EM NOITE HISTÓRICA, BANGU BATE O VASCO DE VIRADA E VAI ÀS SEMIFINAIS DA TAÇA RIO

 

EM NOITE HISTÓRICA, BANGU BATE O VASCO DE VIRADA E VAI ÀS SEMIFINAIS DA TAÇA RIO

 

Foto: João Carlos Gomes/Bangu


 

O comércio fechou mais uma vez no bairro mais quente do Rio de Janeiro. Em um jogo que certamente entrou para a história do clube, o Bangu virou o jogo em cima do Vasco, e venceu o time da Colina por 2x1, em São Januário. Com o resultado, o Alvirrubro se classificou para a fase semifinal da Taça Rio em primeiro lugar no grupo B, para a Copa do Brasil de 2020 e ainda deixou muito bem encaminhada a classificação para a semifinal geral do Campeonato Carioca - o time só não participaria das semis caso Vasco ou Volta Redonda vençam o returno. Além disso, o time já havia conseguido também uma vaga na Série D do ano que vem, com duas rodadas de antecedência. Nem nos seus melhores sonhos esta colunista imaginaria começar um texto com estas palavras.

 

Entre os torcedores, o comentário é um só: este, certamente, é o melhor time que o Bangu já teve no século XXI. A começar pelo técnico Ado de Souza, que assumiu o comando do time junto com Marcão na metade do segundo turno. Ver Ado à beira do campo, por si só, já é uma alegria enorme para os corações banguenses. Ado foi ídolo do time nos anos 80, e um dos responsáveis pela campanha que levou o Bangu à final do Brasileiro em 85. Apesar de tantas credenciais, sua marca registrada em todos os anos atuando como auxiliar técnico e agora como treinador sempre foi a humildade, característica que ele conseguiu levar para o elenco e que tem sido um dos principais fatores do sucesso do time neste campeonato.

 

E foi assim, com humildade, que o Bangu entrou em campo contra o Vasco da Gama. Mas que ninguém se engane: isso não tem nada a ver com abaixar a cabeça para o adversário, principalmente quando se trata de times de maior investimento. Pelo contrário. Mesmo com pressão do time da casa, o Alvirrubro não abaixou a cabeça em momento algum, e se defendeu sem perder a ofensividade - tanto que chegou a ter quatro escanteios seguidos, além de ter levado perigo à área cruzmaltina com Yayá Banhoro e Anderson Lessa. O Vasco reagiu em cabeçada de Bruno Silva após escanteio cobrado pela esquerda por Danillo Barcelos, mas Jefferson Paulino fez boa defesa.

 

Após a parada técnica, o Vasco passou a dominar o jogo e foi superior no toque de bola, porém a partida seguia em ritmo menos intenso e o time da Colina não teve sucesso nas finalizações. Porém, aos 42 minutos da primeira etapa, Cáceres cruzou para Rossi na área, que bateu de primeira para Jefferson Paulino espalmar e o rebote cair nos pés de Tiago Reis. O jovem atacante só teve o trabalho de escorar e mandar para as redes, abrindo o placar para o time da casa.

 

No segundo tempo, o Bangu mostrou que não ia se intimidar com a desvantagem no placar e buscou o jogo, superando os contra-ataques do adversário. Aos 12 minutos, o juiz marcou pênalti a favor do time da Zona Oeste, após toque de mão de Danilo Barcellos. Anderson Lessa cobrou com firmeza para empatar e reavivar o sonho alvirrubro.

 

Após o gol, o Vasco voltou a pressionar, mas sem efetividade nas finalizações. O Bangu, por sua vez, se garantia em noite inspirada do zagueiro Rodrigo Lobão, que assumiu a vaga após lesão de Michel (outro defensor excepcional) e vem dando conta do recado, e em mais uma excelente atuação de Jefferson Paulino, que evitou um gol aos 33 minutos após confusão na pequena área.

 

Quando a placa indicando 5 minutos de acréscimo foi erguida, houve alguns protestos e reclamações na torcida. Mas o que ninguém imaginava é que aqueles minutos de acréscimo seriam o suficiente para a consagração de um jogador que, na humilde opinião desta que escreve, foi disparado o mais injustiçado do elenco nesta temporada.

 

Pausa para um brevíssimo retrospecto: de volta ao Bangu no final do ano passado, Marcos Júnior passou por um grande drama pessoal ao perder a esposa Vanessa, vítima de um câncer. Mesmo diante das dificuldades, o jogador se manteve focado em seus objetivos e, depois de um início de campeonato marcado por alguns erros e más atuações, vinha apresentando um excelente futebol em todo o segundo turno e se tornou peça fundamental no time, distribuindo as jogadas pelo meio e fazendo inversões de jogo com muita eficiência sempre que acionado. Ainda assim, boa parte da torcida se mostrava muito impaciente com ele, sobretudo pelos gols que teimavam em não sair.

 

Quis o destino que sua estrela brilhasse no momento em que o time mais precisou: em um belo contra-ataque aos 46 minutos, Robinho avançou pela esquerda e rolou para Marcos Júnior na meia-lua, que dominou com tranquilidade e bateu rasteiro, sem chance para o goleiro Fernando Miguel. Silêncio na torcida vascaína, explosão no lado banguense. Na comemoração, Marcos Júnior mostrou para as câmeras uma camisa com a foto de Vanessa estampada, vestida com o uniforme alvirrubro.

 

Quando o árbitro apitou o final do jogo, tudo virou festa. A partir daí, eu já não sou capaz de relatar o tamanho da comoção que tomou conta da torcida, dos jogadores e da comissão técnica. Em meio a abraços, sorrisos e lágrimas, veio a confirmação de que estamos vivendo um dos momentos mais importantes da nossa história: o Bangu é gigante e está voltando ao seu lugar.

 

A partida

Vasco 1x2 Bangu - Campeonato Carioca, Taça Rio, 6ª rodada - 23/03/2019 às 19h

 

Estádio de São Januário (Rio de Janeiro - RJ)

Árbitro: Mauricio Machado Coelho Junior

Assistentes: Daniel do Espírito Santo Parro e Diego Luiz Couto Barcelos

 

Vasco: Fernando Miguel; Raul Cáceres, Werley, Leandro Castan e Danilo Barcellos; Bruno Silva (Thiago Galhardo, 11'/2ºT), Lucas Mineiro e Bruno César (Ribamar, 35'/2ºT); Rossi, Marrony e Tiago Reis (Máxi Lopez, 24'/2ºT). Técnico: Alberto Valentim.

 

Bangu: Jefferson Paulino; João Lucas, Rodrigo Lobão, Anderson Penna e Dieyson; Felipe Dias, Marcos Junior e Felipe Adão (Alex Chander, 27'/2ºT); Yaya (Robinho, 40'/2ºT), Jairinho e Anderson Lessa (Bruno Luiz, 30'/2ºT). Técnico: Ado.

 

Gols: Tiago Reis, 42'/1ºT (1-0); Anderson Lessa, 10'/2ºT (1-1); Marcos Junior, 47'/ºT (1-2).

 

Cartões amarelos: Bruno César, Rossi e Thiago Galhardo (VAS); Marcos Junior (BAN).

 

Público: 9.067 pagantes (9.493 presentes)

Renda: R$ 224.356,00

 

Por: Gabriella Lima