela de Jailson brilhar. Nosso gigante defendeu um chute de Walace, que quase foi o gol de empate. Belíssima defesa.

Cuca usou sua primeira substituição. Jean entrou no lugar de Fabiano.

A tarefa de casa havia sido feita, a vitória por um gol, eliminava o Grêmio e dava ao Verdão a classificação. Com o jogo controlado, agora era preciso apenas administrar o resultado e correr para o abraço.

Na arquibancada, o clima era de euforia. A torcida, que a essas alturas já falava sobre o próximo adversário, foi surpreendida por um lance inusitado, que fez a alegria se transformar em apreensão.

O relógio já marcava dezenove minutos, quando Allione foi interceptar a chegada de Everton pela lateral e entrou com força desproporcional. O juiz não esperou nem um segundo para sacar o cartão vermelho do bolso e expulsar nosso argentino.

Apesar dos protestos de alguns, a maioria concordou com a punição. Uma falta infantil e sem necessidade, que agora deixava o time em desvantagem numérica.

 

Fonte: Palmeiras Oficial

Com dez, Cuca mudou o esquema, colocando Erik no lugar de Xavier. E logo depois Zé Roberto entrou no lugar de Barrios.

Mas mesmo com as mudanças, o Verdão não foi capaz de segurar o resultado e aos trinta minutos, para desespero da geral, o Grêmio fez o gol que matou o jogo e lhe deu a classificação.

Everton aproveitou uma bola que chegava na lateral e conseguiu se livrar da marcação de Thiago Santos, disparando uma bomba, que entrou no canto do gol de Jailson.

Apesar do baque, o time de Cuca foi valente até o final e lutou para fazer mais um para levar a partida para os pênaltis, mas o desgaste físico e emocional venceu o Verdão.

A lição que essa eliminação traz é bastante pertinente. O Palmeiras tinha todas as vantagens necessárias para vencer. Fez o gol da classificação, conseguiu encaixar um bom futebol e jogava em casa, com o apoio da sua torcida.

Precisava apenas administrar. Mas administrar, após uma expulsão inesperada, mexe com a cabeça e aí é preciso muito mais que bom futebol. É inadmissível deixar escapar resultados dessa forma.

Na boca do torcedor, um gosto amargo. Mas não é o gosto amargo da derrota. É o gosto da constatação de que o mais difícil fora feito, com louvor. Esse gosto é muito mais amargo.

Alê Moitas