ESPECIAL “DIA DO GOLEIRO”: MANGA

Uma breve biografia futebolística do homem que deu origem à esta data.

 

O dia do goleiro foi idealizado por dois professores do exército brasileiro: o tenente Raul Carlesso e o capitão Reginaldo Carlesso. A princípio, em uma reunião com um determinado grupo de goleiros estabeleceu-se que seria no dia 14 de Abril, no entanto, nesta mesma reunião ficou para o dia 26 de Abril, homenageando um grande ídolo brasileiro das traves, Haílton Corrêa Arruda, o Manga, que faz aniversário nesta data. Nesta crônica vamos falar sobre a grandiosidade desse arqueiro, que  está completando 83 anos. 


Recife, 26 de Abril de 1937. O dia que nasceu a lenda das traves da América Latina. O jogador de 1,86 de altura que bateu recorde em participação na Copa Libertadores da América. Não é para qualquer um. 



(Foto: Pinterest.com)

Iniciou a sua carreira no ano de 1954, com 17 anos, nas categorias de base do Sport Club do Recife. Ainda no time juvenil, o jovem goleiro se destacava pelas suas atuações nas traves. Neste mesmo ano, a equipe juvenil do Leão conquistou o Campeonato Pernambucano de Juniores e o destaque do time foi ter sido campeão sem levar nenhum gol com Manga na titularidade. Devido a esse fato, foi comparado ao então goleiro titular do Santos e herdou o apelido. Subiu para o time profissional aos 18 anos e quase foi parar no Vasco da Gama, mas recebeu uma oferta melhor do Sport e continuou no clube. Estreou na equipe profissional com vitória por 5 a 2 em um amistoso contra o Náutico em 1955 e mostrou ser “pé quente”, entrando no lugar do então goleiro titular do Leão, Carijó. Manga seguiu na reserva de Carijó, sendo convocado em jogos amistosos e poucos jogos principais. 

No ano de 1957, o Leão da Ilha fez uma excursão para realizar partidas entre a Europa e o Oriente Médio que o goleiro começou a se firmar no time. Revezou a titularidade em jogos com Carijó e Osvaldo Baliza. Devido às suas excelentes atuações, tornou-se titular absoluto da equipe. Como goleiro principal, venceu o Campeonato Pernambucano de 1958. O time na época era comandado pelo argentino Dante Bianchi, que tinha outras estrelas no elenco como José Roque Paes, o Traçaia.

 


(Foto: Globo Esporte Pernambuco)

Manga saiu do Sport no ano de 1959, tendo sua última partida contra o Ferroviário no Pernambucano, o goleiro até gol fez. Em seguida, transferiu-se para o Botafogo. 

No Botafogo, Manga escreveu uma bela história, de muitas conquistas em pouco mais de uma década pelo clube. Em 1959, o então técnico do Glorioso era João Saldanha, que convidou Manga para defender a camisa do Fogão. Com seu talento, o goleiro se tornou um dos principais jogadores da posição no Brasil. Manga jogou ao lado de grandes craques da época que atuaram no alvinegro carioca, como Nilton Santos, Didi, Zagallo, Amarildo, Garrincha, entre outros. Essa geração se destacou por fazer jogos históricos contra o Santos de Pelé na década de 60. 

Manga foi bicampeão carioca, nos anos de 1961 e 1962, em cima do rival Flamengo. Em ambas as conquistas, o Glorioso venceu por 3 a 0 e fez a alegria de sua torcida. Manga deu uma declaração polêmica sobre os títulos, afirmando que mesmo antes das partidas “o leite da crianças estava garantido”, tamanha a confiança na vitória. O alvinegro venceu também dois Torneios Rio-São Paulo, em 1962 e 1964, com participação direta do goleiro, que garantiu a baixa média de gols sofridos pela equipe. A qualidade do goleiro na reposição de bola e sua tranquilidade nesses momentos de decisão eram fundamentais para o time alcançar os resultados.



Foto: Reprodução

Em sua primeira convocação para a Copa do Mundo, em 1966, Manga experimentou dois sentimentos em um curto espaço de tempo. Primeiro, ao ser titular da equipe, após a lesão de Gilmar, que era absoluto na posição. A Seleção Brasileira precisava da vitória contra Portugal para se classificar para as oitavas de final, após vencer a Bulgária por 2 a 0, mas perder para a Hungria por 3 a 1. Mas a decepção veio em uma saída insegura e uma imobilidade fora de suas características e o Brasil sofreu dois gols. O resultado final foi 3 a 1 para a equipe de Eusébio e a desclassificação da amarelinha. Manga não voltou mais à disputar uma Copa do Mundo e continuou sua carreira nos clubes. 

Após a Copa, o Glorioso repetiu a façanha do bi carioca e os títulos de 1967 e 1968 também foram para General Severiano. A trajetória de Manga ganhou maior destaque com mais duas conquistas do Torneio Rio-São Paulo e da Taça Brasil em 1968. Apesar de dentro de campo os resultados serem muito positivos, fora dele, Botafogo e Manga começaram a ter conflitos. Em 1967, um desentendimento entre o goleiro e o técnico João Saldanha estremeceu essa relação. O comentarista acusou publicamente o goleiro de ter entregado uma partida contra o Bangu no Carioca de 67. Manga então desafiou Saldanha, que, sabendo de sua menor estatura, levou um revólver e espantou o jogador com um tiro próximo a ele no chão. Manga fugiu pulando o muro do clube. 

Foto: FELIPE DUEST/PHOTOPRESS/Gazeta Press

Apesar dos conflitos, o goleiro é sempre lembrado pelo torcedor do Glorioso pelos seus feitos em campo. Ainda muito idolatrado, o goleiro confidenciou estar passando por dificuldades econômicas e prontamente recebeu ajuda da diretoria e dos torcedores alvinegros. O goleiro e sua esposa ficarão hospedados na Casa dos Artistas, dirigida pelo torcedor ilustre do Fogão, Stepan Necerssian, além de receber uma quantia em dinheiro.

Manga fez história na função, redefiniu as características de um bom goleiro. Ídolo por onde passou, no Colorado não seria diferente.

Vindo de uma trajetória multicampeã no Uruguai, onde defendeu as cores do Nacional. Em terras uruguaias, sagrou se várias vezes campeão nacional, ergueu também uma Taça Libertadores da América e um Intercontinental no ano de 1971.

Fonte: Sport Club Internacional

 

No Clube do Povo, Manga escreveu em dourado sua história, um dos principais arqueiros do alvirrubro. Junto com  Cláudio, Figueroa, Hermínio e Vacaria, Manga formava uma defesa sólida e difícil de ser batida.

No currículo três títulos estaduais, 1974, 1975 e 1976, e também o Bicampeonato brasileiro, o arqueiro que   sempre foi um gigante debaixo das traves fez parte das conquistas nacionais de 1975 e 1976. 

Haílton Corrêa de Arruda sempre será reverenciado no Rio Grande do Sul, seja nas recordações dos que tiveram o privilégio de vê lo em campo ou na gratidão dos mais jovens que hoje contam parte de sua história.

Da escola vencedora de Manga, ainda vieram muitos goleiros que marcaram grandes momentos no Internacional e também com a canarinho. O Inter e sua torcida são muito privilegiados por terem podido contar com Haílton, depois dele ainda tantos outros que trouxeram para casa grandes conquistas.

 

Fonte: Reprodução Internet

 

O Colorado, casa ainda de Clamer, Taffarel, Abbondanzieri, Dida, dos atuais Lomba, Danilo Fernandes, Daniel e Keiller, também formou o atual melhor goleiro do mundo, Alisson Becker.
  Parabenizar Manga pelo seu aniversário e celebrar sua história na função, que pode sozinha e em um único lance trazer a glória ou a derrocada, é homenagear a todos aqueles que escolhem o gol como seu lugar.

Por: Rannyelle Barbalho, Colunista do Sport; Rayssa Rocha, Colunista do Botafogo-RJ; Jéssica Salini,  Colunista do Internacional.

 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo.