"Eô eô, Evair é um terror!" - O atacante de raça!

(fonte: www.revide.com.br)

E era com esse grito que o matador era saudado pela apaixonada torcida palmeirense. São poucos aqueles que honraram tanto o nosso hino, “atacante de raça”, e o Evair, o matador, sem dúvida honrou.

Poucas coisas são tão lindas nessa vida como o Palmeiras da década de 90. Época vitoriosa do clube, com muitos craques em todas posições. Então, imagina o jogador que consegue se consagrar ídolo neste período? O Evair conseguiu!

Nascido em 21 de fevereiro de 1965 em Crisólia, distrito de Ouro Fino em Minas Gerais, começou sua carreira no Guarani, estreiando na equipe principal em 1985. Alcançou o vice-campeonato brasileiro com a equipe em 1986.

Permaneceu no Guarani até 1988 quando foi vendido para o Atalanta da Itália. Evair chegou o Palmeiras em 1991, em troca do Palmeiras com o Atalanta, o verdão cedeu o jogador Careca Bianchesi. Chegou desacreditado por parte da mídia e da torcida. Quando chegou ao Palmeiras, havia uma suspeita de que o jogador tinha uma hérnia de disco, que estava “bichado” e que não conseguiria jogar bem.

https://old.gazetapress.com/v.php?1:131338:6

(Fonte: www.gazetapress.com.br)

O jogador relembra em entrevista concedida ao site oficial do Palmeiras este momento da carreira:

 

“O Guarani, quando me vendeu, disse que eu tinha uma hérnia de disco para ter uma desculpa para dar à torcida. Aí, quando regressei ao Brasil para atuar no Verdão, essa história voltou. Ou seja, cheguei já quase indo embora. Falavam que eu era bichado, que eu não ia passar no exame médico. Havia jogado por três anos na Atalanta sem sentir nada”.

 

Como senão bastasse chegar desacreditado, em 1992 o atacante foi afastado por deficiência técnica pelo comandante alviverde da época, Nelsinho. O atacante não se rebelou, pelo contrário, ficou durante cinco meses treinando separado do restante da equipe. Quando da chegada do comandante Otacílio Gonçalves foi reintegrado ao time. E aí amigos, nascia o matador!

Em 1993, ele tinha singelos companheiros de equipe: Edmundo, Roberto Carlos, Antônio Carlos, César Sampaio e Mazinho. Após 16 anos sem conquistar um título, o Palmeiras conquistou o título do Campeonato Paulista de 1993 em cima do seu maior rival: o Corinthians, que tinha como técnico o mesmo Nelsinho que um dia dispensou o matador. O famoso 12 de junho de 1993, “o dia em que o verde voltou a ser cor”, é inesquecível para qualquer palmeirense, dia do fim do jejum de títulos, dia de vencer o título em cima do rival, dia da paixão palmeirense.

Mas o atacante quase ficou longe da final. Um mês antes da decisão do título, sentiu uma lesão que o deixou no departamento médico do clube. Voltou a campo no primeiro jogo da final entrando apenas após o intervalo.

O técnico da época, Vanderlei Luxemburgo, só queria colocá-lo em campo no segundo jogo da final. Mas ele confessa que cedeu a pressão do jogador que com insistência pedia para jogar.

 A finalíssima teve direito a goleada, 4 a 0 em cima do Corinthians, com dois gols do matador. O primeiro gol veio no tempo normal, o segundo gol foi na prorrogação, quando o atacante foi escolhido para bater um pênalti, que entrou no canto esquerdo do goleiro, indefensável. Época que atacante não perdia pênalti. Gol do título! O fatídico gol comemorado com os braços abertos correndo pelo campo e com os abraços dos companheiros, e, o agradecimento eterno da torcida de canta e vibra.

Paulistão 1993 Evair Palmeiras (Foto: Djalma Vassao / Agência Estado)

(Fonte: www.globoesporte.globo.com)

Na entrevista concedida ao site oficial do clube, o jogador ainda disse:

“Não, não poderia ser melhor. Se eu quisesse escrever o que foi aquele dia, não conseguiria. Por tudo que passei, todas as dificuldades, a minha recepção pela imprensa... não poderia ser melhor. Foi o dia que Deus escolheu para mim. Marcou minha vida. Ganhei Libertadores e vários outros títulos, mas esse foi o mais importante para mim”.

Evair era aquele atacante clássico, passadas elegantes, visão de jogo e o faro indiscutível de gol.

Em 1993 ele ainda conquistou os títulos do Torneio Rio-São Paulo e o Campeonato Brasileiro. Em 1994 ajudou o alviverde a alcançar o bicampeonato brasileiro. Na temporada de 1994 o matador balançou as redes 53 vezes. Época grandiosa da história do cube e da história do atacante.

O matador deixou o Palmeiras em 1995 para ir ao Japão. Recusando propostas do arquirrival palmeirense, Corinthians.

Voltou para o Brasil em 1997, mas apenas em 1999 voltou ao Palmeiras. Quem melhor para ajudar na conquista da América do que o terror dos adversários? E ajudou. Na decisão do título continental, ele saiu do banco de reservas para marcar o gol palmeirense que levaria a disputa aos pênaltis.

Seu último jogo pelo Palmeiras foi na final do Mundial de 1999. Ao todo foram 245 jogos com a camisa palmeirense, 137 vitórias, 53 empates, 55 derrotas e 127 gols. Evair ainda declarou certa vez que sonha em ser técnico do Alviverde. Já imaginaram o matador no comando? Se ele passar metade da sua raça aos jogadores, com certeza teremos muitas felicidades e títulos.

https://s.glbimg.com/es/ge/f/original/2013/05/27/evair_rib-8.jpg

(fonte: www.globoesporte.globo.com)

Evair foi um jogador símbolo de conquistas do Palmeiras, mesmo nos momentos difíceis, encontrou forças e disposição para se aprimorar e se tornar o matador em campo, honrou o manto, se tornou ídolo e nos deu muitos títulos.  Mostra o espírito palestrino, guerreiro que nunca desiste.

Evair, matador, o terror dos nossos adversários, o nosso eterno muito obrigada em nome de toda nação alviverde!

Marcela Permuy

Sempre avanti!