ENERGIAS RENOVADAS PARA ENCARAR A D?

 

Após ser Campeão Potiguar 2019, o alvirrubro iniciará sua participação na quarta divisão do Campeonato Brasileiro neste sábado (4), às 16h, contra o Serrano. O palco do confronto será o estádio “O Amigão”, em Campina Grande/PB.

 

Foto: Rafael Reis

Além de ter conquistado o Troféu Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, cinco dos jogadores alvirrubros estiveram entre os melhores da competição estadual, e é com esse grupo que o professor Moacir Júnior pretende iniciar mais uma batalha rumo ao acesso.

Por outro lado, vamos enfrentar a equipe que foi rebaixada no Paraibano e que recentemente foi repaginada para o Brasileiro. O que isso significa? NADA!

Mencionei esses fatos apenas para lembrar que nada importa se não comermos bola desde o primeiro minuto de jogo. É quarta divisão, amigos, e nós conhecemos a dificuldade dessa competição. Não há favoritismo, são 68 equipes que entram com o mesmo objetivo: sair.

Eu nem preciso falar que vamos em busca dos 3 pontos e não aceitamos nada menos do que isso, não é? Apesar de não ter um favorito, se o América pretende subir para a Série C, tem que ir com sangue nos olhos e aproveitar toda oportunidade que aparecer.

Não dá para esperar que os atletas se acostumem com a competição, essa desculpa não vai rolar, inclusive, todos já lidaram com a pressão da torcida na Copa RN.

 

Foto: Canindé Pereira/América FC

 

A SÉRIE “D”EPRESSÃO

Para quem ainda não conhece o cenário, vou dar uma breve explicação do que iremos enfrentar: Na primeira fase, os 68 participantes, divididos em 17 grupos com 4 equipes de acordo com a sua região, se enfrentam em jogos de ida e volta, num total de 6 rodadas.

Classificam-se para a segunda fase os primeiros colocados de cada grupo e os 15 melhores segundos colocados. A partir daí cada jogo é um sofrimento indescritível, com o famoso mata-mata, até conhecermos os 4 semifinalistas que conquistam o direito de disputar a terceirona do ano seguinte.

Obviamente, os vencedores das semifinais disputam o título de Campeão da Série D, mais uma vez, em jogos de ida e volta. O difícil é só chegar lá!

O Mecão está no grupo A6, juntamente com América-PE, Bahia de Feira e Serrano. Não parece muito complicado se classificar, mas não costumo cantar vitória antes do tempo, principalmente, conhecendo o meu time do coração que consegue ser mais imprevisível do que eu, então, seguirei preocupada durante toda a competição e é bom que vocês estejam cientes disso.

 

COMO CHEGAMOS A ESSE PONTO?

Torcedores, calma! Eu não irei contar desde 1915, mas vou rebobinar a fita alguns anos. Preparados para esse pré-jogo nostálgico?

Em 2012 nós tivemos dois momentos de incrível contraste. Disputávamos o Campeonato Potiguar e, na mesma proporção em que vencemos algumas vezes de goleada, também amarguramos algumas rodadas sem vencer. Lamentavelmente, no final do primeiro turno acabamos perdendo para o nosso maior rival.

Como estamos falando de futebol, não posso perder o trocadilho: SUBSTITUIÇÃO NO AMÉRICA. Sai Flávio Araújo e entra Roberto Fernandes.

Na época, iniciamos o segundo turno perdendo para o Baraúnas. Logo retomamos o controle da situação, mas em face da imprevisibilidade que estamos acostumados, acabamos perdendo todo o controle outra vez. Instabilidades à parte, o que importa é que naquele ano vencemos o campeonato contra a equipe alvinegra.

Ah, Roberto Fernandes... Nossos clássicos eram tão bons quando tínhamos você. Nós vivemos tanta coisa boa naquele ano. Nem o mais corneteiro poderia prever o que estava por vir, não é mesmo?

Infelizmente a nossa campanha na Copa do Nordeste do ano seguinte foi medíocre. Dizem que antes de morrer todo mundo tem uma melhora significativa, e a CN deu pistas do que iríamos enfrentar.

Nosso campeonato estadual nos iludiu direitinho, conseguimos invencibilidade por, salvo engano, 18 partidas, mas na hora H perdemos para o alvirrubro de Mossoró.

A essa altura é até melhor deixar aquela Série B cair no esquecimento... E o Roberto Fernandes, bom, ele passou um período fora do América, retornando mais ou menos um ano depois.

Então, o ano de 2014 chegou para que 2013 fosse esquecido. Com a inauguração da Arena das Dunas, os jogos do Dragão seriam padrão FIFA. O primeiro gol no novo estádio foi marcado pelo alvirrubro Adalberto, e na mesma partida, Adriano Pardal também anota o seu, além de registrar o gol da vitória do primeiro clássico na nova casa, poucos dias depois. E lá fomos nós... Campeonato Potiguar, Copa do Nordeste, Copa do Brasil...

Pausa para relembrar do inesquecível 5x2 no Maracanã, onde conseguimos reverter a derrota de 3x0 para o Fluminense. Com gols de Marcelinho, Alfredo (2), Rodrigo Pimpão e do nosso Homem de Pedra, Max, o alvirrubro bateu o Fluzão de virada histórica.

Fred e Cícero marcaram pelo tricolor, que acabou sendo eliminado pelo Mecão. Que dia, amigos!!! A lágrima de emoção escorre só em lembrar desse momento. Foi lindo!

Mas, retomando o foco principal, nem tudo ia bem no América, nós nem sabíamos, mas estávamos prestes a cair da Série B para a C. Entramos na fatídica zona de rebaixamento na última rodada e caímos. Engraçado, né? Nós tínhamos elenco para subir e acabamos despencando em queda livre.

Nos vestiários? Muita panelinha, briga com direito a olho roxo e um grupo completamente rachado. O resultado não poderia ser outro, amarguramos por, em média, 10 jogos sem vencer. Arrisco a dizer que o principal “câncer” da equipe eram alguns jogadores mercenários que queriam viver do tão conhecido e repugnante “bicho”. É vergonhoso, mas necessário lembrar.

Em 2015, ano do centenário, fomos Campeões Estaduais derrotando o rival no Frasqueirão com um gol de Flávio Boaventura. Como esquecer aquela voadora, nação alvirrubra?

Eles também lembram bem, com toda certeza. Contudo, apesar da saborosa consagração de Campeão Centenário, mesmo tendo o ilustríssimo, Adriano Pardal, nosso zagueirão da massa, Flávio Boaventura, e o pai de todos, Cascata, nossa série C foi um fiasco e não conseguimos chegar nem no mata-mata.

O tempo continuou seguindo seu curso normal, até que 2016 chegou para decretar o maior de todos os sofrimentos do torcedor americano. No estadual levamos uma verdadeira surra do rival que selou esses últimos 3 anos consecutivos de derrota.

A Série C parecia ruim por que ninguém acreditava que poderia piorar. Só faltavam 3 rodadas para o fim quando aconteceu o inacreditável... Fomos rebaixados mais uma vez, a pior queda de todas, sem dúvidas.

De lá pra cá foi tanta dor que a conquista desse ano ainda não foi capaz de nos deixar anestesiados de felicidade como esperávamos que aconteceria.

Eu senti muita falta de comemorar, mas, inesperadamente, não consigo estar 100% feliz. Iniciar esse novo velho desafio ainda me deixa na defensiva.

Queria muito dizer que estou esperançosa, mas meu coração não está em paz. Talvez aqueles que já conhecem a dor de disputar uma série D, consigam me entender, enquanto outros não. O fato é, aqui estamos novamente, mais um ano em busca da superação.

 

DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS

Sabemos que o nível do Campeonato Potiguar não estava lá essas coisas, mas isso não desmerece o fato do nosso ataque ter sido considerado o melhor da competição.

Além disso, promovido pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol, a 8ª edição do Prêmio Craque Potiguar elegeu atletas do América na Seleção do Campeonato Potiguar.

Os premiados, o zagueiro Adriano Alves que teve papel imprescindível no triunfo americano, o lateral-esquerdo Kaike, mencionado por mim diversas vezes como um dos jogadores que mais demonstrava vontade nos jogos, o nosso volante Leandro Melo, que se doa em campo e não pensa duas vezes ao nos defender das provocações no Frasqueirão, o meia Hiltinho, que consegue articular jogadas de forma precisa, com o dinamismo necessário, e claro, nosso bom e velho amigo, o atacante Adriano Pardal, que há anos está conosco e conhece cada particularidade desse América de Meu Deus, representaram toda uma equipe bem entrosada.

 

Foto: Canindé Pereira/América FC

 

O técnico Moacir Júnior conseguiu fazer com que coletivamente os jogadores aderissem ao seu modelo de jogo e moldou as qualidades de cada um de acordo com a realidade do clube.

Se fala tanto em “necessidade de contratar” e pouco se pensa em aproveitar o que já tem, mas o que vimos foi basicamente um reaproveitamento. Peças já conhecidas como Pardal, Max, Jean Patric somando às novas caras trazidas pela comissão técnica.

Deu certo no primeiro momento e pode continuar dando certo para essa nova batalha, mas os erros do estadual precisam ser neutralizados com urgência.

Esperamos encontrar, em Campina Grande, um grupo coeso com as ideias apresentadas durante esses primeiros meses de 2019, fazendo com que a experiência do título, em algumas ocasiões, aos trancos e barrancos, tenha servido para fortalecer a interação do grupo, interligando cada setor por meio de um raciocínio mais desenvolvido taticamente.

Os relacionados foram divulgados há pouco no Instagram Oficial do clube. Como já estava sendo especulado, o goleiro Copetti deverá entrar como titular na partida, e os recém-contratados, Moreilândia e Mikael, já estão à disposição do treinador.

Além disso, os zagueiros, Adriano Alves, Alisson Brand e Daniel; laterais, Vinícius Pedalada, Joazi e Kaike; volantes, Leandro Pitbull, Luisinho, Adenilson e Juninho; meias, Roger Gaúcho e Hiltinho; atacantes, Pardal, Max, Jean Patric e Murici formam o grupo escolhido para ir à Campina Grande. Alison e Ewerton ficarão fora da estreia, um por cumprir suspensão e o outro está no departamento médico, respectivamente.

SEGUIREMOS TE APOIANDO EM TODA PARTE

Antes mesmo do estadual ser definido, quando conhecemos os nossos adversários e as possíveis datas de confronto, a movimentação do torcedor para essa estreia foi crescendo. As caravanas seguirão para Campina Grande, neste sábado, recheadas de apoio e força mesmo com todos os obstáculos dos últimos dias.

Ingressos sendo disponibilizados a um valor absurdo de 50 e 100 reais para a torcida alvirrubra não vão nos intimidar.

É certo que os dirigentes do Serrano deveriam ter um pouco de bom senso na hora de estipular esses valores, mas isso só mostra o quão pequenos eles são. Me pergunto: teriam torcida suficiente para encarar um rojão desses aqui em Natal? Se não, tá explicado o motivo dessa “extorsão” disfarçada.

 

Que vença o melhor nas quatro linhas.

Vamos pra cima, Mecão!

 

Por Amanda Oleinik